sábado, 23 de janeiro de 2021

#32 - O Investidor é um Eterno Arrependido

    Para muitos daqui que já investem a um bom tempo provavelmente já conhecem esse ditado "popular" e já deve ter sentido na pele os seus "efeitos", mas pra quem é novo é um grande aprendizado pra se absorver desde cedo, mesmo que não entenda por completo agora.

    O investidor é um eterno arrependido, sim, oh se é meu amigo. O investidor investidorrr mesmo sempre tem aquele leque de opções na sua frente, e sempre são muitas, renda fixa que garante aquela segurança, FII pra garantir aquele mensalzinho, ações de tudo que é gosto, acabou? Não, tem as famosas opções do exterior, simplesmente pegue todas as opções de investimento que temos no Brasil e multiplique por infinito, é isso que você pode achar no exterior, sem falar que não citei outro ativos como imóveis e criptomoedas.

"Ok, mas porque você está falando de opções de investimento, cadê o arrependimento?"

    É aí que entra aquele gostinho de insatisfação, quanto mais opções temos mais indeciso ficamos, quanto mais indeciso mais paralisados e essa paralisia faz com que não tomemos nenhuma ação ou tomemos ações baseadas na quantidade de opções e não nos critérios específicos. O número de opções faz esse arrependimento ficar mais forte, mas ele vem a tona só depois da aplicação.

    Vamos a exemplos pessoais, olha essa história minha: começando com uma ação que eu investi no IPO no final de novembro, a Meliuz, CASH3. Fui lá no homebroke da Clear e reservei 300 ações pra comprar no IPO, por descuido meu não reservei elas com lock-up, então fui no atendente e pedi pra cancelar essa reserva que eu faria outra, ele disse que eu poderia fazendo outra que a antiga já estaria automaticamente cancelada. Blz, então fui lá e decidi investir um pouco mais, reservei 400 com lock-up.

    Saiu o IPO a R$ 10 e quando vou olhar no homebroke eu tinha gasto R$ 6.700, isto é, tinha comprado 670 ações, 300 sem lock-up e 370 com. Fiquei muito bolado porque não queria isso tudo de ação, e a porra da Clear tinha me enganado falando que a segunda ordem cancelava a primeira, fui no atendente e ele disse que como eu ordenei com características diferentes elas não se cancelaram, tinha que ser outra ordem com as mesmas características.

    Ok, bola fora minha e do suporte da corretora, fui lá conserta o erro e vender a ação porque não queria isso tudo de percentual da carteira e vendi 300 ações por R$ 9,50 (sim, 5% de prejuízo) e fiquei de boa.

    Passa dezembro a ação começa a fugetar, 30% num dia, 50% na semana, 100% no mês, resultado, estou eu agora perto do final de janeiro com a ação batendo máxima em R$ 35!!! São mais de 250% de rentabilidade em menos de 2 meses!!

    E o arrependimento? Apesar da grande alegria de estar lucrando muito com a empresa, não deixo de ficar um pouco arrependido porque vendi aquelas 300 ações alguns dias depois do IPO. Já lucrei mais de R$ 9.000 com ela, mas não deixo de pensar nos outros R$ 7.500 que eu deixei de ganhar!! Putz. 

    E sim, todo investidor um dia já deve ter passado por isso, ahhh se eu tivesse investido mais nessa ação que subiu muito, ahhh se eu tivesse investido em Tesla, ahhh se eu tivesse investido em bitcoin na época X, é o famoso eterno arrependimento.

    Mas não é só arrependimento de alegria, o investidor é um eterno arrependido para os dois lados.

    Outro exemplo pessoal, uma das primeiras ações que comprei foi Itausa (ITSA4), que rendeu ok e me deu muitos dividendos, Wege (WEGE3), que subiu muito e meu deu alegrias e aquele arrependimento de não ter comprado mais e M. Dias Branco (MDIA3), uma empresa que comprei com um preço de R$ 50 reais, subiu pra R$ 60 e eu animado enchi o carrinho de novo e hoje ela tá como? Tá na casa dos R$ 30, continuo seguro ela até hoje e depois de tanto tempo ela ainda está muito negativa (50% de queda). "Ohh bendito arrependimento de ter comprado essa empresa, ou de ter colocado tanto dinheiro a mais, porque eu não peguei esse dinheiro e não coloquei em Magalu, Wege e outras?" Sim, esse é o pensamento que passa muito na nossa cabeça, o arrependimento de amargura, de ter feito algo errado, acontece, faz parte do jogo.

    A grande questão aqui é que não podemos ficar brincando de olhar pro retrovisor e ficar de apaixonite ou ódiozinho de isso ou aquilo porque isso é passado, muitos influencer e caçadores de mídia adoram colocar esses exemplos de lucros exorbitantes na tela pra chamar atenção, da mesma forma que muitos outros educadores mais sensatos e responsáveis também realçam os prejuízos que pode ter, mas na minha visão ficar olhando pro passado é ficar querendo se remoer de histórias que não vão acontecer mais. 

    O passado serve pra conta contos, tirar lições e análises pra melhorar o seu presente e consequentemente o futuro, mas não serve pra ficar se arrependendo de decisões feita nele sendo que nem todas as informações você tinha na época.

    Eu já tive minhas fases de arrependimento, mas hoje não ligo muito pra isso, já amadureci o suficiente pra saber que fica arrependido não leva em muitos lugares. Ficar arrependido é normal, até porque, o investidor é um eterno arrependido, mas não é algo que eu me importe mais ou que abale as minhas emoções, não mais.

TR

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

#31 - Mais Outra Forma de Ganhar Dinheiro do TR

Fala meu povo, tudo bom?

    Lendo alguns comentários por aqui e interagindo com o pessoal muitos me avaliam como se eu fosse um empreendedor pois corro atrás de várias formas de ganhar dinheiro e outros como um investidor excêntrico, por também ir para investimentos fora do comum. Realmente, refletindo sobre isso vejo que esses argumentos são verdadeiros e por causa disso pensei em trazer pra cá mais uma forma 
"diferente" de ganhar dinheiro que já venho aplicando a algum tempo e ainda não comentei aqui com vocês, então aí vai.

    Nesse método eu consigo gerar em torno de R$ 170 reais mensais (ou 1,3% ao mês do "capital" aplicado) sem fazer praticamente nada, basta ter as condições pra isso. É uma renda passiva bem passiva mesmo, o valor não é aquele que atrai os olhos, mas pra mim qualquer forma de ganho é lucro, ainda mais agora na fase de acumulação de patrimônio, se for pensar grande são mais de R$ 2000 reais por ano.

    Vamos lá, começar do começo né. Sabe aquela história das milhas aéreas e tal (aqui). Então, desde essa época eu pesquiso bem quais são os melhores cartão de crédito pra mim e qual deles eu poderia ter mais "benefícios". Dessa jornada também já fiz um post, aqui, falando sobre como gosto do Nubank e uso alguns artifícios dele.

    Pois bem, quando comecei a parar de investir em milhas acabei procurando um método de gastar o limite excedente de crédito que eu tinha no cartão, isso com o objetivo de gerar pontos sem na verdade gastar dinheiro, isto é, comprar/gastar algo no cartão, ganhar os pontos, mas esse gasto não é um consumo meu e sim uma forma de gerar uma renda pra mim (como era com as milhas).

    Nessa busca eu achei uma empresa (startup ainda) chamada VirtusPay. Os fundadores dessa empresa visualizaram um mercado que tem mais ou menos a seguinte ideia: existem muitas pessoas com limite disponível no cartão de crédito mas não gastam simplesmente porque não querem gastar, exatamente como eu, que tenho um limite de R$ 11.000 no meu cartão mas só gasto no máximo 2 mil. Da mesmo forma, existe muitas pessoas que querem comprar algo no cartão de crédito parcelado mas não possuem limites pra gastar, por exemplo uma senhora de casa que quer comprar sua TV Sansumg em 12x mas não tem crédito aprovado pra isso. Essa empresa, a VirtusPay, conecta esses dois mundos, faz o pagamento da TV em 12x no meu cartão de crédito, usando um limite que eu não ia usar mesmo, e leva esse parcelamento pro boleto pra senhora, que sai feliz pagando em 12x no boleto. Veja que essa empresa gera valor pra os 3 envolvidos no processo.

    1. Eu/fornecedor de crédito: gasta o crédito que já está liberado e que não ia ser utilizado, ou seja, me beneficia gerando pontos no meu cartão de crédito sem eu ter que consumir pra isso.

    2. Dona de casa/recebedor de crédito: redireciona o crédito pra quem realmente precisa, trazendo a facilidade do parcelamento que o brasileiro tanto ama.

    3. Empresa/VirtusPay: gera valor pros dois lados e ganha fazendo essa conexão, sendo a fiscalizadora do pagamento correto dos boletos.

    Ok, talvez tenha ficado um pouco confuso pra quem não entende bem sobre pagamentos, mas pro meu lado (que é o que importa) é basicamente isso, estou dando meus créditos ociosos do meu cartão de crédito pra alguém usar e recebo o dinheiro desse alguém pra pagar a fatura do cartão.

    Vamos pra parte que interessa então. Como o Nubank Rewards gera 1 ponto pra cada real gasto, então todo mês eu recebo 8900 pontos por ter gasto R$ 8900 com a virtusPay (deixo reservado pra mim R$ 2100 por mês), isso sem contar os meus gastos pessoas. Desses gastos eu apago as minhas contas como já disse nesse post, isto é, tenho um "lucro" ou uma despesa "apagada" na proporção de 80 pontos pra R$ 1, isto é, R$ 111,5. Além disso, o crédito é dado no cartão dividido em 12x, então eu consigo antecipar essas parcelas com o Nubank, gerando mais um adicional de R$ 62,44 como no print abaixo.



    Resumindo, a empresa gasta R$ 8900 no cartão e eu ganho um "crédito" de R$ 112,5, além disso, eu recebo R$ 8900 pra pagar a fatura do meu cartão mas como eu adianto a parcela eu tenho que pagar apenas R$ 8837,56, sendo que a diferença fica comigo.

    Logo, depois de toda essa matemática financeira o que acontece efetivamente é que todo final de mês eu tenho em média R$ 170 reais na minha conta praticamente sem fazer nada.

Porra TR, muito legal, mas e os riscos?

    Bem, o maior risco é o risco de inadimplência do pagador que pegou o crédito, mas isso a empresa cobre, ela é a responsável por avaliar os devedores duvidosos e caso um deles não pague ela paga.

Ok, mas se a empresa não pagar?

    Bem, aí sim temos o real risco da jogada. Daí entrou o trabalho de ir atrás da empresa e ver se vale a pena correr esse risco. Pelas minhas pesquisas eu decidi correr esse risco, é uma startup em pleno crescimento, com reclamações atendidas no Reclame Aqui, já recebeu diversas premiações e estão com uma demanda crescente muito forte, fila de espera deles está absurda, então eu corro esse risco.

    Eu penso nesse método como um investimento de risco alto de R$ 8900 e que recebo algo em torno de 1,9% de dividendo por mês. Pra mim vale o risco porque está dentro do meu perfil, mas talvez pra você não, respeite seus próprios limites.
        
    Bem, tá aí mais uma forma que achei de aproveitar o meu limite do cartão, sei que não é pra todos, precisa ter o limite disponível, precisa do cartão Nubank (ou outro banco qualquer que ofereça essa opções) e precisa ter o cadastro aprovado no VirtusPay, tendo todas essas etapas é só aproveitar a renda mensal "passiva", onde não se gasta nem 1 minuto por mês praticamente, porque é basicamente adianta as parcelas e pagar a fatura do cartão, que no Nubank isso tudo não passa nem de 3 cliques.

    Mais uma malucada do TR hahaha!







quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

#30 - Minhas Estatística de 2020 Operando Opções

Fala meu povo, tudo bom?! 

    Nesse post trago com mais detalhes as minhas estatísticas com opção! Anotei cada opção que vendi e comprei no ano, cada operação, cada detalhe e hoje estou aqui pra aprender com meus erros e acertos e também compartilhar com vocês, vamos aos números então:

    Nesse ano de 2020 eu vendi/comprei exatamente 233 opções, mas falar assim é péssimo porque o que importa é a estratégia (como eu utilizo elas) e o resultado e não o número seco.

    Dessas fiz 69 operações de venda coberta (com puts e calls), sendo que 51 foram resultados positivos com média de ganho de 84% em cada operação (minha meta é 60 a 70%, isto é, passou desse valor de ganho eu já desfaço a operação).

    Deixei ser exercido em apenas 4 operações, que foram altas fortes da VALE, WEGE e PETR.

    Na parte negativa tive 18 operações, sendo que essa contagem é seca (sem contar o lucro da rolagem) e a pior operação foi de -2014%. Aprendi muito com essas disparada da VALE nesse fim de ano pois antes eu tinha na cabeça que só ia olhar as cotações 1 semana antes do vencimento, antes também eu via que a ação entrou em exercício e ficava "esperando" o mercado ter correção pra fazer a rolagem, a VALE subiu 5% num dia e 6% no outro e eu ficava pensando "amanhã ela cai, não é possível!", sendo que esse pensamento é errado, o mercado é soberano e você tem que dançar de acordo com a música que ele toca. O aprendizado então foi que toda opção que entrar em perigo de exercício eu já faço a rolagem ou o encerramento, independente do lucro ou prejuízo da operação no momento.

    Mesmo com bastante prejuízo no final do ano o saldo do ano foi positivo. Sinceramente já estou nessa de opções a 1 ano e pouquinho e meu objetivo era mais aprender e me analisar pra só a partir do segundo ano de experiência começar a ter lucros consistentes, mas claro, lucro antes disso é sempre bem vindo.

    Continuando, desses tanto de opções que operei fiz 12 operações de taxa, sendo que todas com lucro, sendo exercido apenas em duas.

    Na estratégia de travas fiz poucas travas de crédito, decidi explorar essa estratégia mais pro final de ano e o total foram apenas 6 travas de crédito realizada, sendo também todas com lucro.

    Somando todas as estratégias que usei então (venda coberta de call e puts, operação de taxa e trava de crédito) tive uma renda "extra" no ano de 7,4% no ano, ou aproximadamente 0,6% por mês. Esse dividendo extra é excelente porque consigo ter uma "previsão" de renda "passiva" sem ter que ficar dependendo dos dividendo de fato das empresas.

    Vamos as taxas agora, como vendi muita opção paguei muita corretagem certo? Pior que não, pois das 233 opções compradas/vendida não paguei pra lançar nenhuma pois opero com a Clear e lá a taxa é zero, PORÉM a taxa de exercício deles é muuuuuuito salgada, são 0,5% por exercício. Com isso meus gastos com taxas neste ano (já retirados do lucro total) foram de 249,23 reais. Se fomos dividir dá um pouco mais de R$ 1 de corretagem por opção, não é um preço caro. Tem corretoras que não operam com a taxa da tabela bovespa mas cobram R$ 1,5 ou R$ 2,99 e por assim vai. Eu não vejo grande diferença em pagar isso ou aquilo (além do fato de ter que correr de alguns exercícios), mas eu prefiro operar na Clear porque o sistema de garantia deles é muito bom e dinâmico e as das outras corretoras é muito chato, tem que fica ligando na mesa de operação ou falando com o suporte, eca! tô fora!

    Bem, esse é o resumo das minhas estatística com opções no ano de 2020, acho que são dados que servem mais pra mim do que pra vocês, mas acho que deve auxiliar alguns que estão pensando em entrar nesse mundo.

    Reforço que cada campo que você quer investir ou tomar algum risco deve ser estudado antes e TEM que aceitar as peculiaridades do ramo. As opções são ferramentas sensacionais, mas cada um usa do jeito que achar melhor, vi uma frase muito boa que diz agora parecido com "opções são como ferramentas, como uma enxada, pode ser usada pra capinar um terreno e lucrar com isso ou pode ser usa pra bater numa pessoa e ser preso" (no caso o risco de ruína).

    Vou indo nessa, bjs de longe e toques de cotovelo =)

TR




quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

#29 - Fechamento Anual! Como foi meu investimentos em 2020?

Falaaaaaa meu povo, tudo bom? 

    To sumido daqui, foi mal, correria de dezembro como sempre, mas sem fechamento anual eu não deixo vocês sem rsrs.

    Vamos direto aos números e as reflexões que hoje tem bastante coisa pra atualizar, lembrando que aqui vai ser apenas investimentos, depois faço outra reflexão de 2020 sobre vida pessoal e outros.

    Rentabilidade dos investimentos em 2020: 21,2%

    Crescimento patrimonial (Aporte + rentabilidade) em 2020: 81,3%

    Destaques do ano:

1º) Bitcoin, com uma valorização anual acima de 250% e histórica da minha carteira de 720%.

2º) PetroRio, com uma valorização anual acima de 240% e histórica da minha carteira de 380%.

3º) CardSystem, com uma valorização anual acima de 94% e histórica da minha carteira de 123%.

4º) Vale, com uma valorização atual acima de 93% (comprei apenas na desvalorização da catástrofe de Brumadinho e nos Circuit Breakrs de março.

5º) Investimento em Urânio, com uma valorização histórica de 72%.

6º) IPOs, vou falar mais abaixo.

    Pontos positivos do ano: Esse ano tive vários acertos, mas acho que o principal foi não ter ficado com medo nas quedas históricas de março e abril e, além disso, ter uma reserva de oportunidade pra comprar diversas empresas naquela época. Vendi lá? Vendi, eu tinha cotas do fundo Alaska que caiu mais de 70% e decidi me desfazer dele pra fazer minhas próprias compras. Comprei ITSA4 a R$ 8, comprei VALE3 a R$ 30, comprei SQIA3 há R$ 13, comprei PRIO3 a R$ 12, R$14, R$ 15. Fui as compras mesmo, comprei tudo que já estava na minha carteira, comprei de tudo um pouco e de algumas muito hehe.

    Outro acerto DO ANO mas que ainda não posso comentar muito porque ainda falta muito caminho pra esse investimento é ter colocado mais dinheiro na tese do urânio. Já vinha investindo desde começo de 2019 mas refiz os estudos em 2020 e basicamente dobrei minha posição. Continuo firme na tese, até o Brasil-sil está injetando dinheiro em Angra 3 hehe, a cada dia que passa a tese se reforça mais ainda pro lado positivo.

    Outro acerto DO ANO que também não posso falar muito é o Bitcoin. Tenho BTC desde 2016 e continuo segurando ele, esse ano li mais livros sobre essa tecnologia e cada vez me fixo mais em segura ele por um bom tempo. Fiz mais algumas compras esse ano mas não foram grandes aportes.

    Outro grande feito foi ter estudado e analisado mais os IPOs. Sério, fico meio pra baixo quando muita gente critica os IPOs falando que não se deve entrar. Bem, investimento é pessoal e na minha visão ficar fora de alguns IPOs é o mesmo que perder oportunidades, não é não Aposente Cedo em AirBnb?! Esse ano entrei em 4 IPOs, foram eles: Petz, Ambipar, Meliuz e Aeris. Desses todos estão positivos (é bull market então não é mérito meu) com destaque pra CASH3 e pra AERI3 que subiram mais de 50% em 1 mês.

    Por fim, não é um destaque, mas continuo firme e forte e ganhando experiência nesse ramo é com as opções. Apesar de perde grande parte da valorização da VALE3 e da WEGE3 nesse fim de ano e ter amargurado um prejuízo de mais de R$ 3000,00 sigo firme com minhas venda cobertas e em algumas travas, saio positivo com opções e mais animado ainda com essa modalidade de investimento.

    Agora vamos pros destaques negativos né hehe

1º) Comprei IRBR3 a R$ 15,00. Já tinha analisado a empresa, já tinha comprado e já tinha vendido ela com um bom lucro. Quando ela caiu muito eu não pensei e nem analisei muito, meu cérebro falou pra mim "é uma oportunidade, compra!!" e eu fui e comprei um lote. Bem, vendi ela a R$ 7,00 ciente do meu erro e do aprendizado que levei com isso.

2º) Coloquei na cabeça que comprar uma cota de um fundo é comprar a cabeça do gestor. Gosto muito do Henrique Bredda e do Fundo Alaska e comprei nessa mentalidade, mas eu vi que eu sou muito ativo, eu gosto de analisar e comprar, gosto de remanejar então um ponto negativo foi ter investido no fundo dele sem ter perfil pra isso, eu fui contra o meu perfil de investidor e o resultado foi amargurar 40% de prejuízo quando vendi as cotas. Aprendizado.

3º) Finamente amargurei "prejuízo" na venda coberta, foram meses e meses só positivo mas quando ele veio ele veio forte. Fiz venda coberta de VALE, PETR e WEGE e as 3 subiram forte nesses últimos meses e vi minhas opções vendidas custarem caro pra ser recompradas. Decidi aprender com isso e de agora em diante quando o valor da ação bater o strike já vou rolar, não vou ficar a mercê do mercado. Além disso, apesar dessa episodio aparentar prejuízo, na verdade eu lucrei com todas as operações, eu só deixei de lucrar mais, como foram strikes OTM acima de 10% de valorização eu ganhei legal, mas não deixa de ser um sentimento ruim quando vai recomprar as opções ou entregar as ações por R$ 65 quando valem R$ 80 hehe.

4º) Continuo gastando muito tempo com esse hobby, prometi que ia diminui meu ritmo de imersão nos investimentos mas na verdade só diminui o ritmo de livros, continuo lendo muito, acompanhando muito e vendo muito conteúdo sobre. Desejo me força a diminuir mais ainda esse convívio diário com esse ramo de conhecimento.

    Vamos pras ações que andaram de lado esse ano:

    MDIA3 (MDias Branco) , famoso "erro" de 2016 que carrego até hoje, só patina essa aí. CRFB3 (Carrefour) que caiu bem com as últimas notícias (comprei mais hehehe) e, por último, FLRY3 (Fleury) que também está patinando, mas continuo firme nela.

    Apesar de toda essa reflexão esse ano eu fico mais feliz e contente não é com a minha carteira, mas sim com as pessoas que ajudei a entrar nesse mercado. Em abril eu criei meu canal de YT e ,apesar de estar parado agora, conheci muita gente que consegui ajudar e pude sentir a gratidão deles. Fora das redes sociais eu ajudei no total de 10 amigos e familiares a investir mais. A maioria deles ensinei desde o básico de renda fixa até o iniciozinho (ou mais) de renda variável e trilhei os caminhos que eles deviam seguir. Um deles é um grande amigo meu que ajudei até a definir as porcentagem da carteira dele e onde deveria aporta, recebe o agradecimento deles em dezembro agora (todos felizes com essa alta maluca) é muito gratificante, mas sempre alerto pra eles ficarem espertos porque renda variável NUNCA é uma reta pra cima. Além disso também estou gerindo a carteira da minha irmã e da minha afilhada (tem 2 meses agora e vamos entregar o dinheiro com 18 anos) e já estou ajudando outros conhecidos (minha prima até fala pra eu abrir uma assessoria oficial hahaha).

Bem, é isso, espero que estejam todos bem e já deixo um Feliz Ano Novo pra todo mundo e foco e disciplina nas suas vidas. Façam o de sempre aí embaixo, comentem, critiquem, elogiem, tenho sempre mais a aprender com todos vocês.

Abraços a todos!

TR

PS.: Na verdade eu só queria levar mais gente pro mercado pra B3 ganhar mais com isso e eu ganhar mais com ela MUAHAHAHAHA!





quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

#28 - Correria e indicação de Vídeo

Fala meus caros, tudo ótimo?

    Por aqui tudo bem, muitas novidades na minha vida, mudança de cenário, correria e ansiedade pra todo o lado, com isso não consegui acompanhar o blog dos amigos e nem sequer pensar em postar nada aqui hehe.

    Fico feliz pelo momento que estou passando apesar de ser uma jogada de alto risco envolvido, mas não estou inseguro ou com medo disso, na verdade fazia tempo que não ficava feliz assim só por ficar, não vou fazer muito mistério aqui, depois conto melhor, mas basicamente a demissão saiu.

    Passei aqui rapidinho pra deixar poucas palavras mesmo e indicar um vídeo que gosto muito e que já assisti há muito tempo, mas ele sempre fica na minha cabeça, seja esse sobre a reflexão da felicidade ou seja sobre a humanidade (muito bom também).


    Gosto muito do estilo de crítica desse artista, vou aproveitar e deixar outro vídeo rápido dele sobre a pandemia, pra quem tiver boiando é bom assistir ao vídeo chamando MAN dele.


    Final do ano chegando, famoso fechamento anual a caminho hehe. Já me adianto aqui e desejo boas festas, bom fim de ano para todos e um belo de um 2021, não exagerem na criação das metas hein rsrs.

Até mais

TR

sábado, 5 de dezembro de 2020

#26 - Meu Racional de Investimento: Itaúsa

Fala povo, tudo nos trinqis?

    Vou começar a revelar aos poucos a vocês a minha carteira e o meu racional do porque cada ação está na minha carteira e o que eu acho de cada empresa, além da expectativa em cima dela e tudo mais, um pouco parecido como eu fiz com a tese do urânio (aqui, aqui, aqui e aqui), mas só que em empresas e um pouco mais resumido, que é a forma que faço pra mim mesmo pra manter minhas decisões registradas. Esse posts de "Meu Racional de Investimento" não serão análises, serão post s que demostrarão as minhas decisões pessoais. 

    Pro primeiro post desse formato vou trazer a empresa que mais tenho em carteira. Ela é famosa por ser um das queridinhas do mercado, estou falando da Itaúsa, a holding controladora do gigante Itaú.

Quais são os meus sentimentos com a governância? 
    A itaúsa é um holding e isso já me traz uma certa segurança porque a principal função dela é ter uma ótima gestão para administrar as suas controladas e eu acredito bem que eles são bons nisso, tanto pela história da empresa quanto pelo que eles demonstram nesses anos que sou acionista (a compra da Alpargatas se mostrou uma decisão de sucesso). O alinhamento deles é realmente para o longo prazo, com objetivos claros de ser uma holding geradora de caixa no futuro. Gosto dessa visão e gosto do que vejo lá na frente caso isso aconteça, porém, nem tudo são flores, acabo ficando um pouco decepcionado com a governância dela pois eles ainda não são listado no novo mercado, mantendo a velha estrutura de ações PN, que inclusive são as que eu tenho. 

Quais são os meus objetivos? 
    Dividendos. É uma ação com baixa valorização das ações e por isso não espero lucros na cotação, apesar dela valorizar bem uma vez ou outra. Tenho uma expectativa de dividendo de 6 a 7% ao ano daqui alguns anos e o YoC aumentar consideravelmente a partir do quinto, sexto ano. Nesse quesito ela não vem me decepcionando, sendo que consegui próximo disso todos os anos exceto o atual.

Eu entendo como ela ganha dinheiro? 
    O modelo de negócio é relativamente simples, mas o acompanhamento é um pouco chato caso queira ir fundo. O modelo de negócio é gerenciar ativamente as decisões das empresas controladas fazendo elas serem boas empresas geradoras de caixa, esse caixa seria retido para novas aquisições ou para distribuição de dividendos. A itaúsa raramente segura os lucros, sendo que quando está interessada em uma empresa pra aquisição ela fez emissão de dívidas ou alguma pouca retenção dos lucros ao longo dos trimestres. Ela não tem pressa na aquisição, sempre procurando empresas maduras e já boas geradoras de caixa.

Qual é o racional do investimento? 
    O racional em si é ver a itaúsa lá na frente como uma holding bem diversificada cada vez mais longe dos resultados do itaú. Sua dependência atual é de 94% dele, mas já foi 97%, depois 96% e depois 95%. Acompanhar essa diminuição mostrará se a empresa está mesmo querendo se distanciar do itau ou não. Quanto mais distante e mais diversifica ela ficar, melhor, e essa diversificação virá com aquisições de empresas maduras e geradora de caixa.

Como considero meus conhecimento sobre a empresa? 
    Apesar de itausa ser uma queridinha do mercado ela não me empolga tanto pra ficar avaliando ou me aprofundando nela, considero meu conhecimento mediano ou fraco, pois não me aprofundo nos resultado das empresas controladas.

Como acompanharei os resultados? 
    Anualmente, itaúsa não tem muitos novidades e a maioria eu fico sabendo pelos fatos relevantes. Nos resultados anuais eu devo verificar o desenvolvimento do ano, as expectativas junto ao crescimento do lucro e dos dividendos e da geração de caixa.

Porque estou entrando no investimento? 
    Ela é uma das melhores empresas da bolsa em questão pro longo prazo por causa da sua constância no crescimento e nos dividendos. É uma empresa resiliente, com grande previsibilidade de receita. Apesar da inércia pro crescimento ela não está totalmente parada. Ela está inserida no setor financeiro, o setor com maior lucro no Brasil e é controladora direta do banco com maior rentabilidade do mundo, tendo também uma sólida base financeira.

Quais os pontos pra saída do investimento? 
    No momento que itaúsa sinalizar que não quer mais crescer via aquisição ou continuar sendo apenas uma holding do itaú o interesse pelo investimento muda bastante e a bandeira de saída talvez tenha que ser levantada. Se isso acontecer, avaliar se vale a pena manter-se no investimento pros dividendos futuros esperados.

Quais os riscos? 
    O maior risco que vejo é o risco itaú, se ele vai mal ela vai mal, se ele vai bem, ela vai bem. Há também outros riscos menores como as aquisições, que é bem mitigado pela maturidade que a gestão tem e pelo próprio objetivo da empresa de procurar apenas outras aquisições maduras. Outro risco é o risco holding, tento impacto forte caso haja a famosa tributação dos dividendos (tributação dupla). Outros riscos considero pequenos e nada incômodos para mim.

Cara ou barata? 
    Faço a análise do preço de Itaúsa via modelo de Gordon. Coisa simples e rápida, apenas pra ter parâmetro de referência. Meu CAPM particular é de 12,68% (1% ao mês) com taxa de crescimento perpétuo de 6%, dando um preço justo de R$ 13,60, sem aplicar margem de segurança ainda.

Bem, esse é o meu racional de investimento em itaúsa. Atualmente tenho 2300 ações dela, com preço médio de R$ 10,82 nas compras (nunca vendi nenhum ação) e já recebi mais de R$ 2500 em dividendos e mais de R$ 1100 reais com opções, é um investimento que acho importante ter, apesar dela não ser nem um pouco próxima do meu perfil de investidor (sou mais elétrico haha)

Aos poucos vou trazendo as outras empresas e os seus racionais, comentem a vontade sobre as minhas anotações, quanto mais informação, discussão e ideias, melhor. 

Até mais.

TR

sábado, 28 de novembro de 2020

#25 - Sou escravo do dinheiro? Um pouco da minha história com o dinheiro

Eu nunca fui pobre pobre mesmo, mas sim de uma família humilde. Sempre tinha comida na mesa, mas não tinha o que eu queria. De vez em quando algumas regalias, carnes melhores, sucos de fruta em vez de saquinho, não era uma vida pra se reclamar, mas eu reclamava.

Porque?! Porque é inevitável você se comparar aos seus amigos.

Porque ele pode ter aquele brinquedo e eu não? Porque ele consegue comprar lanche na escola e eu só fico de pidão? Porque quando eu vou na Lan House não jogo, só fico olhando e mendigando "5 min" dos meus amigos? 

"Porque não temos dinheiro", minha mãe respondia, "quando tiverem dando dinheiro na esquina eu pego!".

Essa resposta não me conformava de jeito nenhum. Ela me dava dinheiro pra levar no domingo 8h da manhã pra depositar numa caixinha pro padre, porque pra ele tem dinheiro e pra mim não? Foda-se o padre, fico com o dinheiro pra mim. No começo eu ficava só com metade, mas só metade não comprava o pedaço de bolo na saída da igreja, passei a ficar com tudo.

Da minha casa pra escola eu tinha que pegar um ônibus, mas pagava meia por ser estudante. Mas se eu não precisasse pegar o ônibus, com quem ficava o dinheiro? Passei a voltar andando pra casa, demorava, suava muito, chegava com as pernas doendo, mas era o suficiente pra economizar 30, 40 centavos da época, que se juntasse dois ou três dias já conseguia jogar 1 hora de CS na lan house.

E a vida foi seguindo assim, eu tentava arranjar dinheiro da forma que fosse, mas nunca era suficiente. Meus amigos sempre tinham mais coisas, podiam comprar picolés, tinham jogos, bonecos maneiros, só aqueles centavos que eu economizava da passagem ou o único real que eu roubava do dízimo não me satisfazia. 

Então comecei a roubar dos meus pais, primeiro furtando o cofrinho do meu pai. Ele tinha um pote de moedas que colocava o troco do ônibus, era só não limpa tudo que ele não ia perceber. Depois disso comecei a roubar da bolsa da minha mãe, no começo só moedas, mas depois me aventurei nas notas de 1 real até as de 5. 

Me orgulho disso? Acho que não, mas mostra bem meu complexo de inferioridade que tinha com meus amigos e minha tentativa de fugir disso. Mostra também da onde veio minha busca insaciável por dinheiro desde a infância, quando se começa a ser ambicioso desde cedo assim, fica claro que lá na frente algo psicológico vai ser afetado.

Até que chegou o ensino médio e eu comecei a fazer minha própria grana com meu império de chocolate, começou a cair muito dinheiro e eu não estava acostumado com isso. Podia lanchar de manhã e de tarde na escola sem problemas, podia para de comer no bandejão e ir em locais mais fartos, podia comprar o que eu quisesse. Mas acontece que não sai comprando que nem um desesperado, eu simplesmente matei minhas vontades momentâneas e guardei o dinheiro, e fui guardando.

Comecei a trabalhar mais pesado, oferecendo minha mão de obra pra carregar coisa e dando sorrisos sinceros como garçom, toda sexta, sábado e domingo eu estava na luta. Comecei a estagiar também, e logo depois a ganhar mais ainda como técnico, eu trabalhava os 7 dias da semana, levantava cedo e ia dormir muito tarde. Isso tudo deu resultado, não saia com amigos, não me divertia. mas com 18 anos a minha visão era que estava "chovendo" dinheiro, paguei minha auto-escola e comprei um PC decente, mas meus gastos grandes não fugiam disso, apesar de correr atrás de dinheiro eu nunca fui consumista, não me importava com roupa ou tênis de marca, nem com status social ou algo do tipo. Lógico, tive todo desejo de um jovem brasileiro de ter um carro, mas sabia que isso estava longe da minha capacidade, então eu guardava mais ainda a grana que sobrava.

Nessa época comecei a pesquisar sobre investimentos, mas não por muito tempo pois do nada decidi que ia pra Fortaleza-CE estudar pra um concurso muito difícil, estava trocando meu trabalho de técnico que ganhava muito bem mais a minha vaga na faculdade de engenharia elétrica por um outro sonho, e pra esse sonho eu precisava de dinheiro.

Gastei todas as minhas economias nesses 2 anos estudando em fortaleza, mas valeu a pena. Passei no vestibular e fui viver o tal do sonho. No começo toda aquele dificuldade de jovem sem dinheiro voltou, mas pelo menos viver nesse novo habitat era super econômico, gastava pouco, coisa de R$ 300 por mês, eu não saia, não ia em pizzaria nem em festas, ficava restrito ao meu quartinho jogando no PC e conversando com amigos. Dava algumas aulas e fazia alguns bicos, aos poucos fui restabelecendo meu patrimônio, fiz estágio nas férias do meio do ano, depois fiz mais um estágio de 3 meses nas férias do segundo ano, depois mais outro estágio e assim foi indo, até meu terceiro ano de faculdade eu basicamente nunca tinha tirado férias mesmo, todo período sem aula eu estava no campo de batalha no time do dinheiro. Até que, Boom! Estourei!! Consegui um emprego que me pagava R$ 6000/mês! Six fucking thousand por mês maluco!! O que eu vou fazer com tanta grana? 

Sim, tive os meus momentos de consumidor, mas logo percebi que eram coisas pequenas. Gastei com aquelas pizzas que ficaram na vontade, gastei com besteiras pequenas, quase todas comida, gastei na troca do meu celular, na compra do meu novo notebook, mas ainda sim sobrava, e ainda bem que sobrava rsrs. Sai de uma vida que gastava R$ 500 por mês pra gastar R$ 1500, mas mesmo assim sobrava R$ 4500. É hora de investir!

Acho que desse ponto até aqui alguns de vocês já sabem o resto da história, até explica um pouco o meu grande interesse por investimentos. Mas onde eu quero chegar com toda essa reflexão sobre a minha vida?

Refletindo comigo mesmo e agora com vocês, eu percebo que eu nunca fui consumista, nunca fui um capitalista louco atrás de mais pertences, não sou acumulador e essa pandemia foi excelente pra mim reconhecer isso de mim. Eu fico brincando comigo mesmo que se eu ganhasse na mega-sena hoje, acho que daria uns milhões pros meus familiares se ajustarem na vida e guardaria o resto, ou melhor, investiria o resto. Talvez comprasse uma casa ou um carro?! Talvez, mas sem dúvida nenhuma uns 80% eu iria guarda.

Não sou consumista, na verdade sou muito simples, tenho a famosa simplicidade voluntária, ou em termos modernos, sou minimalista. Não junto dinheiro pra comprar algo específico ou vultuoso, junto porque sobra e porque assim me disciplinei a fazer. Refletindo nessa pandemia eu acabei invertendo os papeis, eu achava que era escravo do dinheiro, que era um perseguidor nato, porque quase tudo que eu fazia tinha dinheiro envolvido e porque quanto mais melhor. Mas eu estava enganado, não sou escravo dele, e sim tenho ele a meus mandos, a minhas ordens, e é justamente isso que vou fazer.

Não faz mais sentido pra mim ficar trabalhando num emprego em que eu não tenho prazer em exercer apenas por dinheiro, não faz mais sentido pra mim ficar numa posição social só pra acumular mais e mais. Acumular é bom, mas temos que fugir da síndrome do tio patinhas que nós investidores temos: "vou juntar só mais um pouquinho". Eu já tenho dinheiro suficiente pra sobreviver uns 5 a 6 nos sem trabalhar, com perspectiva de prolongar pra 10 anos se os investimentos renderem, então porque continuar numa vida que não faz mais sentido pra mim?

Desde que eu tenho dinheiro sobrando eu só gastei muito apenas 3x na minha vida (os empréstimos pros meus pais não conta). Um foi meu notebook, que é gamer e dos bons, gastei R$ 5200, valeu a pena? Sim, mas o prazer de possuir ele já passou a muito tempo. Os outros dois foram R$ 5500 numa viagem pro Chile (Santiago, Farellones e Atacama) de 2 semanas, PQP! Que viagem, inesquecível! fiz no quarto ano da faculdade, o mosquito viajante me picou aí. E o maior gasto que já tive foram R$ 8900, um mochilão de 25 dias na Europa (Londres, Paris, Bruxelas, Amsterdã, Hamburgo, Berlim, Munique), outra viagem inesquecível que fiz no quinto ano da faculdade. Fico pensando, se eu tivesse todo dinheiro do mundo, o que eu faria? Ou melhor, se dinheiro não fosse problema, o que eu faria?

Refleti, pensei comigo mesmo e me decidi. Vou "larga tudo" pra experimentar vivências novas, viajar e conhecer novas culturas, pessoas, lugares e por assim vai. Vou "larga tudo" pra procurar o que eu gosto e conviver mais com minha família (são mais de 10 anos longe), meus amigos mais próximos e de todas as pessoas que me importo. Isso vale muito mais, mas muito mais mesmo, do que acumular mais dinheiro e ter tantos reais de renda passiva daqui 20 anos, não vou doar 20 anos da minha vida só pra ter esse conforto, essa segurança. Mas também não sou ingênuo ou irresponsável, ora essa, eu não tenho compromissos nem ninguém que dependa de mim, sou eu por minha conta, sou independentes, sou jovem e tenho plena saúde, tenho os privilégios que a vida me deu pra fazer isso e, principalmente, não sou escravo do dinheiro, não mais, então porque não fazer?!  

Pois é, minha data de demissão já está marcada, só me resta esperar e aproveitar o caminho, o processo, porque como um frase reflexiva que li num livro que não lembro mais qual é: "Não espere se aposentar para ser feliz. Viva no presente".

TR