terça-feira, 11 de agosto de 2020

#13 - Custo de Vida para Morar em SP Sozinho


Fala galera, beleza?


Hoje vou tentar mostrar quanto que precisa pra morar na Zona Norte de SP e qual é o custo de vida dessa localização. Sei que muita gente tem curiosidade pra saber quanto são os custos de São Paulo por ser uma cidade cara e desejada. Lembrando que todos os custos e gastos que vou colocar nesse post são pessoais e baseados apenas na minha experiência, isto é, é só uma exemplo, uma noção do que pode ser.

Pra quem não sabe eu já moro em SP tem um bom tempo, mas antes eu dividia AP com duas pessoas e eu decidi voltar a morar sozinho por questões pessoais, mesmo gastando mais com isso e indo pra um local mais longe, com menores opções e regalias.

Vamos primeiro para os gastos fixos com a moradia em si, isto é, o apartamento e os custos mensais. Meu apartamento tem uma metragem de 42 m², tem um quarto, uma sala, um banheiro e uma cozinha, não tem varanda nem área de lavagem ou estender roupa, nada disso. É um apartamento bem simples e eu estou gostando bastante dele. Alguns dos meus amigos podem considerar ele pequeno, mas pra dizer a verdade é até mais do que preciso morando sozinho.

Custos Fixos com moradia: É basicamente o que eu gasto por mês simplesmente por morar em SP em um local privado. Sempre terá esses custos eu estando de fato usando o Ap ou não.

Valor do aluguel: R$ 1550,00
Valor do condomínio: R$ 210,00
Conta de luz: ~R$ 60,00
Conta de gás: Não tem, uso botijão
Conta de água: Incluso no condomínio
Conta de internet: ~R$ 109,00 (Vivo Fibra)

Porém quando me mudei pra cá eu não tinha basicamente nada de móveis, tinha minhas roupas e o meu computador basicamente, então vamos aos gastos com mobílias:

Geladeira: R$ 1100,00
Microondas: R$ 250,00
Fogão: R$: 300,00
Máquina de lavar: R$ 900,00
Sofá: R$ 850,00
Mesa: R$ 300,00
Cadeira: R$ 760,00
Colchão (sem a cama): R$ 350,00
Guarda roupa: R$ 670,00
Apetrechos de cozinha (pratos, panelas, talheres): ~R$ 300,00

(Decidir não colocar os centavos certinhos por motivos de sugou!)


Curiosidade triste: Meu prédio tem 3 andares e eu moro no último. Como ele é pequeno não tem elevador e somente escada. Maaasss a maldita da escada é muito estreita e fez com que o box da minha cama não subisse e quase fez com que o sofá não subisse também. Foi um puta rolo pra fazer essa mudança.

Pois então, Ap montado, mudança feita, custos fixos instalados, vamos aos variáveis. Aqui entra um parâmetro mais pessoal ainda, pois é a minha vida, meus gastos, meus costumes, meus gostos, minha frugalidade, tudo meu, acho que deu pra entender né?! Vamos aos números então:


Alimentação (supermercado, padaria, açougue): ~R$ 1020
Assinaturas (Amazon Prime, Netflix, etc): ~R$ 70
Gastos com transporte (metrô e Uber): ~R$ 80
Gastos com saúde: ~R$ 250
Gastos com família: ~R$ 200
Gastos pessoais (presentes, itens que quero, cursos, estudo, trabalho, bares): ~R$ 300

Lembrando que esses gastos são custos médios mensais dos últimos 12 meses.

Resumindo então esse post expositivo número:

Móveis para o Apartamento: R$ 5780
Custos Fixos Mensais: ~R$ 1929
Custos Variáveis Mensais: ~1920

Portanto, se você pretende morar sozinho em SP num bairro considerado bom e perto da qualidade de vida que eu tenho então tem que ter por volta de 6k pra comprar os móveis, e gastar quase 4k por mês pra sustento. É muito? É pouco? Depende, tudo depende.

Eu conseguiria facilmente me mudar pra um apartamento mais barato, mas seria mais longe e teria que ir de transporte pro trabalho e não a pé. Considero ir a pé pro trabalho uma vantagem tremenda então aceito pagar a mais por isso. Daria pra diminuir os custos fixos de 2k por mês pra uns 1,5k mais ou menos.

Outro fator, eu tenho a vida que quero, não "me nego" nada mas também não sou gastador. Quero comprar? Eu compro, mas minha alma frugal sempre olha o preço e faz a aceitação do produto ou não. Consigo viver com menos que isso? Hell yeah! Caso queira consigo diminuir um monte de coisa e viver apenas com 1k a 1,2k mensais, tudo é questão de escolha, estou satisfeito com meus gastos de vida atual e com o que guardo pra investimentos, lembre-se sempre de tentar equilibrar, a vida é agora, no presente, mas o futuro é o presente de amanhã então não podemos ser tão "Carpe Diem" assim.

Pra quem estava curioso está aí os números. Mas antes de dar tchauzinho queria dizer que estava pensando em mudar o nome do blog. Quando criei esse blog o objetivo era complementar o canal no Youtube com informações de investimentos, por isso criei com esse nome bosta. Porém, o blog é muito mais uma ferramenta  pessoal minha como muitos outros blogs por aí do que um blog de informações de investimento mesmo (que é o que o nome sugere), então estava pensando em mudar pra um nome mais pessoal, mais reservado, apenas pra manter minhas postagens toscas de vez em quando, trocar ideia com vocês e os desabafos e críticas de sempre que fazemos por essa finasfera, o que vocês acham? Comentem aí

Basicamente é isso, ficamos por aqui! 

TR



sexta-feira, 31 de julho de 2020

#12 - Investimento em Urânio

Fala meu povo, tudo bom?!

Nesse post vou contar um pouco do racional para eu ter investimentos em urânio, algo bem diferente e talvez bem fora da curva aí pra maioria dos investidores. Mas antes queria dizer que participei do Ep45 do Podcast do SrIf, quem quiser saber mais um pouquinho sobre mim é só ir lá.

Lá na entrevista eu disse que já testei de tudo em investimentos, sempre coloco um pezinho em algo pra ver qual é a dele e avalio se eu gosto ou não, eu não sou daqueles que vejo a pessoa X falar "isso não presta" e vou lá e repito que nem papagaio, eu geralmente absorvo várias opiniões e vou lá também ter a minha experiência. 

Um desses investimentos aconteceu com o Urânio, quando eu estava estudando ciclos de mercado com o livro Dominando Ciclos de Mercado do Howard Marks e fiquei mais curioso e fui olhar a performance de vários ciclos e como foi os investimentos, dessa forma acabei caindo de paraquedas em alguns bem diferentes e avaliando o do Urânio e vi que era algo com um racional excelente e com um grande potencial de alta, então entrei.

Vamos ao racional, mas antes aviso que vou explicar muito por cima, se vocês se interessarem eu posso ir explicando cada tópico mais devagar e aí da pra entender melhora  tese de investimento.

Primeiramente o que é o urânio?! O urânio é um mineral extraído da natureza e tem basicamente uma função: ser enriquecido e fornecer energia nuclear por meio de fissão nuclear. Essa energia pode ser usada como energia nuclear em usinas nucleares e em bombas atômicas, liberando uma quantidade monstruosa de energia e dizimando a região.

"Nossa, você está investindo em armas então?!" Não, antes de sair acusando tem que no mínimo entender sobre não é, o urânio quando é extraído tem que ser enriquecido, basicamente ele é retirado da natureza, tratado, moldado e enriquecido, se ele for enriquecido até um percentual de  4 a 5% é o suficiente para utilizar ele como fonte de energia em usinas, se ele for enriquecido acima de 90% aí sim ele usado em armas nucleares. É bem interessante entender o ciclo do urânio pra ter uma visão maior do que está acontecendo, mas vou pular essa etapa por enquanto.

O tese do investimento em si é simples: apostar na alta do preço do urânio no mercado mundial. Porque essa alta pode/deve acontecer?  Pelo mesmo motivo que acontece alta de algum produto, baixa produção e alta demanda.

Porque o urânio tem baixa produção?!

O número de mineradoras de urânio já foi grande, mas desde o último boom do mercado em 2007 (o que não teve nada a ver com o crash de 2008) o preço do urânio só caiu, caiu porque haviam muito produtores e poucos consumidores. Minerar urânio é caro e se você não tem uma sistema eficiente e o preço não ajuda então a empresa fica no prejuízo, mantenha esse cenário por muito tempo pode quebrar a maioria das empresas do setor e foi isso que aconteceu. O número de empresas saiu de mais de 500 daquela época pra menos de 50 atualmente, isto é, tem poucos produtos agora. Além disso, começar a minerar é mais caro ainda, preparar a mina pra extração tem um custo absurdo de pesquisa e extravio, no momento que se desliga uma mina a empresa já está assumindo um risco alto pois apenas com altos investimentos ela poderia voltar a funcionar, trazendo uma barreira econômica forte pro setor.

Ok, mas porque o consumo vai aumentar?

A resposta aqui também é bem simples, são basicamente duas, o estoque de urânio das usinas nucleares estão se esgotando, com a maioria dos contratos longo terminando agora no final de 2020 e em 2022 e porque o número de usinas nucleares só aumenta, tendo mais de 50 usinas em construção em todo mundo e tendo países voltando com tudo nesse ramo, como o Japão. A Usina é um investimento caro, muito caro, mas a energia é "limpa", muito estável e segura (aqui entra diversos debates que não vou aborda aqui), sendo uma das energias mais baratas e menos poluentes do mundo. Muitas ações sociais estão inclinando pra essa medida ainda revoltados com o impacto ambiental e humano que as outras fontes de energia causam por aí, como o impacto ambiental da energia hidrelétrica, carvão, eólica e tudo mais. Nenhuma outra fonte de energia atual consegue bater de frente com a nuclear, é só pesquisarem, qualquer coisa comentem aí que a gente bate um papo.

Voltando ao assunto, após a construção da usina ela precisa comprar o combustível que é o urânio e esse combustível é muito barato em relação ao preço do projeto, é como se você pudesse colocar gasolina no seu carro por 2 centavos o litro, o preço da gasolina nunca ia te impedir de andar de carro, apenas a manutenção dele. Além disso, uma usina, depois que ligada não pode ser desligada, isto é, não que não pode, mas não é bom, pois gasta muito pra aquecer o núcleo e só depois ela gera a energia em si, então desaquecer ele por falta de combustível pra depois aquecer é inviável, fazendo com que todas ou a maioria das usinas no mundo operem 24h/7dias ininterruptas. Se você já percebeu a sacada aqui deve ter visto que isso traz uma grande vantagem pros produtores de urânio, pois o consumidor é totalmente indiferente ao preço, isto é, ele TEM que comprar, pois não pode deixar a usina parar, é uma energia boa e barata, e ele COMPRA A QUALQUER PREÇO pois é barato em relação aos outros custos, mesmo o preço do urânio subindo horrores ele não deixaria de comprar.

Deu pra sacar porque existirá uma alta na demanda? 

Outro fator importante e que alavanca os resultados é a grande ineficiência do mercado nesse ramo. Todo mundo sabe que quanto mais líquido é um ativo, mais eficiente o mercado é em ajustar o preço pro valor "justo". O que acontece é que o mercado de urânio é extremamente ineficiente, e isso é facilmente visto pois a demanda e a oferta não andam juntas. Pra se ter uma ideia, a produção de urânio só caiu, ela não aumenta desde 2013 se não me engano, devido a quebra de empresas e o fechamento de minas e, ao mesmo tempo, a demanda por urânio só aumento, chegando aos picos agora em 2020, essa demanda é muito superior a oferta agora em 2020, isto é, há um deficit e urânio no mercado, trazendo esse desiquilíbrio, e quando se tem muitas pessoas (usinas) atrás de algo que é escasso já sabemos o resultado né.

Existem muitos países investindo nesse tipo de energia e muitos até dependentes demais. 11% do consumo mundial de energia é nuclear, 20% da matriz energética dos EUA também, assim como 77% da França, 25% da Inglaterra, 25% Russia e assim vai. Um grande vetor de crescimento é a China, que tem atualmente 4% e quer chegar aos 20% em 15 anos, o Japão também tem esse mesmo objetivo. Pra quem tem curiosidade o Brasil tem 3% da matriz energética gerada por energia nuclear. 

Interessante não é?

Mas porque os preços ainda não subiram? Bem, há duas explicações pra isso: a primeira é que as usinas em construção precisam ser finalizadas a segunda entra mais na forma como as usinas compram urânio, que é por meio de contratos de longo prazo, isto é, elas contratam as mineradoras pra fornecer urânio por um período longo de tempo, 10, 20 anos, pois, como já disse, elas não podem parar e, como já disse também, a maioria desses contratos vencem agora em 2020 e em 2022/2023, isso quer dizer que as usinas vão a feira fazer compra só perto dessas datas. Além do mais, entra aqui também toda a questão do ciclo do urânio que não expliquei e muitos outros fatores.

O racional muito resumido é esse: investir em urânio pois a produção é baixa e a demanda tende a aumentar, elevando o preço dele em algum momento. 

Vou finalizar o post por aqui porque se não fica muito grande, se tiver interesse de vocês eu posso fazer uma série de posts explicando cada ramo do investimento, que ao meu ver é muuuuito interessante haha, tem os riscos também, a forma de investimento, casos governamentais e do covid, acidentes nucleares que fizeram demanda cair e a conscientização desse tipo de energia que fez a procura subir, tem muitos mini tópicos que gosto de estudar e poderia trazer pra cá. Comentem aí oque acham e vamos trocando ideia.

Ahh, não deixem de escutar a minha entrevista com SrIf no Ep45. Já me desculpo pelo áudio pipocado, mas a internet do interior não ajudou =(.

TR



 




sexta-feira, 24 de julho de 2020

# 11 - Meu monopólio de chocolate

Fala galera, blz?!

Então, eu estava pensativo na vida esses dias e lembrando da minha jornada e lembrei de um fato curioso dos meus primeiros trabalhos e queria compartilhar com vocês pois acho ela legal e talvez inspiradora.

Vamos lá, minha mãe sempre foi uma excelente cozinheira, de tudo mesmo, daquelas que prova a comida e já sabe o que tem ou como fazer, ou perto disso. Ela era uma daquelas donas que sempre tinha um caderninho cheio de receitas antigas de vô e tudo mais.

Quando eu era adolescente e tinha acabado de entrar no ensino médio, um dos natais em família ela fez um biscoito com recheio de chocolate pra ceia e, por incrível que pareça, sobrou! Não porque era ruim, mas porque era muito mesmo. Eu estudava no CEFET-MG, uma escola técnica e por ter tido algumas greves anteriores o calendário ainda não tinha se corrigido e teríamos aula já no começo de janeiro. Como sobrou biscoito e eu sempre fui muito solidário com amigos e tudo mais resolvi levar pra escola pra os mais chegados provares.

Acontece que eu dei o biscoito pra eles e eles amaram, não tinha mais elogio pra descrever o produto e pediram mais. Bem, eu não tinha, acabou, não tinha oque fazer se não pedir mais pra minha mãe. Passei a ideia pra ela e ela disse: "se eles pagarem o custo dos ingredientes eu faço". Pois levei a proposta pra eles e aceitaram. Na primeira remessa fiz uns pedidos e cada um pedia entre 3 a 5, minha mãe fazia e todo mundo ficava feliz. Daí alguns desses amigos deram pra outras pessoas e elas vieram a minha procura pra comprar e ai a lâmpada da oportunidade brilhou! "Vou começar a vender!"

Combinei com a minha mãe, ela não se importaria de fazer e "não lucrar com isso" e eu ficaria com o lucro, mas esse lucro iria pra pagar minhas passagens de ônibus pra escola e pro dinheiro do almoço, isto é, se sobra-se era meu. Coloquei o valor 2x o custo, no olhômetro mesmo, vi que não estava caro nem barato e achei decente, dava R$ 1,00 cada biscoito (ohhh época boa de 2008).

Peguei minhas economias iniciais, comprei ingredientes pra semana e mão na massa. Primeiro dia levei uma bacia de biscoito, tinha uns 30 mais ou menos. Vendeu tudo. Semana inteira nessa, vendeu tudo todos os dias.

Perfeito! Vamos aumentar a produção, segunda semana levava duas bacias, 60 biscoitos, vendeu tudo. Muita gente me procurando e pedindo pra começar a vender trufas também. Passei o pedido pra minha mãe, "trufa é mais caro" disse ela, ok, a gente ajusta o preço.

Comecei a levar trufas e biscoitos, somente a minha turma era suficiente pra dar cabo de tudo, mas algumas pessoas das outras turmas também conseguiam comprar.

Nesse ponto eu já estava levando 3 bacias por dia, 90 biscoitos, conseguia pagar meu ônibus, meu almoço, ostentar comprando lanche (coisa que nunca fazia) e ainda sobrava dinheiro. Mas o 'boom' inicial tinha passado, minha turma já estava "enjoada" de comer, o consumo tinha diminuído, as mães provavelmente estavam brigando com o alto consumo de chocolate dos meninos. Mas tudo bem, parei aí?! Não senhor!

Consegui implementar duas estratégias de venda que se fosse nos dias de hoje teria youtuber vendendo curso online pra lucrar com isso, mas foi apenas ideias ingênuas colocadas em prática.

A primeira foi a mais criativa. Pedi pra minha mãe fazer pacotinhos de mini trufas e mini biscoitos, como se fossem amostra grátis, saindo do meu bolso mesmo. Eu pegava essa amostra, ia na sala das outras turmas no recreio e colocava uma amostra em cada mesa com um bilhetinho falando a minha sala pra o pessoa ir comprar (essa época não tinha wpp e msn era luxo). Cada dia eu invadia uma sala, colocava as amostras e ia embora, esperava pra ver o que acontecia. O CEFET-MG era uma escola muito grande, tem mais de 10 cursos técnicos, 3 turma cada uma, foi uma puta explosão de pedidos, não conseguia atender todos, tinha que fazer lista de pedidos pra outro dia, vendia muuuuuuuuito, comecei a levar 5 bacias abarrotas de chocolate por dia, mais de 100 e eu sempre vendia todos.

Eu praticamente "parei" de estudar, minha mochila antes levada apenas 2 cadernos e um estojo, parei de levar caderno (não usava mesmo, sempre foi muito rebelde em relação a anotação) e minha mochila quase não cabia as bacias, as vezes levava uma na mão no ônibus.

A segunda ideia foi mais de um amigo do que minha. Nossa biblioteca era bem grande e central, era uma das melhores bibliotecas de BH, era bem central e tinha um funcionário que ficava na porta entregando as chaves dos armários e vendo se as pessoas deixavam as mochilas do lado de fora. Acontece que esse cara era meu amigo e cliente, sempre comprava e ficávamos conversando, acabei oferecendo uma proposta pra ele: "te dou 2 trufas por dia e você deixa a minha bacia em cima da mesa e vende as trufas pra quem quiser, você não precisa argumentar e nem convencer, só deixa aqui e quem quiser vc fala o preço e pega a grana, blz?!", ele topou.

Pronto, tinha "criado" um excelente ponto de venda (antes era tudo comigo) e a biblioteca começou a vender muito também, muitas pessoas que não eram alunos compravam, pessoa da graduação e professores. Comecei a pagar esse meu amigo com dinheiro depois que começou a bombar muito e eu comecei a ter que levar mais de 200 chocolates por dia, era algo totalmente desafiador porque eu parecia um ambulante no ônibus, entrava com duas mochilas lotadas de bacias, umas 2 ou 3 em sacolas de supermercado e "bora aprender" na escola. 

Acabei ficando conhecido como o menino da trufa, fiz isso até meu ultimo dia de escola. Aprendi empiricamente que quando tem muita gente atrás do produto você pode aumentar o preço e continuar conseguindo vender, aumentava uns 50 centavos a cada 3 meses e as vendas não paravam, cogitei começar a pagar o meu pai pra levar as trufas pra escola porque a demanda era grande.

Com isso veio muita grana claro, pra um mlk de 16 anos era muita grana, antes eu chorava pra pagar um almoço de 2 reais no bandejão e comecei a ver que podia ir almoçar em restaurantes fora, de 10, 12 reais o prato feito. Fiz isso? No começo sim, comprava o que um adolescente queria, refrigerante, jogos, lanches e, e, e só! Sim, eu não era gastador, sempre fui frugal, desde o início. Comecei a ver o trabalho escravo da minha mãe e comecei a dividir os lucros com ela, estava sobrando mesmo, e lá em casa sempre faltava algo.

Mas ainda entrava dinheiro e comecei a comprar equipamentos de cozinha pra ela, batedeira profissional, formas, moldes, ferramentas. Mas porque aumentei tanto assim? Porque essa aventura de monopolizar (sim, eu basicamente fali a venda de doces da cantina e todos os guerreiros que tentavam vender paçoca e balas na escola) me abriu outras portas.

Veja onde fomos parar: um desses amigos que sempre comia meus chocolates levou pra casa dele e deu pra mãe dele. A mãe dele entrou em contato comigo querendo que eu vendesse em lotes pra ela, sim, ela era uma organizadora de festas e sempre fazia pedidos de doces e comidas pra colocar nas festas. Ela pediu um orçamento inicial e passei pra minha mãe e falei pra ela: "olha, acho que esse pedido vai ser grande, coloca um valor alto pra tirar um lucro bom pra senhora". Passei o lucro achando que ia ser recusado, ela aceitou, pediu 500 no primeiro fim de semana, depois 700, depois 1000! Minha velha agora não tinha mais descanso, época de pedidos de festa a cozinha trabalhava freneticamente! Eu ajudava com formas e embalagem e ela fazia os pontos dos doces e a magia dela, até minha irmã entrou nisso.

Acabou aí, não! Comecei a realizar as entregas dos doces pra cliente e comecei a ver de dentro como era a organização de uma festa, curioso como eu sou fiquei enchendo ela de pergunta e ela me ofereceu um emprego com ela, garçom. Aceitei claro, eu era um adolescente sedento por dinheiro (nem sei porque, mas depois consegui dar um bom destino nele), comecei a trabalhar quase todo fim de semana, fazia 2, 3, 4 festas praticamente de sexta a domingo, comecei a me empenhar muito e ela viu isso.

Vejam só, basicamente um pequeno gesto despretensioso de levar chocolates pra um amigo me proporcionou uma baita experiência e caminhos. Acabei indo trabalhar em diversos bicos de garçom por causa disso e também acabei conseguindo trabalhar full time com eles quando me demiti do estágio. A minha mãe até hoje faz doces pra essa empresa, incentivei ela e a minha irmã a montar uma empresinha de venda de bolos e doces, mas não foi muito pra frente, infelizmente eu não morava mais me casa pra ajudar a impulsionar o negócio. 

Tenho orgulho dessa história e do jeito que ela se desmembrou, se duvidar até hoje sou conhecido como 'menino das trufas' pelos meus ex colegas de turma hahaha.

Achei bem nostálgico lembrar desses fatos, espero que gostem.

TR



sexta-feira, 17 de julho de 2020

#10 - Pensamentos perdidos e Livro Warren Buffett e a Análise de Balanços

Opa, tudo bom?

Comigo está tudo ótimo, mas eu tenho visto algumas variações no meu humor e na minha saúde mental. Desde quando começou a ter essa quarentena eu basicamente não tenho contanto com ninguém, digo uma conversa boa e prazerosa, alguém pra rir e fortalecer uma amizade, até mesmo amizades mais coloridas, já que a minha última foi exatamente antes de decretarem quarentena em SP. 

Todo esse tempo sozinho me forçou a começar a conversa comigo mesmo, coisas que eu não fazia antes. Não é falar sozinho, isso eu já faço a muito tempo, digo me questionar, me conhecer e essas coisas. Comecei a praticar meditação e reflexões e isso me ajudou a passar bem pela quarentena, até mesma quando eu estava com suspeitas do doença e passei 5 dias de cama com febre e agonia (sozinho!). 

Pois bem, recuperado, voltei a trabalhar e planejar mudar de apartamento e a vida começou a melhorar, fiquei animado por estar me mudando e também por ter de volta o contato humano com outras pessoas, nesse caso, os meus colegas de trabalho, mas logo depois um colega que trabalha do meu lado testou positivo para covid e fui afastado por 10 dias, homeoffice dos chatos, basicamente ficar o dia todo preenchendo um .doc ou um excel e respondendo wpp. Acabou que nesses dias eu acabei me sentindo muito pra baixo, muito desmotivado, com aquela sensação de ter vivido NADA em 2020 e que a vida está passando pelos meus olhos, refleti e verifiquei o que eu faço o dia todo além do trabalho e se resume a ler e estudar finanças, ver seriado de comédia e dormi. Isso me trouxe uma angústia tão grande que fico pensando em larga tudo e viver um projeto que tenho a muito tempo: uma viagem de longo prazo, provavelmente mais de 1 ano, famoso ano sabático. Claro que pra fazer isso eu teria que largar o emprego, um bom emprego por sinal, larga todo resto e cair na estrada, lógico que com isso vai embora os aportes constantes e entra o consumo do patrimônio formado.

Apesar disso ir contra toda a minha filosofia de investimento, mas vai muito a favor do que eu quero pra agora. Veja bem, eu já planejava fazer essa viagem, mas daqui uns 6 ou 8 anos, quando eu tivesse um patrimônio sólido, mas acontece que nesse tempo, apensar do patrimônio engordar, eu estaria vivendo com essa angústia e essa sensação de não aproveitar a vida, sem falar que eu vou estar bem mais velho, beirando os 40. Não seria melhor fazer essa viagem agora, enquanto ainda sou jovem e tenho mais disposição?!

Essa semana foi toda nesse dilema, pesquisei muito e a minha "renda passiva" é suficiente pra me sustentar na estrada, sem consumir muito o patrimônio já formado, sem falar que eu não iria viajar agora, iria planejar no minimo por 1 ano, até abrirem as fronteiras de novo. O plano seria parar os aportes (já parei, ta tudo indo pra reserva de oportunidade de novo) e fazer o colchão da viagem e daqui um tempo cair na estrada, a ideia seria consumir apenas a verba da viagem e os meus investimentos de longo prazo continuariam intactos. 

Meu plano com a IF sempre foi criar um patrimônio sólido pra fazer 1 ou 2 viagens foda por ano, mas será que eu tenho que sacrificar uns 10 anos pra isso? Seria uma boa decisão? Sinceramente não sei, tenho um tempo bom aí pela frente pra refletir e pensa nisso.

Sou fascinado por viagem, outras culturas, outras amizades, idiomas, pessoas. Já viajei pro Chile (uma das melhores da minha vida), pra Tokyo (uma das mais prazerosas) e já fiz um mochilão de 25 dias pela Europa (a mais louca), passando por uns 5 ou 6 países. Só de lembra disso me tremo de nostalgia. Pra quem não é de viajar talvez não se identifique muito, mas pra quem é me da uma luz aí nos comentário e me digam o que acha, to ficando doido mesmo?! Hahahaha

Beleza, tirando esse relato pessoal vou dá uma pitada de investimento nesse post, vou dar uma pequena divulgada no livro que li a muito tempo e decidi reler e colocar uns insight no canal, é o livro Warren Buffett e a Análise de Balanços. Fiz uma série de 4 vídeos no canal e vou deixar o último aqui:

Vídeo fala da Análise da Demonstração de Fluxo de Caixa

Esse livro é muito bom, ele é muito informativo, exemplificativo e prático, dá vários insight de como o Uncle Buffett analisa as empresas. Creio que é um dos melhores livros sobre contabilidade pra pessoas bem iniciantes de investimento, isso porque ele explica bem as linhas e só fala do filé de cada uma, onde olhar, o que olhar e tudo mais. 

Mas tem um problema, um porém, aplicar as técnica de Warren aqui no Brasil vai fazer você pegar todas as empresas da bolsa brasileira e reduzir pra um número que cabe apenas em uma mão. Claro que sempre vale uma adaptação aqui, outra ali e você acha várias que poderiam se encaixar. Massssss ele é excelente pro mercado americano, que tem muitas empresas e dá pra achar várias que entram fácil nos critérios dele, muito bom pro pessoal que está começando a investir agora no exterior. As minhas primeiras empresas estrangeiras eu analisei com vies buffetteriano. 

Pra quem não quiser ler o livro (que eu recomendo bem, é pequeno e fácil de ler) tem aí os 4 vídeos, deve dá uns 30 min ou um pouco mais e eles englobam a análise das 3 principais demonstrações: DRE, balanço patrimonial e DFC.

Bem, é isso. Vou ficar aqui com minhas reflexões e aguardo os comentários de vocês. Cheers

TR

quarta-feira, 8 de julho de 2020

#9 - Análise Completa da Porto Seguro - PSSA3

AVISO! Já deixo avisado que esse post será grande.



E aí meus leitores, beleza? 


Eu vou trazer algumas análises de empresas e teses de investimentos que eu tenho na minha carteira, também devo trazer mais pra frente alguma coisa que eu não tenha em carteira e dizer os porquês. Inicialmente essa análise eu ia colocar no canal Escola para Investidores no Youtube, mas como ia ficar um vídeo gigante e ia ser um pesadelo animar ele, então minha preguiça venceu e vou deixar como post. Já deixo avisado que esse projeto começou lá no canal e por causa disso já tem dois vídeos sobre o assunto:

O primeiro vídeo analisa o mercado de seguros brasileiros e ver se ele é bom ou não.

Análise do mercado de seguros brasileiro


O segundo vídeo explica como funciona uma seguradora e quais são as tendências futuras que eu enxergo no ramo.


Entenda as seguradoras e as tendências futuras


Recomendo fortemente que vocês vejam antes de prosseguirem com a análise da que está por vim, isso porque esse inicio de tese de investimento é o que fundamenta em si as diretrizes da análise da empresa. Bem, vamos deixar de enrolar e vamos xeretar o business da Porto Seguro (que vou chamar a partir de agora apenas de PS). Também já deixo avisado que a análise será um pouco longa porque são muitos detalhes, mas também te prometo uma boa análise, porém, não tão profunda, tão técnica. O foco aqui não é inventar nada nem ficar cutucando muitos números, é uma análise simples, descomplicada, mas o suficiente para eu colocar a empresa na minha lista de futuras aquisições ou não. 

Primeiramente, antes de entrar a fundo na empresa eu gosto de ver rapidamente o que a empresa faz (primeiramente, só para conhecer por cima, mais lá pro meio da análise vou aprofundando mais), hoje a PS é a quarta maior seguradora do brasil e é líder em segmento de auto e de residências. 


A empresa tem uma controladora chamada PSIUPAR, que é controlada pela família Garfinkel, com 57%, e também o Itaú, com 43%. Ultimamente eu tenho gostado muito de empresas controlada por familiares ou pelos sócios fundadores, não tenho nenhum motivo pra explicar isso, apenas gosto, parece que a trajetória deles são muito mais bem definidas. De qualquer forma, a questão do controle é tranquila pra mim. Já o Itaú é o banco mais rentável do mundo e já sou familiarizado com ele, ter ele como sócio traz uma vantagem boa e confortável, eu já tive Itaú em carteira e atualmente sou sócio da Itaúsa. Muita gente acha que a PS é do Itaú, leve engano. O free float também é bom e nem precisa focar muito nisso, com 29%.

Olhando de novo essa estrutura acionária do porto seguro dá pra ver que ela não é uma empresa nem um pouco pequena. Olha o tanto de subdivisões que a empresa tem! É seguro de carro, residência, saúde, odontológico, capitalização, vida e previdência, seguros em outro país focada em automóveis, outros ramos financeiros como consórcios e financiamentos, além de muitos outros serviços prestados como zilhões que tem aqui. Veja que interessante, a PS tem a sua própria locadora de veículos e até fornecimentos de peças de carro e seguros de animais domésticos e serviços veterinários. Eu disse que ela era um pouco complicada. Só de olhar isso já dá uma canseira né, hahaha, mas é só lembrar o que eu disse no segundo vídeo, o grosso do lucro vem daquele modelo de negócios clássico de uma seguradora.

Vamos a história da empresa em si, vamos entendê-la, como ela chegou onde está? Acho essa parte importante e aprendi isso em Narrative and Numbers - The Value of Stories in Bussiness.

A história da PS iniciou em 1945, quando começou a vender seguros na cidade de São Paulo. Ela foi fundada por diretores e acionistas do Bradesco. Dá pra ver que é uma empresa antiga, com experiência do mercado, com mais de 70 anos. Entre 1945 e 2003 a empresa veio crescendo comprando outras empresas menores e fazendo a sinergia. Em novembro de 2003, a Companhia ampliou sua presença no mercado de seguros por meio da aquisição da Azul Seguros, que oferece seguro de automóvel, seguros patrimoniais e seguros de vida. Esse daqui foi um dos grandes pulos da empresa, que levou ela pro topo das empresas desse segmento. Em 2004 ela fez o IPO, muito provavelmente pra ajudar a pagar as dívidas da compra do Azul Seguros e também pra se consolidar melhor no mercado. Esse IPO proporcionou a consolidação da governança corporativa, que é um dos requisitos pra se ter uma empresa na bolsa, e possibilitou a expansão da empresa pra fora do território de SP. 



A próxima turbinada da empresa veio no quarto trimestre de 2009, a PS e a Itaú Unibanco Holding celebraram a unificação das operações de seguros residenciais e de automóveis, pelo qual a PS obtém o direito exclusivo para a oferta e distribuição de produtos de seguros residenciais e de automóveis para os clientes da rede de agências (e demais canais) do Itaú. Preciso nem comentar a sinergia que essa parceria deu né. Com a referida associação o Itaú Unibanco passou a deter 30% de participação nas operações da Porto Seguro. O negócio possibilitou que o Itaú e a PS combinem seus padrões de excelência para oferecendo produtos mais adequados para atender os diversos segmentos de mercado, por meio das marcas: Porto Seguro, Itaú e Azul Seguros. 

Veja essas três marcas aí. A estratégia da empresa nos últimos anos quando vai oferecer os seus serviços é segmentar a marca em duas, ou ela vende seguros da PS, que é uma marca mais forte, diferenciada, tem mais nome, um alto nível de serviço e valor agregado, com mais aplicação de tecnologia e tudo mais, ou ela vende a marca Azul Seguros, que é uma marca mais povão, mais simples, preços mais acessíveis, famoso low cost. Mas em ambas as marcas ela sempre põe o nome do Itaú por trás, como se fosse um suporte das duas marcas, isso porque o nome Itaú trás muita confiança e credibilidade.

O bom de você acompanhar o histórico da empresa é que você já vai pegando o feeling dela em relação a inovação e acompanhamento de tecnologia. Não vou colocar tudo bonitinho aqui, mas ao longo da linha temporal da PS vão se verificando várias atuações muito agradáveis para os meus olhos, como a campanha de Trânsito + Gentil, que concede desconto na sua apólice se você não tiver pontos na carteira, lançamento de centros de atendimento rápido de sinistros, revisão dos valores e missão da empresa com os próprios funcionários, criação de startup aceleradora, e várias outras coisinhas. 

Eu gosto muito quando a empresa é detalhista assim, porque te dar a chance de conhecer melhor ela e mostra a dedicação do RI com o minoritário, eles se preocupam e, logo, ganha pontos comigo. Quando uma empresa só tem números contábeis no seu RI a análise fica chata e pesada, você não tem aquela análise subjetiva do negócio, que é muito importante na minha opinião (experimenta dar uma olhada na seguradora Alianças da Bahia). 

Continuando, em 2016 ela fez a aquisição da base de clientes de automóvel da Chubb, uma das seguradoras líderes no segmento Premium Auto e também a compra da base de clientes de automóvel da AIG Seguros Brasil. Isso tudo mostra que a PS chegou na liderança desses dois segmentos atuais graças a aquisições e parcerias certeiras, aliada a uma boa administração. Aqui fica visível que ela tem competência para crescer nos outros segmentos de seguros e subir no ranking de market share fazendo a mesma coisa, já podemos ficar esperando essas notícias.

Em 2017 e 2018 teve aperfeiçoamento dos app Trânsito + Gentil e SOS link e também lançou a campanha “sem sair do sofá”. Tá, ok, gostei do histórico, mas quem é a PS? Cadê aquele retrato que mostra tudo da empresa em segundos, bem, tá bem aqui:


Apesar desses dados estarem um pouco desatualizados (2018), eles não atrapalha o propósito da imagem. Rapidamente já dá pra ver que metade da PS são seguros de autos. Tirando o segmento de auto, a companhia é dividida em diversos ramos diferentes como já vimos e isso traz algumas reflexões.

É realmente vantajoso ser tão ramificada assim?

Eu diria que sim, você está exposto a muitos ramos promissores de crescimento. Claro que cada segmento é diferente, mas isso deixa o seu modelo de negócio mais robusto, mais independente do core business da empresa. Essa sinergia entre diversos ramos trás oportunidades de cross-selling, que são produtos que se auto complementam como o pacote carro + casas, se transforma em uma seguradora mais diversificada, uma one-stop-buy, em que o cliente pode encontrar todos os seguros que necessita diretamente com uma única empresa. Cria mais perspectivas futuras, ganho de escala com sinergias, soluções individualizadas caso necessário, amplia o portfólio do corretor, retém mais o cliente e tudo mais.

Veja que essa expansão da linha de negócio é algo vantajoso, mas não é uma implementação fácil, o crescimento é bom, mas você, como investidor, precisa focar no longo prazo para conseguir surfar esse crescimento, esses outros segmentos vão crescer, mas o auto ainda vai mandar na empresa por um tempinho. Um exemplo parecido é a participação do Itaú dentro de itausa, ainda vai demora um bom tempo pra eles se descolarem. 

Mas os resultados são agradáveis, sendo que o segmento auto já saiu de 61% da receita total para 56% de 2013 até 2018. Além dos diversos crescimento de market share em todas as outras linhas de negócios.

Tá, ok, mas qual é a desvantagem disso tudo? A desvantagem é que você perde atenção do seu core business, a companhia deixa de ser uma empresa só de auto, você tem o risco dos outros segmentos não darem certo, terem margens menores, puxarem os resultados pra baixo e diminuindo a rentabilidade ao todo. É sempre uma questão de risco-retorno, você pode ficar no seu parquinho onde você manda e se consolidar cada vez mais ou você pode ir lá brinca no parquinhos dos outros e talvez se machucar OU ter uma diversão muito melhor. 

Mas isso tudo é apenas baboseira, to apesar tentado dar uma visão geral de qual é a diferença entre uma empresa focada no seu core business e outra que tenta ser mais diversificada. Cada um tem seus prós e contras. Por exemplo, a empresa Odontoprev é uma empresa de seguros exclusivamente de odonto. 

E qual é a estratégia da empresa? Como ela atua? Nessa parte o primeiro destaque que eu puxo é pro foco no varejo, em pessoas físicas (PF) e em pequenas e médias empresas (PME), tentando sempre pulverizar o risco. Claro que se a empresa focar em grandes corporações ela tenha um número de clientes maiores, mas isso deixa a empresa um pouco dependentes desse clientes, o que é um risco. Isso é importante de pontuar. 


Outro destaque que trago é o foco ao atendimento e relacionamento com o cliente e com os corretores, o que me agrada muito também, pois manter o seu cliente ou o seu vendedor satisfeito é muito importante pra longevidade do negócio, pra retenção de cliente e para fortalecimento da marca. A questão do atendimento individualizado agrega muito valor também. Muitos aqui devem saber que o cliente é o ativo mais importante da empresa e dar essa representatividade de valor é uma base forte pra muitas empresas.

Ela ainda destaca muitas outras estratégias mas eu dei um realce nas que eu me identifico mais. 

Pois bem. A análise até aqui foi em cima do modelo de negócio da empresa e vimos o potencial da empresa de crescimento pro longo prazo. Vimos que as perspectivas são boas, o mercado é favorável, a empresa é boa e tem foco no cliente e em inovação, em ganhar mercado, em explorar outros nichos. Vamos então pros números dela.

Mas vou ficar devendo a segunda parte dessa análise no próximo post. Acontece que esse post vai ficar extremamente grande se eu colocar tudo junto então resolvi colocar essa pausa no meio. Lembrem-se que isso é um estudo pessoal e estou expondo ele aqui apenas como forma de compartilhamento de aprendizado meu e dos leitores, em nenhum momento quero fazer uma indicação ou recomendação (gosto de ter essa back-up das minhas análises pra daqui uns anos quando quiser consultar, além de ficar mais organizável e apresentável). 

Então é isso, fico por aqui, obrigado a todos que conseguiram ler até aqui e se realmente gostarem desse tipo de post eu trago com mais velocidade o próximo, se manisfesta aí nos comentários. É isso é tchau!!

TR

quarta-feira, 1 de julho de 2020

#8 - Fechamento Trimestral - Abril/Maio/Junho de 2020

Fala meus caros, tudo bom?! Vamos para mais um fechamento trimestral porque o acompanhamento não pode parar.

Esses 3 meses foram bem tranquilos em questão de investimentos, não movimentei muita coisa além dos aportes básicos já programados e da estratégia de rentabilidade com opções. Aportei mais um pouco em Urânio, vendi um pouco de bolsa por motivos de aumentar minha reserva de oportunidade e diminuir um pouco meu risco em algumas small caps e também dei uma engordada a mais na minha reserva de emergência. Nada muito alarmante.

Vamos a alguns números:

Abril/2020
Rentabilidade da carteira: +12,43%
Aporte: R$ 4314,80
Estratégia de Opções: +R$ 257,87
Renda Passiva: R$ 70,77
Comprei URNM, SQIA3, alguns bancos e UCAS3, vendi FRAS3 e VULC3

Maio/2020
Rentabilidade da carteira: +7,60%
Aporte: R$ 10.437,42
Estratégia de Opções: +R$ 128,01
Renda Passiva: R$ 0,00
Comprei HURA, SQIA3, e vendi CEAB3, MYPK3, PRIO3 e PETR4

Junho/2020
Rentabilidade da carteira: +6,34%
Aporte: R$ 738,06
Estratégia de Opções: +R$ 505,80
Renda Passiva: R$ 61,92
Comprei HURA e vendi GOAU4, JHSF3, DIRR3, TRIS3, RAPT3, PRIO3, CARD3.

Esse mês de junho reduzi um pouco minha exposição as construtoras porque elas acabaram subindo muito e ultrapassaram o meu limite e o mesmo caso com CardSystem. O aporte desse mês foi baixo para os padrões pois estou de mudança e basicamente montando um apartamento do zero, então segurei o salário para comprar móveis e já estou com metade deles comprados, o aporte de julho deve ser influenciado também.

Sobre o mercado minha cabeça está mais para continuar fazendo caixa caso a bolsa continue dando esticadas para cima e restituir minha reserva de oportunidade que foi quase toda gasta em março. Para quem não sabe em março naquelas queda toda eu aportei aproximadamente R$ 33.000,00 que eu tinha em reserva de oportunidade e agora estou formando ela de novo, atualmente com 12k. Além disso, sigo comprando aos poucos oportunidades que aparecem de empresas que julgo boas.

Sigo cagando para as notícias do mercado em geral, sendo influenciado o mínimo por notícias ou política. Já cansei de ver notícias de coronavirus e corro toda vez que vejo algo parecido com isso. Sigo sonhando em viajar (só porque eu não posso hahaha) e desejando visitar a minha família para ter um pouco de ar nesse isolamento maldito.


Como podem ver, até fevereiro eu consegui me manter acima da minha meta de 1% a.m., mas o Covid acabou invertendo a ordem dos patrimônios e o projetado ganhou uma boa vantagem até agora, mas isso são apenas emoções do caminho, continuo muito confiante, meta mantida ainda em março de 2027. 

Resumindo: três meses sem muito alarme, sem muita emoção (por minha parte, o mercado parece uma criança com bipolaridade no choro), com aportes bons e acima do que eu consigo fazer (fruto de economia de custos) e boa rentabilidade, com tranquilidade e leveza.

TR

terça-feira, 23 de junho de 2020

#7 - Mudar não está sendo fácil

Fala pessoal, vou compartilhar um pouco da minha sofrência pra conseguir me mudar pra um ap de 42 m² para morar sozinho, tá sendo bemmmm difícil.

Primeiro estresse foi o primeiro Ap que tentei alugar. Um apartamento no centro do meu bairro, 2 min a pé do meu trabalho, bem localizado em relação a metrô, mercado, bares, civilização, tudo, mas era um apartamento velho e carinhosamente apelidado de acabadinho. Acontece que quando eu visitei esse apartamento eu tinha gostado, na verdade estava mais atraído pela localização do que pelo imóvel e então decidi fecha. Acabei fazendo algumas exigências pra eu alugar, como colar os tacos do chão que estavam saltando pra fora, consertar a campainha e um vidro de janela quebrado. 

O dono disse que ia resolver tudo e acabou enrolando, e o que eu tinha mais interesse que era o chão ele empurrou pra frente. Nesse tempo o contrato chegou na minha mão e eu vi o relatório da vistoria e vi que não tinha visto o número de tomadas da casa. Sim, acabou que cada comodo tinha apenas uma tomada. Exatamente, uma tomada pra cozinha para se colocar máquina de lavar (era um puxadinho), geladeira, microondas, fogão e talvez um liquidificador de vez em quando, UMA TOMADA.

Meu espírito de engenheiro elétrico voltou pra mim e eu vi o dano que aquilo ali podia fazer, sem fala que a fiação da casa era velha e o quadro de energia totalmente destruído. Reclamei com a imobiliária e com o dono, atentando ao fato que qualquer dano ao móvel por motivos de curto circuito era responsabilidade minha. O dono rebateu falando que era só usar 'direitinho', sem agrupa muita coisa. 

Bem, pra mim essa bomba não era minha, sem fala que eu estava insatisfeito com outras cláusulas do contrato. Fui pra outro ap, um mais novo, reformado, pintado, parte elétrica zerada, mesma metragem e muito melhor, só tinha um porém: a localização. Ele fica a 20 min andando para o meu trabalho e não tem metrô perto, nem supermercado e outros facilitadores. 

Estava precisando mudar de ap rápido pois o prazo do que eu estou atualmente está acabando, então me dei por satisfeito e fechei o contrato. Agora vem os problemas pós contrato: 

Problema 1: Eu trabalho em horário comercial de 8h-17h e para eu começar a me mudar tinha que ter pelo menos luz lá. Liguei pra Enel para pedir pra religar e eles religam em 3 dias úteis, no horário comercial, com o titular da conta (vulto eu) presente. Isto é, não dá! Além de eu não saber quando eles vão, eu também não consigo está lar porque eu trabalho e o meu trampo é meio inflexível. Ainda estou vendo como vou religar a luz, mas já se passou 1 semana e nada.

Problema 2: O prédio é um predinho de 4 andares e o meu fica no quarto, só tem escadas. A escada do térreo para o primeiro andar é estreita, isto é, alto risco de não passar alguns móveis, as marcas de arrasto na parede entregavam isso. Conversei com o zelador e ele confirmou: não dá pra subir cama de casal box, que é exatamente a que eu tenho e que eu comprei com menos de 2 meses. Além disso, agora estou com medo de não subir o sofá que comprei também =S.

É, tá bem complicado. Tenho menos de 1 semana pra mudar, não consegui ligar a luz, sem luz não consigo colocar internet. Alguns móveis não vão subir e pra completar só pode fazer a mudança em dia de semana em qual horário? Comercial!

Daqui algumas semanas eu atualizo vocês dos episódios dessa novela. Estou pensando em fazer um post também sobre gastos de alugar e morar sozinho em um bairro bom de SP e os custos da mudança.

Por hoje e isso, vou continuar na minha saga aqui que ainda falta alguns móveis, acabei de comprar geladeira e microondas, falta fogão, uma mesa e as coisinhas de cozinha pra se ter um ap basicão.

TR

#13 - Custo de Vida para Morar em SP Sozinho

Fala galera, beleza? Hoje vou tentar mostrar quanto que precisa pra morar na Zona Norte de SP e qual é o custo de vida dessa localização. Se...

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