sexta-feira, 16 de outubro de 2020

#21 - Meus Investimentos em Milhas - Lucrei mais de R$ 30 mil

Fala Galera, beleza?

Esses dias eu estava visitando os blogs dos amigos daqui da finansfera e me deparei com um que estava começando os investimentos em milhas (desculpe, não lembro quem era) e acabei postando nos comentários o que eu achava do mercado e mais alguns detalhes. No fim ele me propôs falar um pouco sobre o assunto e decidi fazer esse post explicando toda a minha trajetória nesse investimento e o porque eu sai, mesmo lucrando muito com isso. 

Antes do tudo, o que é investir em milhas?

Sabe milhas aéreas? Aquela que o pessoal fala que viaja de graça porque ganhou tantos pontos no cartão de crédito, pois bem, essa mesmo! Milhas são basicamente usadas para se comprar passagens aéreas sem a necessidade do dinheiro, é um mero substituto. Investir em milhas nada mais é do que comprar essas milhas barato e vender caro, nada muito diferente do que algumas pessoas pensam da bolsa de valores.

Pra se conseguir milhas há poucos caminhos; ou você gasta muito em um cartão de crédito que tem essa "vantagem" de converter seus gastos em pontos e depois esses pontos em milhas aéreas; ou consegue ganhar as milhas diretamente viajando com as companhias de aviação; ou pode comprar ela diretamente com as próprias emissoras de milhas, como Smiles ou Multiplus. 

A questão central no investimento de milhas é que há uma disputa no mercado para que você traga seus pontos do cartão de crédito para certa companhia de voo. Se você tem um banco qualquer, seja, Itaú, Santander, BB, Bradesco ou qualquer outro você pontua nele e as empresas de aviação querem que você gaste esses pontos nas viajem deles, assim, há um incentivo para que você transfira seus pontos pra Azul, Gol (Smiles), LATAM (Multiplus) ou Avianca (falecida já hehe). Essa disputa por clientes faz com que essas companhias citadas façam promoções de transferência e, nesse ponto, algumas são muito vantajosas e é aí que lucramos.

Por exemplo, você tem 10 mil pontos no Banco do Brasil e quer usar eles pra viajar, a Smiles oferece que se você transferir esses pontos do BB pra milhas Smile  e você ganha um bônus de 100%, isto é, transfere 10 mil e ganha mais 10 mil, totalizando, no final, 20 mil milhas Smiles. A sacada da companhia é que uma vez que seus pontos estão na Smiles você só consegue "comprar" voos da Gol, da mesma forma que são as outras companhias, então quanto mais agressivo é essa promoção mais voos a Gol vende no final. 

O investimento começa comigo comprando pontos em algum cartão de crédito de alguma forma, espero alguma promoção boa sair, transfiro os pontos com bônus embutido e depois vendo as milhas, auferindo o lucro no final.

Como que eu investi? 

Eu decidi comprar milhas pela Livelo, basicamente a empresa de pontos do Banco do Brasil e do Bradesco se não me engano. Eu assinava o Cluve Livelo 20000, que me dava 20 mil pontos por mês pelo preço de R$ 649,90, mas nessa época tinha o bônus por assinatura também, que ganhava mais 20 mil pontos distribuídos ao londo de 1 ano de assinatura. 

E a empresa que decidi vender a maioria das milhas foi a Smiles, então assinei o Clube Smiles 1000, apenas pra ser Clube Smiles e poder ter direito ao maior bônus nas transferências. Eu pagava R$ 42 por mês e tinha direito a 1000 por mês mais 7000 milhas por bônus de assinatura. 

Depois disso era só ir acumulando e pagando as mensalidades até vim uma promoção da Smiles de transferência. Eu escolhi ela justamente porque ela é a que oferece os maiores bônus e as promoções mais frequentes também. A livelo também tinham ótimas promoções que eu podia comprar pontos com eles com 40 ou 50% de desconto. Conseguia comprar o milhar (mil milhas) por 35 reais cada, enquanto que na assinatura da Livelo o milhar saia por volta de R$ 30.

Geralmente eu só pegava promoções de 100% ou 120% de bônus, depois ia na Maxmilhas e vendia (tem outras companhias, mas a Maxmilhas era a mais fácil e com os melhores preços).

No começo vendia cada milhar por R$ 23 reais, o que eu transferia eu já tentava vender, aquela ansiedade de querer ver o dinheiro entrar porque por meses só vi saindo. É só fazer as contas, pagava por volta de R$ 30, pegava promoções de 100% a 120%, então meu preço-médio por milhar era por volta de R$ 15 ou menos e depois vendia por 23, é uma rentabilidade muito boa de mais de 50% em alguns meses. 

Só que teve dois fatores que fizeram eu dar um "boom" melhor ainda. Primeiro, cada conta da Livelo era um CPF e cada conta da Smiles também, pra ter mais pontos eu teria que ter mais CPF, então fui nos caras que moravam comigo na época e ofereci um rodizio de sushi grátis se eles abrissem uma conta na Livelo e fizessem a assinatura de 20000, mas eu que pagaria claro. Fiz isso com 3 amigos e fiquei no total com 4 contas, gerando 80k pontos por mês o que dá por baixo 160k milhas por mês. Isso aumentava o número de milhas que eu conseguia vender e consequentemente a quantia que lucrava.

A segunda melhora era porque eu estava vendendo passagens baixas, de 20 milhar até 50 milhar, que são passagens dentro do Brasil. Quando eu comecei a acumular mais vi que se eu vendesse em maiores quantidades o valor do milhar subia muito. Então comecei a vender passagem só acima de 100k, que são as internacionais, e por incrível que pareça elas eram vendidas quase que instantaneamente, poucas pessoas vendiam acima dessa faixa, daí o preço por milhar ficava em 28 ou 29 reais.

Além disso tudo, eu tinha no meu cartão uma despesa de 2800 reais por mês, que me geraram mais alguns pontinhos bons. Outro grande lucro também era vender por fora, eu morava em um alojamento da faculdade que tinha alunos de todo país, nas férias todo mundo voltava pras suas respectivas casa e eu vendia a passagem pra eles. Ele me dizia qual queria e eu ia e comprava e depois me transferia o dinheiro. Isso dava um lucro muito maior, coisa de 30 a 40 reais o milhar porque eu que decidia o preço da passagem, basicamente olhava a passagem mais barata por dinheiro e aplicava um belo de um desconto e eu ainda saia muito na vantagem

Resumo da ópera, fiz isso por um pouco mais de um ano, vendi mais de 2,5 milhões de milhas. Gastei mais de R$ 45 mil reais pra comprar as milhas e faturei mais de R$ 75 mil. Em um pouco mais de um ano lucrei mais de R$ 30 mil pra um trabalho pífio, simples, sem desgaste nenhum. Não tinha estresse, era menos de 20 min por mês se duvidar, a única coisa que precisava era pagar as mensalidades e assinar o email list pras promoções. Sempre pipocava promoção de 60% e 80%, mas eu tinha feito um estudo antes e vi que sempre tinha a cada 2 ou 3 meses promoções de 100% ou mais, então era só esperar.

E isso porque contabilizei apenas as milhas que vendi, eu até hoje tenho milhas na minha conta pessoal, uso elas pra converter em Uber Cash e uso no Uber ou Uber Eats, além de ter pago várias passagens pra minha mãe rodar por aí. O motivo que não gastei mais em passagens é simplesmente porque não vejo vantagem, viajo pouco pelo Brasil e geralmente de ônibus, passagens de avião com antecedência sai mais barato por dinheiro do que por milhas. 

Mas porque eu não continuei? Porque parei de comprar milhas pra vender?

Simples! Porque o mercado sinalizou que o cerco ia fechar. A Smiles não ligava pra esse comercio secundário, mas a Multiplus sim, ela era uma defensora apenas do uso pessoal da milha, isto é, minhas milhas não podem ser usadas para outras pessoas. Eu já sabia disso quando entrei e também foi um dos motivos de ter escolhido Smiles e não Multiplus. Um pouco tempo depois a Multiplus lançou uma politica que não podia comprar passagens pra outros CPF e a Smiles sinalizou que iria seguir esse caminho também. Eu já fiquei esperto e diminui o número de mensalidades, parei de pagar as 3 contas extras e fiquei só com a minha. Uns meses depois a Smiles fez com que a partir de uma data X cada conta só poderia comprar passagens pra outras pessoas para apenas 10 CPFs diferentes por ano, eu vendia pra mais pessoas do que isso por mês, então nesse aviso eu já cancelei meu plano e "pulei" fora do mercado.

Pouco tempo depois eles atualizaram o sistema e facilmente bati o limite de 10 CPFs e fiquei com as minhas que eu tinha lá até então sem possibilidades de vender, conseguia usar comigo e com um amigo que sempre comprava comigo e o CPF dele já estava entre os 10. Esse foi o motivo porque eu parei e acho que parei no momento certo, sobrou umas 200k milhas pra mim (não contabilizadas nos cálculos) e uso elas desde então, basicamente ando de Uber e peço Uber Eats "de graça" a uns 2 anos hahah.

Outro motivo que acho que investir em milhas agora é furada é simplesmente o momento atual. Há poucas viagens acontecendo, poucos voos, poucas milhas pra serem compradas, não sei nem quanto deve ta o preço na Maxmilhas mas deve ter caído muito, não lembro ao certo mais acho que alguém tinha me dito que estava menos de 20 reais, cruzes! 

E aí, o que acharam desse tipo de investimento diferente? Como eu já disse por aqui eu já testei de tudo e avalio se eu gostou ou não hehe. Acho que o post ficou grande mais da pra matar a curiosidade da maioria dos leitores, qualquer dúvida já manda um comentário ai.

TR

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

#20 - Tese do Urânio - Porque o preço deve/vai subir?

Fala galera, beleza?

Voltando pra continuar as explicações do famigerado investimento em urânio, pra quem não viu os posts iniciais é só clicar aqui ou aqui.

Bem, como o título já informa, nesse post vou falar do porque o preço deve/vai subir, meio que uma continuativa das narrativas históricas dos acontecimentos do post anterior do porque o preço está baixo.

Mesmo história de novo, oferta e demanda, quando você tem poucos produtores, poucos mineradores e do nada o mercado exige mais urânio isso significa que a demanda aumenta, que aquele recurso é mais requisitado no mercado e, por isso, o preço tem que aumentar. De novo é a dinâmica de ciclo de mercado de commodities, mas a diferença é que quando a demanda sobe tão forte que a oferta não consegue acompanhar os preços explodem, então vamos ver porque a demanda deve aumentar tanto assim.

Fato nº 1 - A produção de urânio está sendo mitigada

Como eu já informei no post passado, as mineradoras, aquelas que ainda estão em jogo, estão trabalhando em regime de prejuízo na extração do urânio (basicamente só uma empresa consegue "ter" lucro). O preço de toda operação é por volta dos USD 40, mas o preço do urânio está atualmente em USD 30. Operar no prejuízo é o mesmo que falar pras mineradoras pedirem falência ou deixarem de produzir. É o caso da empresa Cameco, a Top 2 do setor e dona da maior mina de urânio até então (McArthur River Uranium Mine, responsável por 13% do mercado mundial), ela desativou algumas minas alegando que não vai produzir mais até que o preço volte a patamares aceitáveis, se não me engano ela colocou no fato relevante dela que esse patamar era acima de USD 50. 

Antigamente a Top 1 do mercado não ligava pro preço baixo, dizia que quanto mais o preço baixasse mais ela iria produzir pra compensar, mas meus amigos, isso é papo de quem tem o menor lift cost do mundo né. Mas o curso do rio mudou pra eles, de 2019 pra cá eles mudam esse pensamento, a Kazatomprom (nome da empresa Top 1 do setor) seguiu os passos de sua companheira concorrente e anunciou o mesmo, que não fecharia contratos até o preço ser digno. Logo, se as 2 maiores empresas não produzem porque não querem (e elas tem fôlego financeiro para se manterem até o preço se ajustar) e as outras de menor porte podem até produzir mas terão prejuízo com isso então só resta uma saída do preço, subir! (aquele papo todo de que não tem produção e tem demanda)

Fato nº 2 - O ciclo do urânio

O ciclo do urânio, isto é, o tempo que ele leva pra ser retirado da mãe natureza e chegar dentro de um reator nuclear, não é nada pequeno, são aproximadamente 2 anos. O que isso significa? Significa que se eu fecha um contrato hoje pedindo urânio eu sou vou receber ele daqui 2 anos! Não é que nem minério de ferro, cobre, petróleo que tem ciclos muito mais baixos, é completamente o oposto e isso traz junto uma logística muito maior e uma elasticidade no preço maior ainda. Esse gap de 2 anos entre a mineração e a produção da energia pode causa um forte descasamento entre a oferta e demanda, pois a oferta estará defasada 2 anos da demanda, causando um maior esticamento do preço quando ocorrer.

Fato nº 3 - A dificuldade de entrada de players

O mercado de urânio é algo extremamente fora da realidade de um mercado normal, é a parte, totalmente descorrelacionado do resto do mundo. Mesmo que os preços subam muito é extremamente penoso pra uma empresa querer aproveitar essa onda, a barreira de entrada no setor é gigantesca, necessita de um puta investimento inicial apenas pra iniciar a mineração, lembra das minas desativadas pela Cameco que eu comentei? Só pra reativar ela já é custoso porque mesmo já tendo toda a estrutura e o mapeamento da mina, ainda sim precisa de um investimento grande pra dar motivação pra iniciar a operação, e isso só é possível com preços altos, de novo. 

Além disso, empresas novas precisam além de toda tecnologia, todo know-how, todo o investimento ainda precisa do principal: a mina. Não se achar minas facilmente ali na esquina, além de ser um setor muito burocrático e regulamentado. Então meus amigos, a preocupação de que empresas novas entre pra aproveitar essa "festa" de preço alto do urânio é muito baixa, fazendo o setor mantenha poucas empresas operando, tendo uma baixa aceleração na oferta, não acompanhando o crescimento da demanda e quanto maior essa diferença, maior o preço.

Fato nº 4 - O comprador está cagando pro preço

Um dos grandes charmes desse mercado é que o comprador (as usinas nucleares) estão cagando e andando pro preço do urânio. Você sabe quanto custa pra construir uma usina nuclear? Custa mais de 15 bilhões! 
Primeiro, porque construímos usinas nucleares? Porque elas produzem energia elétrica barata, limpa, estável e segura, sim, não vou entrar no papo ambientalista aqui, mas a energia nuclear é a mais segura de todas, é aquela que produz a energia mais estável, é aquela com menor impacto ambiental, sonoro ou do tipo e, além disso tudo, é barata quando comercializada. Então para produzir essa delícia precisamos apenas de duas coisas: a usina e o combustível. 

Além disso, depois que uma usina começa a operar e o núcleo já está quente, é extremamente penoso desligar ele por falta de combustível. A informação importante aqui é: a usina não pode ficar sem combustível e o combustível é extremamente barato quando se analisa os custos totais. Um reator gasta por volta de 500 mil libras de urânio por ano pra funciona, isso, no preço atual de USD 30 da algo em torno de USD 15 milhões por ano, agora extremamente barato considerando o investimento. Simplesmente a usina não liga pro preço, ele pode quadruplicar que não faz diferença dentro da DRE, não afeta quase nada, não faz cócegas, os outros custos são muito mais relevantes, uma usina gasta mais com advogados do que com o próprio combustível.

É o mesmo que você andar de carro com a gasolina custando 1 centavo! Os outros custos (manutenção, IPVA, seguro) são tão mais relevantes que se a gasolina for pra 4 centavos não traz grande impacto pra você.

Fato nº 5 - A demanda vai aumentar

Beleza, tudo isso que eu falei é muito lindo e tal, mas pra que toda a mágica ocorra a demanda de fato tem que aumentar, e porque aumentaria? 
Simples, porque o mundo está construindo usinas desenfreados. Toda aquela qualidade que já citei da energia está fazendo pressão nos governantes que estão inclinando totalmente pro lado nuclear, aquele medo do famoso desastre nuclear e todo mundo pegar câncer está sendo substituído por "vamos construir que é a única saída". Pra ter uma ideia o Bill Gates é um dos grandes apoiadores da energia nuclear, e só pra provar que ele está comprometido em 2019 ele levantou 1 bilhão pra investir no setor e também investiu do seu próprio dinheiro outros 1 bilhão. Peter Fell, fundador da Paypal, também está investindo.

Aqui nessa parte eu teria que entrar mais a dentro das outras matrizes energéticas, não vou fazer isso, vou só mostrar o "boom" de usinas que estamos tendo: 11% da matriz energética mundial é nuclear, 20% da matriz dos EUA também, no brasil são apenas 3%, na frança são 77%, 25% na Inglaterra, 25% na Russia. Mas a surpresa mesmo do crescimento é a China, que tem 4% hoje e quer chegar a 20% até 2030. O japão é outro com objetivo de chegar a 20%. É um mercado completamente em crescimento. Mas isso vai além de só querer, muitos usinas já estão sendo construídas, a China é a que puxa tudo, estão em construção mais de 23 usinas, na Russia, 10, na Índia, 7, no Japão, Paquistão e outros, 2, até o Brasil entra nessa querendo construir mais uma usina pra nós XD!

Em 2011 tínhamos 440 reatores nucleares pelo mundo, hoje temos 450 e o mercado ficaria animadinho se amanhã brotasse 460, mas atualmente estão em construção ou em planos de construção mais de 50 reatores!

A demanda vai aumentar! Vai aumentar simplesmente porque estamos produzindo usinas que vão necessitar de combustível e o urânio é o único, vai aumentar porque os países estão com planos aprovados pra construção de usinas para melhora a matriz do país, somos cada vez mais eletrificados, cada vez há mais equipamentos elétricos e menos outros. Quer um exemplo? A expectativa é que 2040 a maioria dos carros vendidos já sejam elétricos, nosso consumo sempre está aumentando e sempre exigimos maior qualidade, estabilidade e menor preço.

Fato nº 6 - Está acabando o estoque

Pois é, além disso tudo que já falei do porque os consumidores finais iriam comprar mais produtos ainda tem o fator estoque. O estoque das usinas que estão operando atualmente está acabando, simplesmente isso, geral vai ficar sem gasolina. A maioria dos contratos acabam em 2022 e 2025 e, como eu já disso, a usina não vai parar, esses contratos tem que ser renovados, França não vai perde 77% da sua matriz energética por causa de falta de urânio, nem mesmo a Inglaterra, a Russia ou muito menos a China. 

Outro exemplo forte: o estoque atual dos EUA é de apenas 5 anos! Sim, se em 5 anos os EUA não comprarem urânio 20% do seu país apaga! Mas de novo, não se compra urânio simplesmente indo no supermercado, não é assim que funciona, há sim estoques/vendas pequenas que servem pra corrigir eventuais gastos de produção que é o mercado spot, mas para que daqui 5 anos os EUA queiram ter combustível nuclear para continuar operando eles tem que compra no MÍNIMO 2 anos antes. 

E como eu já falei, o preço é irrelevante pro comprador e ele necessita comprar, ele vai comprar independente do preço que esteja, igual aconteceu em 2006, onde o preço chegou a USD 140. 

Não há outro caminho, a oferta está baixa, as mineradoras se recusam produzir mais, mineradoras novas não podem entrar no ramo porque a barreira de entrada é insana e mesmo assim não vão lucrar, o urânio não sai de outro lugar a não ser das minas e somado a isso temos uma visível demanda crescente, com países construindo usinas e aderindo a projetos de longo prazo com foco na energia limpa. É uma tese complexa? É, mas são tantos fatos a favor que fica muito difícil ignorar a magnitude da situação. A grande pergunta não é se vai ou não aumentar, porque isso é fato! A grande pergunta agora é QUANDO vai aumentar.

Ufa! Acho que já tá bom, ainda ter outras coisa perdidas nas minhas pesquisas favorecendo o lado da demanda mas acho que já tá bom pro tamanho do post. Já me adianto e deixo um alerta, onde há grandes chances de valorização há grandes riscos relevantes (caralho! parafraseei o tio Ben kkkkkkkkk). No próximo post vou tentar trazer os grandes riscos desse investimento e também um pouco da assimetria que esse ramo propõe, é o famoso investimento convexo, anti-frágil, conceito lindo popularizado por Nassim Taleb. 

Fico por aqui e até mais.

TR

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

#19 - Fechamento Trimestral - Julho/Agosto/Setembro de 2020

Fala meus lindos, mais um fechamento trimestral e mais um passo pra essa IF antecipada que almejo.

Mais 3 meses tranquilos na minha visão em relação aos investimentos, mesmo eu tendo quase tudo que possuo em renda variável não me abalo pelo vai e vem da bolsa brasileira ou da bolsa americana. Tive uma boa movimentação de compra de ações devido ao exercício de algumas opções, mas tudo dentro do plano e da estratégia já traçada por mim. Pretendo, depois que acerta as porcentagens objetivo que almejo em algumas ações, garimpar algumas small caps ou fazer mais alguns aportes na tese do urânio.

Vamos aos números:

Julho/2020

Rentabilidade da carteira: 8,39%
Aporte: R$ 4.100,00
Renda de opções: R$ 1.010,23
Renda passiva: R$ 213,57

Agosto/2020

Rentabilidade da carteira: 2,48%
Aporte: R$ 5.000,00
Renda de opções: R$ 662,20
Renda passiva: R$ 575,72

Setembro/2020
Rentabilidade da carteira: -4,92%
Aporte: R$ 6.933,07
Renda de opções: R$ 2.535,55
Renda passiva: R$ 998,02




Em setembro tive umas 5 opções (PUT) exercida e algumas deram excelente lucros e entraram de mão cheia na carteira, por exemplo, comprei Localiza (RENT3) vendendo PUT e logo após o exercício dessa PUT a ação subiu coisa de 20% devido a notícia da compra da Locametica (LCAM3). Porém é evidente que isso é pura sorte, é um caso a parte. Posso falar de outra aquisição que foi vendendo PUT e fui exercido pra comprar ITSA4 por 9 e pouquinho e hoje a ação está R$ 8,84. Esses movimentos de curto prazo eu nem ligo, posso contar vantagem, posso contar prejuízo mas é mais por querer viver no presente e aproveitar o processo. O resto da carteira segue em ritmo normal como planejado.

Sigo cagando pras notícias como sempre e fazendo as minhas análise de leve e fazendo acompanhamento de algumas ações pois acabei não lendo nenhum release esse ano ainda, geralmente não corro pra ler os relatórios, não estou sedento por números ou resultados, eu leio apenas quando estou com vontade e apenas pra me manter atualizado. Meu objetivo na verdade seria ler apenas o relatório anual de cada empresa que tenho, mas como sou muito fominha de investimento acabo não resistindo e dando uma lidinha nos que sai no meio do caminho.

Sigo também dando aula de investimentos para alguns conhecidos e amigos, é muito interessante você testar o seu conhecimento ensinando eles e também ver a diferença de uma pessoa instruída financeiramente de uma que não mergulhou nesse campo. É realmente muito gritante e causa uma impacto forte na vida de qualquer um.

Em livros estou relendo o Iludidos pelo Acaso de Nassim Taleb e o One Up On Wall Street do Peter Lynch pra fazer vídeos sobre esse livros no meu canal no Youtube. Como são livros que trazem bastante detalhe e conhecimento então cada um deve gerar aí uns 2 ou 3 vídeos. É incrível como gosto do jeito de Taleb escrever e relendo o livro dele eu já fico me planejando querer reler daqui 1 ou 2 anos.

Algo interessante de se notar é que a renda que tive dos investimentos em setembro foi maior do que o meu custo de vida, ohhh Yeahh! Meu custo gira em torno de 3 mil a no máximo R$ 3 .500 por mês e nesse último mês tive R$ 3.533,57 de renda. Claro que a maior parte foi com opções e a renda passiva veio bem gorda também, mas é legal ver meu objetivo se aproximando cada vez mais, isso já me traz uma segurança tremenda de a partir do ano que vem poder sair do meu trabalho a hora que eu quiser e poder "viver" de renda de investimentos, colocar meus planos de viajar em pratica e tudo mais.

Esses últimos meses comprei mais um pouco de SQIA3, WEGE3 e algumas empresas de urânio, vou começar a fazer a "reserva da multa" que é o dinheiro que vou deixar reservado pra pagar a minha multa quando sair do meu emprego (estou mirando meio do ano que vem, mas planos são planos e podem mudar a qualquer momento).

E é isso, próximo fechamento vai ser o fechamento duplo, trimestral + anual hehe

TR

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

#18 - Tese do Urânio - Porque o preço está baixo?

Olá meus amigos, vou continuar escrevendo um pouco mais sobre a tese do urânio, como vou fazer mais alguns aportes eu fiquei com vontade de destrinchar mais sobre essa tese e reforçar ideais que tenho e ir atrás de visões que não tenho, entre outras coisas e creio que escrever sobre ela atraia mais insights e discussões sobre o tema. 


Pra quem não viu o primeiro post é só clicar aqui.

Esse é o primeiro de uns 3 ou 4 post sobre os principais temas da tese de investimento em urânio, nesse post vou falar o porque o preço está consideravelmente baixo, nos próximos vou falar porque ele deve/tem que subir, no outro vou dizer porque é uma oportunidade tão única, assimétrica e tentar descrever os riscos e no último (talvez) vou falar como investir e as dar noções de algumas empresas do setor.

Vamos ao foco então desde post: Porque o preço do urânio está tão baixo?

Primeiro, pra falarmos que algo está baixo esse "baixo" tem que ser relativo a alguma coisa, pode ser aos preços antepassados, já que atualmente o preço está por volta de USD 30 e já teve acima de USD 100, ou pode ser em relação aos próprios mineradores de urânio, que trabalham ABAIXO da linha de lucro da mineração, o lift cost, isto é, o preço que a mineradora gasta pra ir lá na mina, achar o urânio, extrair ele, mitigar os riscos, transportar, e tudo mais, o preço disso tudo. As mineradoras que tem o menor lift cost tem ele por volta de USD 40. Então sim, o preço atual do mercado está baixo, porque as mineradoras estão PAGANDO pra extrair, estão tendo prejuízo, e é um dos principais motivos que podemos dizer que o preço está baixo sim.

Ok, tirando relatividade de preço de lado, porque chegou a esse patamar? Como chegou?

Pra isso precisamos nos concentrar nos fatos históricos e também entender que a dinâmica de preço de uma commodity é simplesmente oferta e demanda. Se tem muito minério de ferro no mercado, a oferta é alta e o preço baixo, se tem pouco arroz, oferta baixa e preço alto, se todos os carros a combustão instantaneamente virarem carros elétricos, então a demanda do petróleo abaixa e o preço também. Num mercado cíclico tudo é oferta e demanda e não é diferente com o mercado de urânio.

Vamos lá, qual é a utilidade do urânio? Ele quando enriquecido pode produzir energia elétrica em usinas nucleares e quando mais enriquecido ainda pode produzir armamento nuclear. Então temos que analisar essas duas demandas por urânio pra entender a dinâmica do preço.

Fato nº 1 - muita mineradora, pouco consumidor
Não pretendo dar os dados todos certos aqui, até porque estou redigindo esse texto de cabeça, pra quem tiver mais interesse é só fazer sua própria busca, mas o primeiro fator pra falar porque o preço baixo é o fato de que tinha muita mineradora no mercado e pouco consumidor de urânio. Isso foi devido ao boom de 2006 (que não tem nada a ver com o mercado de ações comum e a queda em 2007) e isso trouxe muitas empresas pro ramo, mas o fato é, estamos em período de paz (logo, pouca demanda de armamento) e as usinas que foram construídas não consumiam todo o urânio produzido. Resultado: muita oferta, pouca demanda, preço pra baixo. Em 2010, 2011 mais ou menos tinha mais de 600 mineradoras no mercado, com o preço baixo e com a ineficiência e a falta de investimento de muitos empresários, muitas dessas empresas faliram, restando por volta de 40 empresas. Isso é o verdadeiro ciclo de mercado na veia, em que épocas de vacas gordas muitas empresas entram pra lucrar, o produto é o mesmo (por isso é commodity) e a diferença pra uma empresa boa e uma má é a eficiência na produção, com a baixa do preço devido a alta produção as empresas com menores fôlegos vão falindo e sobrando só aquelas muito resiliente.

Preço do Urânio desde o boom de 2006


Fato n° 2 - Programa Megatons to Megawatts 
Esse programa foi uma parceria entre a Russia e os EUA com o objetivo de realizar parte do desarmamento da Russia (arsenal atômico) e vender esse urânio enriquecido remanescente pros EUA, sendo um ótimo acordo pros dois lados, já que o material bélico é desativado, não caindo nas mãos de terroristas ou sendo usado, os EUA saem felizes, garantindo mais combustível para suas usinas (cerca de 20% da matriz energética dos EUA é nuclear) e desarmando sua "arqui-inimiga" e a Russia lucra com a venda do urânio. Mas quem não sai feliz com essa história? As mineradoras claro, já que "brotou" um novo vendedor de urânio no pedaço, fazendo ter ainda mais urânio no pedaço e fazendo pressão no preço pra continuar baixo ou cair ainda mais.

Fato nº 3 - Acidente "nuclear" de Fukushima
Por volta de 2011 creio eu houve o acidente nuclear da Usina de Fukushima, no Japão. Nuclear está entre aspas porque na verdade não foi uma acidente nuclear, e sim um terremoto/marremoto que atingiu o Japão e, claro, a estrutura da usina. A estrutura da barragem foi destruída (a Usina é construída perto do mar por causa do sistema de refrigeração do núcleo) e houve danos perto do núcleo do reator que fez com que a água que circulasse por lá fosse radioativa e afetasse o solo (ou as pessoas) que tiverem contato. Esse acidente ambiental teve muitas mortes e alto impacto negativo pra humanidade, porém, não houve vítimas diretas da Usina, ela foi devidamente isolada e posteriormente a água radioativa também. Não vou discutir a parte ambiental ou a possível ou não contaminação dos habitantes pela radiação, mas o fato é que por medo do pior ter acontecido o governo japonês acabou recebendo muita pressão midiática e de ambientalistas e acabou decidindo fechar a usina (hoje a história já é outra). A consequência disso vocês já devem imaginar, foi uma facada dupla no mercado de urânio, pois ao mesmo tempo que o mundo perdia um dos principais consumidores de urânio, também ganhou um potencial vendedor, já que a usina tinha anos de combustível estocado e foi a mercado vender esse resto e, de novo, pressão pra baixo nos preços.


Acidente na usina de Fukushima

Fato nº 4 - Contratos de urânio
Esse fato na verdade nem é um fato, é mais uma informação. É importante entender como o urânio é comprado pelas usinas pra entender porque teve um período tão grande de preços baixos. O urânio é comercializado em contratos, isto é, eu, uma usina produtora de energia tenho o objetivo de comprar urânio, como eu quero garantir um funcionamento longo da minha usina vou logo é comprar um estoque de 10, 15, 20 anos de combustível. Então eu vou nas mineradoras e faço contratos de compra da forma que aquela mineradora tem a obrigação de me atender por todo esse período e, como dá pra ver nesse situação, a negociação de fato foi feita apenas uma vez (ou próximo disso, mas vamos simplificar). Como são poucas usinas (os números estão aumentando muito mas ainda são relativamente poucas) então o número de negociações é baixo e só irei negociar de novo quando tiver acabando meu estoque ou meus contratos (há dois tipos de mercado, mas pra simplificar não vou falar sobre eles). Portanto, desde a última leva de contratos (no boom de 2006 mais ou menos) não houve grande volume de urânico nas negociações até então, são todas negociações relativamente pequenas (mercado spot) pra ajuste de produção de energia. Se não há grandes negociações no mercado há pouca demanda e, de novo (tadinho desse preço, só apanhou rsrs), preço pra baixo.

Desculpe se a explicação ficou muito técnica ou confusa, mas é porque essa não é uma tese pra iniciantes e nem intermediários da economia. Esses são alguns fatos e talvez os principais do porque o preço do urânio permaneceu baixo todo esse tempo, é importante estudar e entender todo o cenário pra o investidor ter noção do risco do investimento. Como eu disse lá no começo do post, tudo se resume a um único conceito econômico: oferta e demanda, mas sabe o porque a oferta está alta e o porque a demanda está baixa é importante e é por isso que trouxe esse tema primeiro. 

Mas se agora tem poucas mineradoras no mercado, se o programa de desarmamento nuclear já acabou, se as usinas no japão estão sendo reativas e no mundo inteiro outras centenas estão sendo construídas e, por fim, se essas usinas estão indo as compras fazer estoque o que acontece no preço? Mas ainda, se não tem produção suficiente pra atender a todos, o que acontece? É isso que vou tentar explicar no próximo post rsrs.

Bem, espero que não tenha ficado muito confuso, acabei escrevendo tudo de cabeça pois os arquivos da minha pesquisa não estão nesse computador, se tiver avisa aí nos comentários que me esforço mais no próximo. Comentem aí o que vocês acham, estou em busca de argumentos pra discussões mesmo.

Abraços e até mais.

TR

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

#17 - Seu dinheiro ou sua vida? Meu indicador de IF preferido!

Fala pessoal, blz?!

Estou um pouco sumido mas é aquela combo: nada pra comentar, trabalho puxando e falta de motivação.

Acontece que do nada hoje deu uma vontade de ler uns blogs e acabei tendo a vontade de divulgar um dos meus "indicadores" que peguei emprestado de um livro bem famoso dos States.

Não sei se quem ler o meu blog é das antigas ou se ler os blogs gringos, mas um com muita referência e revolucionário do movimento FIRE nos EUA é o Mr Money Mustache e por causa dele conheci o livro chamado Your Money or Your Life, um livro sensacional que fala sobre todo esse processo de independência financeira que tanto abordamos na finasfera. 

Mas não vim falar muito sobre o livro (inclusive fiz um resumo dele no meu canal, vou deixa o vídeo no final pra não atrapalhar a leitura) e sim de um dos indicadores que ele me apresentou lá em 2014 e quando eu li fui logo aplicando na minha vida: o indicador tempo.

Um dos motivos de eu querer ter a minha independência financeira era justamente ter tempo pra fazer o que eu quisesse sem ter a pressão de ter que fazer dinheiro ou agradar alguém. Confesso, eu sou apegado ao dinheiro, mas ultimamente estou me distanciando dessa ideia, meu objetivo está sendo chegar cada vez mais rápida na IF e já viver de rendimento, não penso ter a liberdade financeira em si.

Pra quem não sabe a diferença, uma pessoa independente financeiramente é aquela que tem o custo de vida bancado pelo rendimento dos seus investimentos (meu custo de vida é baixo, não sou nada materialista e muito minimalista), então pretendo logo quando chegar nessa etapa já larga o emprego (não falta muito). Liberada financeira é aquela pessoa que é muuuuito mais independente financeiramente, é aquela pessoa que não precisa de preocupar se o arroz está caro ou se limitar a X viagens por ano, se ela quiser ela vai e faz sem ter peso na consciência, pra que isso aconteça ela precisa ter os rendimentos muito maior do que o custo de vida (sem ser minimalista nem nada).

Pois bem, desejo ter a IF pra ganhar tempo na minha vida, fazer meu mochilão, me descobrir e trabalhar no que der na minha telha, não gostei? simplesmente saio e vou pra outro, e assim vai. Tanto que um dos meus objetivos é provavelmente voltar a trabalhar de garçom porque eu gostava muito na época. Caso eu voltei e vejo que não é mais aquilo que eu tanto gostava é só eu sair e pronto, simples e rápido.

Uma das grandes motivações no começo da minha jornada foi traçar o meu custo de vida em tempo, isso mesmo, em vez de reais ou "dinheiros", em tempo.

Então eu não gasto R$ 1700 de aluguel, eu gasto 46h da minha vida trabalhando. Aquele hambúrguer com batata frita maravilhoso e pecaminoso que eu adoro não custa R$ 40 reais, custa 1h e 10 minutos. 

Gosto de ver filmes, séries, animes da Netflix ou da Amazon? Custa 1h e 30 minutos por mês.

Aquele livro que eu estou doido pra ler? 2h.

Quero ter um carro e calculo que vou gastar em média 500 reais por mês (comprar, manutenção, seguro, IPVA e posterior venda), então são 17 horas da minha vida trabalhando por mês pra ter esse carro.

Eu gasto 9h da minha vida por mês pra ter seguro de saúde e ficar tranquilo com essa questão.

Veja que quando você põe seus gastos, seus desejos, seus custos em horas que você tem que trabalhar você abre outros olhos pra sua vida, você dá outro tipo de peso praquela decisão, isso se você realmente valoriza o seu tempo claro.

Recentemente fiz um post mostrando que gasto quase R$ 2000 por mês pra morar num apartamento em SP, estou disposto a gastar quase 55 horas trabalhando só pra sustentar essa sensação de liberdade que morar sozinho proporciona? Sim, estou.

Agora estou disposto a gastar 160h trabalhando direto pra pagar um Iphone novo? Hum.... acho que não!

Ok, acho que até aí vocês já entenderam a ideia. Mas o interessante de se pensar assim, de ter essa visão um pouco fora da curva é que quanto mais eu invisto, quanto mais eu me aproximo da IF, menos horas eu tenho que trabalhar pra ter tudo que eu gosto.

Amo hambúrguer, adoro comer, atualmente gasto 1h e 10 min da minha vida pra poder comer o meu preferido, daqui 2 anos vou gastar apenas 40 min, daqui 5 anos vou gastar nada, NADA! Não vou gastar energia vital pra comer minha comida preferida, não vou gastar energia vital pra morar, pra ver um filme, pra viver e ser feliz, aquela preocupação de ter que gastar o meu dia pra ir pra um escritório, sentar lá por 8h, produzir algo que eu não curto e escuta reclamação de pessoas perdidas vai embora, some! Isso é liberdade!! Não é financeira, mas é uma sensação que eu procuro fortemente, algo que brilha o meu olho de um jeito que faz com que logo quando eu recebo meu salário o primeiro pagamento que faço é o TED pra corretora haha.

E vocês, já viram quanto de horas vocês tem que trabalhar pra pagar algo que vocês amam? Pagar uma academia, ou aquele restaurante favorito, ou fica em casas comendo besteira com coca cola? Faça o teste, é revelador quando vemos que trabalhamos muito pra algo que nem damos tanto valor, mas lembre-se que não é só pegar o seu salário líquido e fazer a conta, tem que descontar os custos de trabalhar, no vídeo eu ensino como faz. 


Bem, o post é esse, vou esperar um pouco meu ânimo voltar pra escrever mais, enquanto isso estou tentando me atualizar com os blogs que sigo (sigo quase todos da lista aqui do lado). 

Bjs e até mais =) 

TR

domingo, 30 de agosto de 2020

#16 - Experiência de 30 dias de Trader em mini-índice

Fala meu povo, blz?

Hoje o post vai ser rápido, vai ser na verdade uma divulgação de um Youtuber que eu acompanho faz tempo e ele faz várias experiências de vida, gosto dele porque ele é bem sincero nos relatos, passa muitas dicas boas de coisas que eles experimentou e deu certo (comecei a meditar por causa dele) e de vez em quando ele experimenta alguns investimentos.

Me interesso muito por tópicos de desenvolvimento social ou mesmo coisas que eu nunca pensaria em experimentar e vejo ele fazendo e as vezes me interesso e as vezes não. Consumo o conteúdo mais como entretenimento, mas alguns vídeos reforçam algumas máximas que temos de investimentos por aí.

Se eu me lembro bem ele já testou investimento em opções binárias e em robôs, agora o ultimo vídeo foi de 30 dias tentando ser trader. O legal do vídeo dele é que dá pra ver claramente quais são as reações que você espera de um iniciante nesse ramo e as cagadas que pode acontecer, da mesma forma, dá pra ver claramente o canto da sereia dos traders profissionais falando que da pra ganhar 20k, 50k, 80k em um único dia de operação e enche os olhos da garotada inexperiente sedenta por lucros rápidos.

Pra quem tiver interesse, tá aqui o vídeo, alguns podem achar longo mais eu gosto desse formato dele.


É só isso mesmo, só uma divulgação rápida que achei interessante compartilhar nesse final de domingo, comentem aí o que vocês acham, eu, por exemplo, apesar de achar algumas dicas pertinentes do mentor dele, não vi em nenhum momento ele falar quanto perdeu, só quanto ganhou xD.


TR

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

#15 - Reserva de Oportunidade, porque eu tenho

Fala galera, blz?

Pra quem não me acompanha no youtube recentemente compartilhei um estudo sobre a vantagem (ou não) de se ter uma reserva de oportunidade. O estudo na verdade vai além, ele pega essa reserva e aplica em fundos absolutos do mercado e mede a rentabilidade entre essa estratégia e a estratégia do preço-médio (aporte constantes).

Pra quem não viu é melhor dar uma assistida porque a conclusão dela é importante pra discussão desse post.



Pois bem, como já disse, alguns desses vídeos são pra amigos meus e dois deles especificamente me perguntaram se eu tinha ou não reserva de oportunidade. Eu respondi que sim e eles ficaram com cara de "uê?! Mas no vídeo a conclusão é que não vale a pena ter". Sim, é verdade, o estudo conclui que não vale a pena ter a reserva, mas nem tudo que alguns estudos ou opiniões embasadas que temos por aí nós temos que acatar não é mesmo?

Primeiramente, respondendo mais diretamente ao vídeo, eu não acho a forma que ele conduziu o estudo muito boa, foi muito 8/80, ou é uma ou é outra, e muitos sabem aqui que podemos facilmente nos adaptar pra fazer uma mescla das duas. Tecnicamente eu faço aportes mensais, mas tento não aporta tudo, talvez uns 85% eu aporto e 15% eu guardo e mando pra reserva de oportunidade, porquê?

Porque essa reserva me deixa seguro financeiramente! Não, não estou falando da reserva de emergência, essa está guardada e lacrada como todos nos sabemos, o "
seguro financeiramente" é mais contra grandes quedas e efeito psicológico, sim, investir pra mim é mais psicológico do que técnico ou prático. Passamos mais tempos pensando, refletindo, estudando do que aportando, enquanto pensamos por, sei lá, uma semana pra comprar uma empresa, nos compramos ela em menos de 5 min. 

Ter uma reserva de oportunidade faz eu ter uma mente mais tranquila perante as incertezas do mercado. Pra quem não sabe, ter dinheiro em caixa é uma das formas de não se abalar em grandes quedas, além de ser uma das formas de aproveitar essas grandes quedas também. Não sou de acompanhar notícias, não sou de querer ficar prevendo tendências de mercado, "vai subir", "vai cair", sinceramente eu tenho minha opinião pessoal sobre o momento atual mas a minha opinião é bosta nenhuma pro mercado, faz diferença alguma, não influencia nada e não devia influenciar os meus investimentos também, tentar acerta tendências só vai te deixar enviesado caso acerte ou decepcionado caso erre. Tem que ser equilibrado consigo mesmo, ter estratégia que lucre tanto pra cima quanto pra baixo, ser convexo, ser antifrágil.

A questão da SUA estratégia de investimento é ser compatível com SEU perfil e que TE traga segurança, abraçando a incerteza ou não. Portanto, me sinto bem tendo uma reserva de oportunidade pois ela é uma das formas que tenho pra me proteger de quedas, mesmo elas existindo ou não.

"Mas TR, tá comprovado lá que a rentabilidade de quem tem reserva de oportunidade é menor!"

Concordo, mas pra quem leu meu último post sobre Benchmark sabe que não estou atrás da melhor rentabilidade ou de me comparar com o mercado, estou atrás apenas do que acho ideal pra mim, meus 1% ao mês, se o mercado faz muito mais que isso, ok, legal! Mas cuidado pra não se animar demais. Se eu já consigo ter uma média de 1% ao mês por 5 anos e consigo isso tendo uma reserva de oportunidade pra manter a mente calma, então continuarei fazendo isso até ter algo forte que mude minha opinião (não posso ser firme demais também, sei muito bem que opiniões são dinâmicas assim como investimentos, no momento que eu mudar de opinião não tenho vergonha de mudar meus investimentos também).

Pensem nisso, invistam da forma que fique mais confortável pra vocês, mesmo sendo algo comprovado ou não, o investimento é seu, o dinheiro é seu, é sua vida, sua IF, mas tenham sempre uma mente aberta e crítica pra aceitar visões e opiniões diferente. 

É isso!

TR