sábado, 28 de novembro de 2020

#25 - Sou escravo do dinheiro? Um pouco da minha história com o dinheiro

Eu nunca fui pobre pobre mesmo, mas sim de uma família humilde. Sempre tinha comida na mesa, mas não tinha o que eu queria. De vez em quando algumas regalias, carnes melhores, sucos de fruta em vez de saquinho, não era uma vida pra se reclamar, mas eu reclamava.

Porque?! Porque é inevitável você se comparar aos seus amigos.

Porque ele pode ter aquele brinquedo e eu não? Porque ele consegue comprar lanche na escola e eu só fico de pidão? Porque quando eu vou na Lan House não jogo, só fico olhando e mendigando "5 min" dos meus amigos? 

"Porque não temos dinheiro", minha mãe respondia, "quando tiverem dando dinheiro na esquina eu pego!".

Essa resposta não me conformava de jeito nenhum. Ela me dava dinheiro pra levar no domingo 8h da manhã pra depositar numa caixinha pro padre, porque pra ele tem dinheiro e pra mim não? Foda-se o padre, fico com o dinheiro pra mim. No começo eu ficava só com metade, mas só metade não comprava o pedaço de bolo na saída da igreja, passei a ficar com tudo.

Da minha casa pra escola eu tinha que pegar um ônibus, mas pagava meia por ser estudante. Mas se eu não precisasse pegar o ônibus, com quem ficava o dinheiro? Passei a voltar andando pra casa, demorava, suava muito, chegava com as pernas doendo, mas era o suficiente pra economizar 30, 40 centavos da época, que se juntasse dois ou três dias já conseguia jogar 1 hora de CS na lan house.

E a vida foi seguindo assim, eu tentava arranjar dinheiro da forma que fosse, mas nunca era suficiente. Meus amigos sempre tinham mais coisas, podiam comprar picolés, tinham jogos, bonecos maneiros, só aqueles centavos que eu economizava da passagem ou o único real que eu roubava do dízimo não me satisfazia. 

Então comecei a roubar dos meus pais, primeiro furtando o cofrinho do meu pai. Ele tinha um pote de moedas que colocava o troco do ônibus, era só não limpa tudo que ele não ia perceber. Depois disso comecei a roubar da bolsa da minha mãe, no começo só moedas, mas depois me aventurei nas notas de 1 real até as de 5. 

Me orgulho disso? Acho que não, mas mostra bem meu complexo de inferioridade que tinha com meus amigos e minha tentativa de fugir disso. Mostra também da onde veio minha busca insaciável por dinheiro desde a infância, quando se começa a ser ambicioso desde cedo assim, fica claro que lá na frente algo psicológico vai ser afetado.

Até que chegou o ensino médio e eu comecei a fazer minha própria grana com meu império de chocolate, começou a cair muito dinheiro e eu não estava acostumado com isso. Podia lanchar de manhã e de tarde na escola sem problemas, podia para de comer no bandejão e ir em locais mais fartos, podia comprar o que eu quisesse. Mas acontece que não sai comprando que nem um desesperado, eu simplesmente matei minhas vontades momentâneas e guardei o dinheiro, e fui guardando.

Comecei a trabalhar mais pesado, oferecendo minha mão de obra pra carregar coisa e dando sorrisos sinceros como garçom, toda sexta, sábado e domingo eu estava na luta. Comecei a estagiar também, e logo depois a ganhar mais ainda como técnico, eu trabalhava os 7 dias da semana, levantava cedo e ia dormir muito tarde. Isso tudo deu resultado, não saia com amigos, não me divertia. mas com 18 anos a minha visão era que estava "chovendo" dinheiro, paguei minha auto-escola e comprei um PC decente, mas meus gastos grandes não fugiam disso, apesar de correr atrás de dinheiro eu nunca fui consumista, não me importava com roupa ou tênis de marca, nem com status social ou algo do tipo. Lógico, tive todo desejo de um jovem brasileiro de ter um carro, mas sabia que isso estava longe da minha capacidade, então eu guardava mais ainda a grana que sobrava.

Nessa época comecei a pesquisar sobre investimentos, mas não por muito tempo pois do nada decidi que ia pra Fortaleza-CE estudar pra um concurso muito difícil, estava trocando meu trabalho de técnico que ganhava muito bem mais a minha vaga na faculdade de engenharia elétrica por um outro sonho, e pra esse sonho eu precisava de dinheiro.

Gastei todas as minhas economias nesses 2 anos estudando em fortaleza, mas valeu a pena. Passei no vestibular e fui viver o tal do sonho. No começo toda aquele dificuldade de jovem sem dinheiro voltou, mas pelo menos viver nesse novo habitat era super econômico, gastava pouco, coisa de R$ 300 por mês, eu não saia, não ia em pizzaria nem em festas, ficava restrito ao meu quartinho jogando no PC e conversando com amigos. Dava algumas aulas e fazia alguns bicos, aos poucos fui restabelecendo meu patrimônio, fiz estágio nas férias do meio do ano, depois fiz mais um estágio de 3 meses nas férias do segundo ano, depois mais outro estágio e assim foi indo, até meu terceiro ano de faculdade eu basicamente nunca tinha tirado férias mesmo, todo período sem aula eu estava no campo de batalha no time do dinheiro. Até que, Boom! Estourei!! Consegui um emprego que me pagava R$ 6000/mês! Six fucking thousand por mês maluco!! O que eu vou fazer com tanta grana? 

Sim, tive os meus momentos de consumidor, mas logo percebi que eram coisas pequenas. Gastei com aquelas pizzas que ficaram na vontade, gastei com besteiras pequenas, quase todas comida, gastei na troca do meu celular, na compra do meu novo notebook, mas ainda sim sobrava, e ainda bem que sobrava rsrs. Sai de uma vida que gastava R$ 500 por mês pra gastar R$ 1500, mas mesmo assim sobrava R$ 4500. É hora de investir!

Acho que desse ponto até aqui alguns de vocês já sabem o resto da história, até explica um pouco o meu grande interesse por investimentos. Mas onde eu quero chegar com toda essa reflexão sobre a minha vida?

Refletindo comigo mesmo e agora com vocês, eu percebo que eu nunca fui consumista, nunca fui um capitalista louco atrás de mais pertences, não sou acumulador e essa pandemia foi excelente pra mim reconhecer isso de mim. Eu fico brincando comigo mesmo que se eu ganhasse na mega-sena hoje, acho que daria uns milhões pros meus familiares se ajustarem na vida e guardaria o resto, ou melhor, investiria o resto. Talvez comprasse uma casa ou um carro?! Talvez, mas sem dúvida nenhuma uns 80% eu iria guarda.

Não sou consumista, na verdade sou muito simples, tenho a famosa simplicidade voluntária, ou em termos modernos, sou minimalista. Não junto dinheiro pra comprar algo específico ou vultuoso, junto porque sobra e porque assim me disciplinei a fazer. Refletindo nessa pandemia eu acabei invertendo os papeis, eu achava que era escravo do dinheiro, que era um perseguidor nato, porque quase tudo que eu fazia tinha dinheiro envolvido e porque quanto mais melhor. Mas eu estava enganado, não sou escravo dele, e sim tenho ele a meus mandos, a minhas ordens, e é justamente isso que vou fazer.

Não faz mais sentido pra mim ficar trabalhando num emprego em que eu não tenho prazer em exercer apenas por dinheiro, não faz mais sentido pra mim ficar numa posição social só pra acumular mais e mais. Acumular é bom, mas temos que fugir da síndrome do tio patinhas que nós investidores temos: "vou juntar só mais um pouquinho". Eu já tenho dinheiro suficiente pra sobreviver uns 5 a 6 nos sem trabalhar, com perspectiva de prolongar pra 10 anos se os investimentos renderem, então porque continuar numa vida que não faz mais sentido pra mim?

Desde que eu tenho dinheiro sobrando eu só gastei muito apenas 3x na minha vida (os empréstimos pros meus pais não conta). Um foi meu notebook, que é gamer e dos bons, gastei R$ 5200, valeu a pena? Sim, mas o prazer de possuir ele já passou a muito tempo. Os outros dois foram R$ 5500 numa viagem pro Chile (Santiago, Farellones e Atacama) de 2 semanas, PQP! Que viagem, inesquecível! fiz no quarto ano da faculdade, o mosquito viajante me picou aí. E o maior gasto que já tive foram R$ 8900, um mochilão de 25 dias na Europa (Londres, Paris, Bruxelas, Amsterdã, Hamburgo, Berlim, Munique), outra viagem inesquecível que fiz no quinto ano da faculdade. Fico pensando, se eu tivesse todo dinheiro do mundo, o que eu faria? Ou melhor, se dinheiro não fosse problema, o que eu faria?

Refleti, pensei comigo mesmo e me decidi. Vou "larga tudo" pra experimentar vivências novas, viajar e conhecer novas culturas, pessoas, lugares e por assim vai. Vou "larga tudo" pra procurar o que eu gosto e conviver mais com minha família (são mais de 10 anos longe), meus amigos mais próximos e de todas as pessoas que me importo. Isso vale muito mais, mas muito mais mesmo, do que acumular mais dinheiro e ter tantos reais de renda passiva daqui 20 anos, não vou doar 20 anos da minha vida só pra ter esse conforto, essa segurança. Mas também não sou ingênuo ou irresponsável, ora essa, eu não tenho compromissos nem ninguém que dependa de mim, sou eu por minha conta, sou independentes, sou jovem e tenho plena saúde, tenho os privilégios que a vida me deu pra fazer isso e, principalmente, não sou escravo do dinheiro, não mais, então porque não fazer?!  

Pois é, minha data de demissão já está marcada, só me resta esperar e aproveitar o caminho, o processo, porque como um frase reflexiva que li num livro que não lembro mais qual é: "Não espere se aposentar para ser feliz. Viva no presente".

TR 




terça-feira, 17 de novembro de 2020

#24 - Tese do Urânio - Empresas e como eu invisto

Bom dia povo, tudo tranquis?!

Hoje vou trazer o ultimo post da tese do urânio. Já abordei vários assuntos que eu acho desse investimento, o potencial, riscos e tudo mais(aqui, aqui, aqui eeeee aqui). Nesse daqui vou falar como eu invisto e falar bem por alto algumas empresas que já estudei.

O mercado de urânio é um mercado beeeeemmm a parte do mundo, afastado mesmo, ele é outra realidade que vai depender basicamente do preço da sua commoditie, que também é outra realidade a parte. Pra investir nesse mercado o investidor tem que saber investir em empresas internacionais, pois as maiores do setor não estão em um único país, mas sim bem espalhadas, os principais países são Austrália, Canadá, EUA e Casaquistão.

Mas antes de querer achar a empresa perfeita e colocar seu suado dinheiro nela o investidor precisa de uma corretora que conecte ele a esses investimentos. No meu caso eu uso a corretora Interactive Brokers, que é uma corretora dos EUA que te dá acesso não apenas ao mercado americano, mas a maioria dos mercados desenvolvidos no mundo inteiro, podendo comprar ações americanas, canadenses, europeias e por assim vai. 

É uma corretora pra traders mas que não deixa de suprir as nossas necessidades de comprar um papel e guardar. O único problema dela na minha opinião é o custo, ela cobra $ 10 por mês e cada corretagem custa $ 1, naquele estilo de que a corretagem "come" da custódia, isto é, você teria 10 corretagens "grátis" por mês. 

Depois que ter uma corretora pra acessar o mercado é hora de cair no investimento, vou começar falando dos ETFs, que são mais fáceis de investir e explicar.

O ETF que mais gostei desse ramo foi o HURA (não confunda com URA por favor hehe). O foco desse ETF é se expor ao mercado puro de mineradoras de urânio e da industria mais perto do processo da mineração. Isso porque o minério quando é extraído ainda não está pronto pra ser combustível, tem toda a cadeia de limpeza, transforma no Yellow Cake, enriquecimento e modelamento em baterias. Esse ETF é de Toronto, então suas cotas são compradas em Dollar Canadense. Ele é relativamente novo, foi criado em maio de 2019 e tem uma taxa de administração de 0,75%. 

Eu gosto dele porque 40% do fundo está nas duas maiores empresas do setor, 20% na Cameco e 20% na Kazatomprom, depois vai se distribuindo pelas empresas médias e por fim se divide em várias small caps.

O segundo ETF é da própria bolsa americana (NYSE), o URNM. Esse fundo foi criado pra acompanhar a performance do setor de urânio como mineração, exploração, desenvolvimento e produção do combustível, assim como holding do próprio urânio físico e outras empresas não relacionadas com mineração. A taxa de administração dele é de 0,85% e assim como o HURA as duas maiores posições são as duas maiores empresas do setor, a Cameco e a Kazatomprom, com a diferença que é 15% pra cada. Esse ETF é mais "distribuído" em relação as outras empresas, apresentando empresas médias e promissores no centro e em menor proporção as small caps com alto potencial.

Há um outro ETF no mercado, o URA, mas que não atende ao quesito da tese de investimento então nem vou me alongar nele.

Agora sobre empresas do setor, estudei algumas por alto e achei algumas bem legais, vou tecer alguns comentários rápidos sobre elas.

A Cameco (NYSE: CCJ) é a segunda maior produtora de minério de urânio e uma das que mais tem caixa pra segura essa onda de mercado em baixa. Tem um caixa bilionário que segura tranquilo mais de 10 anos sem produção, mas da mesma forma ela é muito grande e não deve ter uma valorização tão expressiva, dá pra comprar ela pela NYSE tranquilamente.

A Kazatomprom (FRA: 0ZQ) é a maior produtora e só em 2019 produziu 40% da produção mundial!! E também é a que tem maior margem líquida (ou lucro mesmo hahah), isso porque ela tem o menor custo de produção de todas as empresas e consegue ser rentável mesmo com o preço do urânio custando $30. Mesmo sendo lucrativa pra quer ganhar $30 se ela pode ganhar talvez $60 ou $80 por libra no curto/médio prazo? É por esse motivo que ela vem reduzindo a produção e tem plano de fazer isso até 2022 e depois estagnar, anunciando que só irá aumentar a produção quando o preço responder com respeito hehe. Outra curiosidade dela é que ela abriu IPO recentemente na bolsa de Paris.

A Denison Mines (NYSE: DNN) é uma empresa canadense de mineração e tem um excelente projeto, o Wheeler River Uranium Projects. Na minha visão ela tem muito a ganhar caso o preço ajude, então é uma com bom potencial de alta.

A NexGen (NYSe: NXE) é outra empresa canadense de mineração com um projeto promissor (Project Arrow), mas nesse caso precisa de um bom tempo pra que ele saia do plano das ideias e talvez não seja tão beneficiada se houver algum bull market. 

Empresas maiores do setor, aquelas com menores riscos: Cameco, Kazatomprom, NexGen.

Empresas de porte médio e que valem uma olhada: Denison Mines, Fission Uranium, Uranium Energy Corporation, Ur-Energy, Yellow Cake.

Empresas mais arriscadas: Paladin, Energy Fuels, Goviex, Laramide e Plateau.

Empresas totalmente especulação: Fission 3.0, Skyharbour Resources, Blue Sky Uranium, Encore Energy, Texas Minerals e Azarga.

Tá aí a minha contribuição com uma lista de estudos pra quem quiser entrar nessa empreitada. Sei que eu não devo influenciar quase ninguém a querer investir nesse mercado doido, mas pelo amor de jeová não invista sem conhecimento, não invista sem conhecer a empresa e não invista só porque viu essas "dicas", eu fiz meu dever de casa antes de colocar o meu dinheiro e estou tranquilo pro lado que for essa budega, então faça o seu dever também (se te interessar é claro hehe).

Atualmente eu estou mais interessado em achar small caps pra investimentos aqui nas terras tupiniquis mesmo. Pra quem quiser ver mais ou menos como é meu estilo de análise para small caps eu fiz recentemente um vídeo pro canal sobre o potencial que vejo na Sinqia, uma small cap de tecnologia daqui e devo trazer outro vídeo com a análise do 3T20 e algumas novidades do ano de 2020. Pra quem tiver essa curiosidade está aí o vídeo.


É isso, espero falar disso aqui de novo só quando for falar que ganhei milhões com isso (eita menino sonhador hehe). Como sempre deixem seus comentários aí pra gerar aquele papo e também porque valorizo bem essa interação que temos. Bjs

TR

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

#23 - Mudanças por vim!

Fala galera, belezinha?

Postagem rápida hoje só pra dizer que já tem alguns meses que eu sinto meio que na ânsia de mudar o nome tanto do blog quanto do canal. 

A minha ideia é mudar pra um nome neutro, algo como "blog do TR", o que acham? Comentem aí.

A minha insatisfação com esse nome atual é porque ele é mais voltado ao publico investidor e com isso eu fico meio que preso a esse assunto. Esse nome "Escola para Investidores" veio de uma sugestão de uma amiga quando disse que precisava de um nome para um canal que ensinasse sobre investimentos e acabei embalando o blog nesse ritmo também, mas como vocês sabem e muitos por aqui fazem isso, o blog pra mim é mais um meio pessoal de me expressar e contar alguns casos e opiniões do que necessariamente só falar de investimentos, além disso, o nome "escola" pressupões que eu vou ensinar alguma coisa ou que eu manjo muito disso, o que não é verdade.

Outra coisa: minha jornada de servidor público está chegando ao fim (acho que duro mais 1 ano no máximo), esse blog se transformaria ainda mais quando essa data for chegando, vai ter relatos pessoais sobre meu ano sabático, minhas viagens e reflexões, saindo ainda mais do escopo de investimentos, claro que não deixarei de comentar sobre isso aqui, é uma assunto que amo e sempre to lendo sobre, mas cada vez mais o blog deixará apenas de ser sobre aportes e como vai a minha carteira de investimentos (até porque não estarei mais aportando heheh), vai ser legal registrar a minha sobrevivência com a "renda passiva"  mas também quero fugir um pouco dessa temática, mesmo não tendo ideia de qual rumo vou seguir.

Bem, é basicamente isso. Pretendo mudar o nome do blog em breve e gostaria de sugestões de vocês, mesmo de nomes neutros hahaa, se eu não achar nada interessante vai o mais básico de todos mesmo.

Pra quem não viu meu último vídeo no canal já deixo aqui, Peter Lynch é um dos caras que mais admiro nos investimentos. Eu também ia abrir uma discussão lá na aba de comunidade do Youtube pra ver quais outros tipos de conteúdo vocês gostariam de ver por lá (já que ficar só em resumo de livros tá meio chato e estou perdendo a motivação), mas acabei de ver que não consigo fazer isso, só acima de 1000 inscritos =(.


É isso aí, aportes bem, estudem, cuidem da saúde e sejam felizes.

TR

terça-feira, 27 de outubro de 2020

#22 - Tese de Urânio - Potencial, Assimetria, Convexidade e Riscos

Fala galerinha, tudo bom? bora pra mais uns detalhes da tese de investimento em urânio. No post de hoje vou falar um pouco sobre o potencial que esse investimento pode ter e os riscos que ele carrega.

Primeiro com o potencial, já que é o que a galera mais gosta de ver, a famosa rentabilidade. A tese do urânio se sustenta na crença de que o preço dele vai subir. Como eu já disse no post passado, o preço atual está na faixa de $ 30, com ele na faixa dos $ 50~60 a maioria das mineradores já conseguem operar no positivo e a partir de $60 é festa pra maioria. Mas porque investir logo em urânio que tem a expectativa de aumentar apenas 2 ou 3x? 

É o mesmo raciocínio que qualquer commoditie e sua mineradora. Me responda, se amanhã o preço do petróleo subir 100%, se ele duplicar, vocês vão ver a Petrobrás subir quanto? Eu diria no mínimo uns 500%, a PetroRio então, uns 8.000%. Se amanhã o preço do minério de ferro subir 150%, vocês vão ver a Vale subir muitos mil porcentos também. A mesma lógica se aplicar pro mercado de urânio e isso já aconteceu no Boom de 2003.

Naquela época o preço mostrou uma rali de subida de $20 para $120, o que aconteceu com as mineradoras? A maior empresa do setor na época, a Cameco, que tinha a maior mina e a maior produção, uma vulgo Vale ou Petrobras da vida, subiu 1000%! Isso mesmo, a maior de todas! Aquela com menos fôlego pra subir tanto. As mineradoras de médio porte, como a Mega Urânium, subiu 11000%, outras como Paladin subiu 17000%. Acho que talvez agora vocês estão entendendo onde estou entrando, toda essas altas foram em curto médio prazo, coisa de 6 meses a 2 anos (depois que começou o boom).

E é aí que entra a magia desse investimento, o potencial, a assimetria de risco-retorno. Não conto com rentabilidades milagrosas dessa, não sou bobo, passado e futuro não devem se misturar, mas SE realmente acontecer a subida do preço eu vou participar dessa mega onda, vou ir realizando o descasque do investimento, mas qualquer 1000% já estou super feliz, e isso foi a menor rentabilidade de antes. Porque eu digo que esse investimento é assimétrico, que ele é convexo? Porque tem muito a ganhar e "pouco" a perde, o máximo que você perde é o que você investir e sou eu que determino quanto "quero" perde, mas na outra ponta o céu é o limite, sendo que os fundamentos pra isso são mais fortes e sólidos do que em 2003. É uma assimetria muito favorável, quando investimos em ações ou FII temos algo parecido, podemos perde tudo que investimos e ganhar ali quem sabe, 20%, 50%, 100%, nesse investimento atípico é a mesma coisa, só que com mais zeros no possível retorno.

Porém, nem tudo são flores, digo que tenho pouco a perde porque literalmente estamos numa fase de preço do urânio nas mínimas, o mercado vem caindo desde 2011 e só agora mostrou uma leve recuperação. Mesmo assim, estou ciente dos riscos, que não são poucos, mas são suficientes pra eu querer encará-los e aceitá-los. Risco é risco, não tem o que fazer, ou você aceita eles ou não participa, é como qualquer investimento, e no meu caso eu mitigo o risco diversificando a minha carteira de empresas nessa tese, algumas podem falir, quebrar, sumir, não retornar nada? CLARO! Outras podem subir e disparar trazendo a média pra cima? TAMBÉM!

Essas filosofia de investimento de investir em grandes potenciais, as famosas tenbaggers, aprendi com Peter Lynch, que tinha uma carteira de investimento muito atípica, mais de 1400 empresas, sendo que ele apostava muito em empresas pequenas que iam deslanchar. Ele acertava? Não, na verdade ele errava a maioria, mas quando acertava amigo, era soco pra cima. 

Ok, então quais são os riscos que EU VEJO (lembre-se que há riscos que eu não enxergo também) nesse investimento?

Primeiro, só comentar antes que alto lucro não necessariamente significa alto risco, sem dúvida investir em urânio não é pra qualquer um, mas cada cenário "catastrófico" que posso citar aqui não significa que tem alta probabilidade dele ocorrer, a única coisa que temos que ter em mente é que sempre é possível que todo o setor desça à ZERO amanhã, eu tenho isso em mente.

Risco nº 1 - China

Sem dúvida a China é o maior vetor dessa tese, é o país que mais cresce e que esta construindo usina atrás de usina, é o país com o plano mais agressivo. O risco é simplesmente a China não continuar com os seus planos, mudar o foco, adiar pra muito lá na frente ou algo do tipo. Mesmo já tendo várias usinas sendo construídas neste momento, esse cenário é possível e configura um risco grande pro investimento. 

Risco n° 2 - Outro programa Megatons to Megawhatts

Pode ocorrer de termos outro programa desses, cujo objetivo é o desarmamento nuclear, diminuindo a força militar daquele país e transformando aquele urânio enriquecido em combustível pras minas. Esse programa já foi realizado pela Rússia em parceria com os EUA, mas os EUA em si ainda está muito armado. Portanto, pode do nada o próximo presidente dos EUA falar que vai se desarmar pra usar esse urânio nas suas usinas já que os estoques deles estão baixo? Pode! Então é o risco grande a se por na conta.

Risco n° 3 - Inercia do mercado

Apesar de ser uma tese interessante ao meu ver, pode ser que tudo que eu já disse aconteça e o preço não suba, o mercado é muito inerte, o preço do urânio long-term são preços firmados em contratos que não são publicos até um certo tempo depois que eles são firmados. Esse mercado pode ser tão inerte que continue nas mínimas por um bom tempo antes do mercado "acordar" e corrigir, 5, 10, 15 anos e por assim vai.

Risco n° 4 - Descobertas

Apenar da descoberta de minas e vales explorados não sejam tão significantes assim pro mercado (pois como já expliquei, o mercado ainda precisa do incentivo alto do preço do urânio pra iniciar investimentos nesses minas) a descoberta de novas tecnologias disruptivas pode abalar as mineradoras. Quanto mais nos desenvolvemos mais tecnologia criamos, nada impede de alguma empresa criar uma nova tecnologia de exploração que reduza o lift cost somente dela e faça com que o preço do urânio em $30 seja um preço super rentável, ou mesmo mudar o foco do setor, com usinas que usem combustível de plutônio como já está sendo pesquisado e implementado.

Risco nº 5 - Kazatomprom

Pra quem não sabe a Kazatomprom é a maior produtora de minério de urânio do mundo atualmente e é uma das poucas (se não a única) que consegue lucro com o urânio a $30. Isso é possível não ao preço ser "bom", mas porque ela compensaria o preço baixo com uma alta produção. Se ela se irrita com o mercado pois o preço não sobe e volta atrás a sua palavra de "diminuir a produção" e querer socar urânio em todo mundo ela sozinho faz a produção mundial subir muito e fazendo com que o patamar do preço fique baixo. Atualmente ela tem uma plano de diminuição da produção anualmente até 2025 ou até o mercado não mostrar ânimos, estão, sim, estamos nas mãos dos executivos dessa empresa do Casaquistão. 

Risco nº 6 - Acidente

Esteja ciente de que qualquer acidente nuclear com proporções preocupantes como Fukushima é o suficiente pra esfriar esse setor mesmo que a culpa não seja da usina nuclear. Esse assunto é sensível e a pressão de um acidente com mortes é o suficiente pra jogar um banho de água fria nas mineradoras.

Risco nº 7 - Crise de liquidez, política e outros

Esses outros riscos são mais genéricos, aqueles que podem acontecer com qualquer mercado. Podemos ter outra crise de liquidez no mercado refugiando os investimentos em energia, assim como fazendo fugir o capital dessas mineradoras e fazendo as ações recuarem, como qualquer crise de liquidez. O risco político é alto também, pois é um mercado regulado e do nada pode aparecer um pacifista verde vendendo boas ideias e bla bla bla.

Bem, esses são alguns dos riscos que vejo, lembre-se, isso não é um investimento em valor, é uma APOSTA no crescimento do preço do urânio. Esse post pode ser resumido pra; um, os fundamentos podem estar catastroficamente errados e nada acontecer; dois, o preço pode permanecer parado por décadas mesmo que os fundamentos estejam certos e; três, qualquer coisa pode acontecer.

Meio do ano passado eu já botei meu pezinho nisso, com um percentual relativamente baixo da minha carteira, tentando diversificar ao máximo entre empresas e alguns ETFs. De lá pra cá o preço já subiu próximo de 50% e já tenho algum lucro na operação, mas o objetivo é outro, após a pesquisa, análise e a aplicação temos que ter paciência, e é isto que estou treinando agora hehe

No próximo post caso ainda queiram posso trazer um pouco de como investir nesse ramo e alguns comentários de algumas empresas que já estudei pra quem tiver curiosidade.

Ahhhh, pra quem tiver interesse de ver o vídeo sobre Peter Lynch que coloquei lá no canal, vou deixar ele aqui embaixo. A metodologia de investimento dele é bem interessante sem falar que ele foi o maior gestor de mundo né hahaha, é pouca coisa não. O vídeo é rápido, mas mais pra frente vou trazer os 2 livros dele que acho bem interessantes também.


É isso!

TR

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

#21 - Meus Investimentos em Milhas - Lucrei mais de R$ 30 mil

Fala Galera, beleza?

Esses dias eu estava visitando os blogs dos amigos daqui da finansfera e me deparei com um que estava começando os investimentos em milhas (desculpe, não lembro quem era) e acabei postando nos comentários o que eu achava do mercado e mais alguns detalhes. No fim ele me propôs falar um pouco sobre o assunto e decidi fazer esse post explicando toda a minha trajetória nesse investimento e o porque eu sai, mesmo lucrando muito com isso. 

Antes do tudo, o que é investir em milhas?

Sabe milhas aéreas? Aquela que o pessoal fala que viaja de graça porque ganhou tantos pontos no cartão de crédito, pois bem, essa mesmo! Milhas são basicamente usadas para se comprar passagens aéreas sem a necessidade do dinheiro, é um mero substituto. Investir em milhas nada mais é do que comprar essas milhas barato e vender caro, nada muito diferente do que algumas pessoas pensam da bolsa de valores.

Pra se conseguir milhas há poucos caminhos; ou você gasta muito em um cartão de crédito que tem essa "vantagem" de converter seus gastos em pontos e depois esses pontos em milhas aéreas; ou consegue ganhar as milhas diretamente viajando com as companhias de aviação; ou pode comprar ela diretamente com as próprias emissoras de milhas, como Smiles ou Multiplus. 

A questão central no investimento de milhas é que há uma disputa no mercado para que você traga seus pontos do cartão de crédito para certa companhia de voo. Se você tem um banco qualquer, seja, Itaú, Santander, BB, Bradesco ou qualquer outro você pontua nele e as empresas de aviação querem que você gaste esses pontos nas viajem deles, assim, há um incentivo para que você transfira seus pontos pra Azul, Gol (Smiles), LATAM (Multiplus) ou Avianca (falecida já hehe). Essa disputa por clientes faz com que essas companhias citadas façam promoções de transferência e, nesse ponto, algumas são muito vantajosas e é aí que lucramos.

Por exemplo, você tem 10 mil pontos no Banco do Brasil e quer usar eles pra viajar, a Smiles oferece que se você transferir esses pontos do BB pra milhas Smile  e você ganha um bônus de 100%, isto é, transfere 10 mil e ganha mais 10 mil, totalizando, no final, 20 mil milhas Smiles. A sacada da companhia é que uma vez que seus pontos estão na Smiles você só consegue "comprar" voos da Gol, da mesma forma que são as outras companhias, então quanto mais agressivo é essa promoção mais voos a Gol vende no final. 

O investimento começa comigo comprando pontos em algum cartão de crédito de alguma forma, espero alguma promoção boa sair, transfiro os pontos com bônus embutido e depois vendo as milhas, auferindo o lucro no final.

Como que eu investi? 

Eu decidi comprar milhas pela Livelo, basicamente a empresa de pontos do Banco do Brasil e do Bradesco se não me engano. Eu assinava o Cluve Livelo 20000, que me dava 20 mil pontos por mês pelo preço de R$ 649,90, mas nessa época tinha o bônus por assinatura também, que ganhava mais 20 mil pontos distribuídos ao londo de 1 ano de assinatura. 

E a empresa que decidi vender a maioria das milhas foi a Smiles, então assinei o Clube Smiles 1000, apenas pra ser Clube Smiles e poder ter direito ao maior bônus nas transferências. Eu pagava R$ 42 por mês e tinha direito a 1000 por mês mais 7000 milhas por bônus de assinatura. 

Depois disso era só ir acumulando e pagando as mensalidades até vim uma promoção da Smiles de transferência. Eu escolhi ela justamente porque ela é a que oferece os maiores bônus e as promoções mais frequentes também. A livelo também tinham ótimas promoções que eu podia comprar pontos com eles com 40 ou 50% de desconto. Conseguia comprar o milhar (mil milhas) por 35 reais cada, enquanto que na assinatura da Livelo o milhar saia por volta de R$ 30.

Geralmente eu só pegava promoções de 100% ou 120% de bônus, depois ia na Maxmilhas e vendia (tem outras companhias, mas a Maxmilhas era a mais fácil e com os melhores preços).

No começo vendia cada milhar por R$ 23 reais, o que eu transferia eu já tentava vender, aquela ansiedade de querer ver o dinheiro entrar porque por meses só vi saindo. É só fazer as contas, pagava por volta de R$ 30, pegava promoções de 100% a 120%, então meu preço-médio por milhar era por volta de R$ 15 ou menos e depois vendia por 23, é uma rentabilidade muito boa de mais de 50% em alguns meses. 

Só que teve dois fatores que fizeram eu dar um "boom" melhor ainda. Primeiro, cada conta da Livelo era um CPF e cada conta da Smiles também, pra ter mais pontos eu teria que ter mais CPF, então fui nos caras que moravam comigo na época e ofereci um rodizio de sushi grátis se eles abrissem uma conta na Livelo e fizessem a assinatura de 20000, mas eu que pagaria claro. Fiz isso com 3 amigos e fiquei no total com 4 contas, gerando 80k pontos por mês o que dá por baixo 160k milhas por mês. Isso aumentava o número de milhas que eu conseguia vender e consequentemente a quantia que lucrava.

A segunda melhora era porque eu estava vendendo passagens baixas, de 20 milhar até 50 milhar, que são passagens dentro do Brasil. Quando eu comecei a acumular mais vi que se eu vendesse em maiores quantidades o valor do milhar subia muito. Então comecei a vender passagem só acima de 100k, que são as internacionais, e por incrível que pareça elas eram vendidas quase que instantaneamente, poucas pessoas vendiam acima dessa faixa, daí o preço por milhar ficava em 28 ou 29 reais.

Além disso tudo, eu tinha no meu cartão uma despesa de 2800 reais por mês, que me geraram mais alguns pontinhos bons. Outro grande lucro também era vender por fora, eu morava em um alojamento da faculdade que tinha alunos de todo país, nas férias todo mundo voltava pras suas respectivas casa e eu vendia a passagem pra eles. Ele me dizia qual queria e eu ia e comprava e depois me transferia o dinheiro. Isso dava um lucro muito maior, coisa de 30 a 40 reais o milhar porque eu que decidia o preço da passagem, basicamente olhava a passagem mais barata por dinheiro e aplicava um belo de um desconto e eu ainda saia muito na vantagem

Resumo da ópera, fiz isso por um pouco mais de um ano, vendi mais de 2,5 milhões de milhas. Gastei mais de R$ 45 mil reais pra comprar as milhas e faturei mais de R$ 75 mil. Em um pouco mais de um ano lucrei mais de R$ 30 mil pra um trabalho pífio, simples, sem desgaste nenhum. Não tinha estresse, era menos de 20 min por mês se duvidar, a única coisa que precisava era pagar as mensalidades e assinar o email list pras promoções. Sempre pipocava promoção de 60% e 80%, mas eu tinha feito um estudo antes e vi que sempre tinha a cada 2 ou 3 meses promoções de 100% ou mais, então era só esperar.

E isso porque contabilizei apenas as milhas que vendi, eu até hoje tenho milhas na minha conta pessoal, uso elas pra converter em Uber Cash e uso no Uber ou Uber Eats, além de ter pago várias passagens pra minha mãe rodar por aí. O motivo que não gastei mais em passagens é simplesmente porque não vejo vantagem, viajo pouco pelo Brasil e geralmente de ônibus, passagens de avião com antecedência sai mais barato por dinheiro do que por milhas. 

Mas porque eu não continuei? Porque parei de comprar milhas pra vender?

Simples! Porque o mercado sinalizou que o cerco ia fechar. A Smiles não ligava pra esse comercio secundário, mas a Multiplus sim, ela era uma defensora apenas do uso pessoal da milha, isto é, minhas milhas não podem ser usadas para outras pessoas. Eu já sabia disso quando entrei e também foi um dos motivos de ter escolhido Smiles e não Multiplus. Um pouco tempo depois a Multiplus lançou uma politica que não podia comprar passagens pra outros CPF e a Smiles sinalizou que iria seguir esse caminho também. Eu já fiquei esperto e diminui o número de mensalidades, parei de pagar as 3 contas extras e fiquei só com a minha. Uns meses depois a Smiles fez com que a partir de uma data X cada conta só poderia comprar passagens pra outras pessoas para apenas 10 CPFs diferentes por ano, eu vendia pra mais pessoas do que isso por mês, então nesse aviso eu já cancelei meu plano e "pulei" fora do mercado.

Pouco tempo depois eles atualizaram o sistema e facilmente bati o limite de 10 CPFs e fiquei com as minhas que eu tinha lá até então sem possibilidades de vender, conseguia usar comigo e com um amigo que sempre comprava comigo e o CPF dele já estava entre os 10. Esse foi o motivo porque eu parei e acho que parei no momento certo, sobrou umas 200k milhas pra mim (não contabilizadas nos cálculos) e uso elas desde então, basicamente ando de Uber e peço Uber Eats "de graça" a uns 2 anos hahah.

Outro motivo que acho que investir em milhas agora é furada é simplesmente o momento atual. Há poucas viagens acontecendo, poucos voos, poucas milhas pra serem compradas, não sei nem quanto deve ta o preço na Maxmilhas mas deve ter caído muito, não lembro ao certo mais acho que alguém tinha me dito que estava menos de 20 reais, cruzes! 

E aí, o que acharam desse tipo de investimento diferente? Como eu já disse por aqui eu já testei de tudo e avalio se eu gostou ou não hehe. Acho que o post ficou grande mais da pra matar a curiosidade da maioria dos leitores, qualquer dúvida já manda um comentário ai.

TR

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

#20 - Tese do Urânio - Porque o preço deve/vai subir?

Fala galera, beleza?

Voltando pra continuar as explicações do famigerado investimento em urânio, pra quem não viu os posts iniciais é só clicar aqui ou aqui.

Bem, como o título já informa, nesse post vou falar do porque o preço deve/vai subir, meio que uma continuativa das narrativas históricas dos acontecimentos do post anterior do porque o preço está baixo.

Mesmo história de novo, oferta e demanda, quando você tem poucos produtores, poucos mineradores e do nada o mercado exige mais urânio isso significa que a demanda aumenta, que aquele recurso é mais requisitado no mercado e, por isso, o preço tem que aumentar. De novo é a dinâmica de ciclo de mercado de commodities, mas a diferença é que quando a demanda sobe tão forte que a oferta não consegue acompanhar os preços explodem, então vamos ver porque a demanda deve aumentar tanto assim.

Fato nº 1 - A produção de urânio está sendo mitigada

Como eu já informei no post passado, as mineradoras, aquelas que ainda estão em jogo, estão trabalhando em regime de prejuízo na extração do urânio (basicamente só uma empresa consegue "ter" lucro). O preço de toda operação é por volta dos USD 40, mas o preço do urânio está atualmente em USD 30. Operar no prejuízo é o mesmo que falar pras mineradoras pedirem falência ou deixarem de produzir. É o caso da empresa Cameco, a Top 2 do setor e dona da maior mina de urânio até então (McArthur River Uranium Mine, responsável por 13% do mercado mundial), ela desativou algumas minas alegando que não vai produzir mais até que o preço volte a patamares aceitáveis, se não me engano ela colocou no fato relevante dela que esse patamar era acima de USD 50. 

Antigamente a Top 1 do mercado não ligava pro preço baixo, dizia que quanto mais o preço baixasse mais ela iria produzir pra compensar, mas meus amigos, isso é papo de quem tem o menor lift cost do mundo né. Mas o curso do rio mudou pra eles, de 2019 pra cá eles mudam esse pensamento, a Kazatomprom (nome da empresa Top 1 do setor) seguiu os passos de sua companheira concorrente e anunciou o mesmo, que não fecharia contratos até o preço ser digno. Logo, se as 2 maiores empresas não produzem porque não querem (e elas tem fôlego financeiro para se manterem até o preço se ajustar) e as outras de menor porte podem até produzir mas terão prejuízo com isso então só resta uma saída do preço, subir! (aquele papo todo de que não tem produção e tem demanda)

Fato nº 2 - O ciclo do urânio

O ciclo do urânio, isto é, o tempo que ele leva pra ser retirado da mãe natureza e chegar dentro de um reator nuclear, não é nada pequeno, são aproximadamente 2 anos. O que isso significa? Significa que se eu fecha um contrato hoje pedindo urânio eu sou vou receber ele daqui 2 anos! Não é que nem minério de ferro, cobre, petróleo que tem ciclos muito mais baixos, é completamente o oposto e isso traz junto uma logística muito maior e uma elasticidade no preço maior ainda. Esse gap de 2 anos entre a mineração e a produção da energia pode causa um forte descasamento entre a oferta e demanda, pois a oferta estará defasada 2 anos da demanda, causando um maior esticamento do preço quando ocorrer.

Fato nº 3 - A dificuldade de entrada de players

O mercado de urânio é algo extremamente fora da realidade de um mercado normal, é a parte, totalmente descorrelacionado do resto do mundo. Mesmo que os preços subam muito é extremamente penoso pra uma empresa querer aproveitar essa onda, a barreira de entrada no setor é gigantesca, necessita de um puta investimento inicial apenas pra iniciar a mineração, lembra das minas desativadas pela Cameco que eu comentei? Só pra reativar ela já é custoso porque mesmo já tendo toda a estrutura e o mapeamento da mina, ainda sim precisa de um investimento grande pra dar motivação pra iniciar a operação, e isso só é possível com preços altos, de novo. 

Além disso, empresas novas precisam além de toda tecnologia, todo know-how, todo o investimento ainda precisa do principal: a mina. Não se achar minas facilmente ali na esquina, além de ser um setor muito burocrático e regulamentado. Então meus amigos, a preocupação de que empresas novas entre pra aproveitar essa "festa" de preço alto do urânio é muito baixa, fazendo o setor mantenha poucas empresas operando, tendo uma baixa aceleração na oferta, não acompanhando o crescimento da demanda e quanto maior essa diferença, maior o preço.

Fato nº 4 - O comprador está cagando pro preço

Um dos grandes charmes desse mercado é que o comprador (as usinas nucleares) estão cagando e andando pro preço do urânio. Você sabe quanto custa pra construir uma usina nuclear? Custa mais de 15 bilhões! 
Primeiro, porque construímos usinas nucleares? Porque elas produzem energia elétrica barata, limpa, estável e segura, sim, não vou entrar no papo ambientalista aqui, mas a energia nuclear é a mais segura de todas, é aquela que produz a energia mais estável, é aquela com menor impacto ambiental, sonoro ou do tipo e, além disso tudo, é barata quando comercializada. Então para produzir essa delícia precisamos apenas de duas coisas: a usina e o combustível. 

Além disso, depois que uma usina começa a operar e o núcleo já está quente, é extremamente penoso desligar ele por falta de combustível. A informação importante aqui é: a usina não pode ficar sem combustível e o combustível é extremamente barato quando se analisa os custos totais. Um reator gasta por volta de 500 mil libras de urânio por ano pra funciona, isso, no preço atual de USD 30 da algo em torno de USD 15 milhões por ano, agora extremamente barato considerando o investimento. Simplesmente a usina não liga pro preço, ele pode quadruplicar que não faz diferença dentro da DRE, não afeta quase nada, não faz cócegas, os outros custos são muito mais relevantes, uma usina gasta mais com advogados do que com o próprio combustível.

É o mesmo que você andar de carro com a gasolina custando 1 centavo! Os outros custos (manutenção, IPVA, seguro) são tão mais relevantes que se a gasolina for pra 4 centavos não traz grande impacto pra você.

Fato nº 5 - A demanda vai aumentar

Beleza, tudo isso que eu falei é muito lindo e tal, mas pra que toda a mágica ocorra a demanda de fato tem que aumentar, e porque aumentaria? 
Simples, porque o mundo está construindo usinas desenfreados. Toda aquela qualidade que já citei da energia está fazendo pressão nos governantes que estão inclinando totalmente pro lado nuclear, aquele medo do famoso desastre nuclear e todo mundo pegar câncer está sendo substituído por "vamos construir que é a única saída". Pra ter uma ideia o Bill Gates é um dos grandes apoiadores da energia nuclear, e só pra provar que ele está comprometido em 2019 ele levantou 1 bilhão pra investir no setor e também investiu do seu próprio dinheiro outros 1 bilhão. Peter Fell, fundador da Paypal, também está investindo.

Aqui nessa parte eu teria que entrar mais a dentro das outras matrizes energéticas, não vou fazer isso, vou só mostrar o "boom" de usinas que estamos tendo: 11% da matriz energética mundial é nuclear, 20% da matriz dos EUA também, no brasil são apenas 3%, na frança são 77%, 25% na Inglaterra, 25% na Russia. Mas a surpresa mesmo do crescimento é a China, que tem 4% hoje e quer chegar a 20% até 2030. O japão é outro com objetivo de chegar a 20%. É um mercado completamente em crescimento. Mas isso vai além de só querer, muitos usinas já estão sendo construídas, a China é a que puxa tudo, estão em construção mais de 23 usinas, na Russia, 10, na Índia, 7, no Japão, Paquistão e outros, 2, até o Brasil entra nessa querendo construir mais uma usina pra nós XD!

Em 2011 tínhamos 440 reatores nucleares pelo mundo, hoje temos 450 e o mercado ficaria animadinho se amanhã brotasse 460, mas atualmente estão em construção ou em planos de construção mais de 50 reatores!

A demanda vai aumentar! Vai aumentar simplesmente porque estamos produzindo usinas que vão necessitar de combustível e o urânio é o único, vai aumentar porque os países estão com planos aprovados pra construção de usinas para melhora a matriz do país, somos cada vez mais eletrificados, cada vez há mais equipamentos elétricos e menos outros. Quer um exemplo? A expectativa é que 2040 a maioria dos carros vendidos já sejam elétricos, nosso consumo sempre está aumentando e sempre exigimos maior qualidade, estabilidade e menor preço.

Fato nº 6 - Está acabando o estoque

Pois é, além disso tudo que já falei do porque os consumidores finais iriam comprar mais produtos ainda tem o fator estoque. O estoque das usinas que estão operando atualmente está acabando, simplesmente isso, geral vai ficar sem gasolina. A maioria dos contratos acabam em 2022 e 2025 e, como eu já disso, a usina não vai parar, esses contratos tem que ser renovados, França não vai perde 77% da sua matriz energética por causa de falta de urânio, nem mesmo a Inglaterra, a Russia ou muito menos a China. 

Outro exemplo forte: o estoque atual dos EUA é de apenas 5 anos! Sim, se em 5 anos os EUA não comprarem urânio 20% do seu país apaga! Mas de novo, não se compra urânio simplesmente indo no supermercado, não é assim que funciona, há sim estoques/vendas pequenas que servem pra corrigir eventuais gastos de produção que é o mercado spot, mas para que daqui 5 anos os EUA queiram ter combustível nuclear para continuar operando eles tem que compra no MÍNIMO 2 anos antes. 

E como eu já falei, o preço é irrelevante pro comprador e ele necessita comprar, ele vai comprar independente do preço que esteja, igual aconteceu em 2006, onde o preço chegou a USD 140. 

Não há outro caminho, a oferta está baixa, as mineradoras se recusam produzir mais, mineradoras novas não podem entrar no ramo porque a barreira de entrada é insana e mesmo assim não vão lucrar, o urânio não sai de outro lugar a não ser das minas e somado a isso temos uma visível demanda crescente, com países construindo usinas e aderindo a projetos de longo prazo com foco na energia limpa. É uma tese complexa? É, mas são tantos fatos a favor que fica muito difícil ignorar a magnitude da situação. A grande pergunta não é se vai ou não aumentar, porque isso é fato! A grande pergunta agora é QUANDO vai aumentar.

Ufa! Acho que já tá bom, ainda ter outras coisa perdidas nas minhas pesquisas favorecendo o lado da demanda mas acho que já tá bom pro tamanho do post. Já me adianto e deixo um alerta, onde há grandes chances de valorização há grandes riscos relevantes (caralho! parafraseei o tio Ben kkkkkkkkk). No próximo post vou tentar trazer os grandes riscos desse investimento e também um pouco da assimetria que esse ramo propõe, é o famoso investimento convexo, anti-frágil, conceito lindo popularizado por Nassim Taleb. 

Fico por aqui e até mais.

TR

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

#19 - Fechamento Trimestral - Julho/Agosto/Setembro de 2020

Fala meus lindos, mais um fechamento trimestral e mais um passo pra essa IF antecipada que almejo.

Mais 3 meses tranquilos na minha visão em relação aos investimentos, mesmo eu tendo quase tudo que possuo em renda variável não me abalo pelo vai e vem da bolsa brasileira ou da bolsa americana. Tive uma boa movimentação de compra de ações devido ao exercício de algumas opções, mas tudo dentro do plano e da estratégia já traçada por mim. Pretendo, depois que acerta as porcentagens objetivo que almejo em algumas ações, garimpar algumas small caps ou fazer mais alguns aportes na tese do urânio.

Vamos aos números:

Julho/2020

Rentabilidade da carteira: 8,39%
Aporte: R$ 4.100,00
Renda de opções: R$ 1.010,23
Renda passiva: R$ 213,57

Agosto/2020

Rentabilidade da carteira: 2,48%
Aporte: R$ 5.000,00
Renda de opções: R$ 662,20
Renda passiva: R$ 575,72

Setembro/2020
Rentabilidade da carteira: -4,92%
Aporte: R$ 6.933,07
Renda de opções: R$ 2.535,55
Renda passiva: R$ 998,02




Em setembro tive umas 5 opções (PUT) exercida e algumas deram excelente lucros e entraram de mão cheia na carteira, por exemplo, comprei Localiza (RENT3) vendendo PUT e logo após o exercício dessa PUT a ação subiu coisa de 20% devido a notícia da compra da Locametica (LCAM3). Porém é evidente que isso é pura sorte, é um caso a parte. Posso falar de outra aquisição que foi vendendo PUT e fui exercido pra comprar ITSA4 por 9 e pouquinho e hoje a ação está R$ 8,84. Esses movimentos de curto prazo eu nem ligo, posso contar vantagem, posso contar prejuízo mas é mais por querer viver no presente e aproveitar o processo. O resto da carteira segue em ritmo normal como planejado.

Sigo cagando pras notícias como sempre e fazendo as minhas análise de leve e fazendo acompanhamento de algumas ações pois acabei não lendo nenhum release esse ano ainda, geralmente não corro pra ler os relatórios, não estou sedento por números ou resultados, eu leio apenas quando estou com vontade e apenas pra me manter atualizado. Meu objetivo na verdade seria ler apenas o relatório anual de cada empresa que tenho, mas como sou muito fominha de investimento acabo não resistindo e dando uma lidinha nos que sai no meio do caminho.

Sigo também dando aula de investimentos para alguns conhecidos e amigos, é muito interessante você testar o seu conhecimento ensinando eles e também ver a diferença de uma pessoa instruída financeiramente de uma que não mergulhou nesse campo. É realmente muito gritante e causa uma impacto forte na vida de qualquer um.

Em livros estou relendo o Iludidos pelo Acaso de Nassim Taleb e o One Up On Wall Street do Peter Lynch pra fazer vídeos sobre esse livros no meu canal no Youtube. Como são livros que trazem bastante detalhe e conhecimento então cada um deve gerar aí uns 2 ou 3 vídeos. É incrível como gosto do jeito de Taleb escrever e relendo o livro dele eu já fico me planejando querer reler daqui 1 ou 2 anos.

Algo interessante de se notar é que a renda que tive dos investimentos em setembro foi maior do que o meu custo de vida, ohhh Yeahh! Meu custo gira em torno de 3 mil a no máximo R$ 3 .500 por mês e nesse último mês tive R$ 3.533,57 de renda. Claro que a maior parte foi com opções e a renda passiva veio bem gorda também, mas é legal ver meu objetivo se aproximando cada vez mais, isso já me traz uma segurança tremenda de a partir do ano que vem poder sair do meu trabalho a hora que eu quiser e poder "viver" de renda de investimentos, colocar meus planos de viajar em pratica e tudo mais.

Esses últimos meses comprei mais um pouco de SQIA3, WEGE3 e algumas empresas de urânio, vou começar a fazer a "reserva da multa" que é o dinheiro que vou deixar reservado pra pagar a minha multa quando sair do meu emprego (estou mirando meio do ano que vem, mas planos são planos e podem mudar a qualquer momento).

E é isso, próximo fechamento vai ser o fechamento duplo, trimestral + anual hehe

TR