quinta-feira, 24 de setembro de 2020

#18 - Tese do Urânio - Porque o preço está baixo?

Olá meus amigos, vou continuar escrevendo um pouco mais sobre a tese do urânio, como vou fazer mais alguns aportes eu fiquei com vontade de destrinchar mais sobre essa tese e reforçar ideais que tenho e ir atrás de visões que não tenho, entre outras coisas e creio que escrever sobre ela atraia mais insights e discussões sobre o tema. 


Pra quem não viu o primeiro post é só clicar aqui.

Esse é o primeiro de uns 3 ou 4 post sobre os principais temas da tese de investimento em urânio, nesse post vou falar o porque o preço está consideravelmente baixo, nos próximos vou falar porque ele deve/tem que subir, no outro vou dizer porque é uma oportunidade tão única, assimétrica e tentar descrever os riscos e no último (talvez) vou falar como investir e as dar noções de algumas empresas do setor.

Vamos ao foco então desde post: Porque o preço do urânio está tão baixo?

Primeiro, pra falarmos que algo está baixo esse "baixo" tem que ser relativo a alguma coisa, pode ser aos preços antepassados, já que atualmente o preço está por volta de USD 30 e já teve acima de USD 100, ou pode ser em relação aos próprios mineradores de urânio, que trabalham ABAIXO da linha de lucro da mineração, o lift cost, isto é, o preço que a mineradora gasta pra ir lá na mina, achar o urânio, extrair ele, mitigar os riscos, transportar, e tudo mais, o preço disso tudo. As mineradoras que tem o menor lift cost tem ele por volta de USD 40. Então sim, o preço atual do mercado está baixo, porque as mineradoras estão PAGANDO pra extrair, estão tendo prejuízo, e é um dos principais motivos que podemos dizer que o preço está baixo sim.

Ok, tirando relatividade de preço de lado, porque chegou a esse patamar? Como chegou?

Pra isso precisamos nos concentrar nos fatos históricos e também entender que a dinâmica de preço de uma commodity é simplesmente oferta e demanda. Se tem muito minério de ferro no mercado, a oferta é alta e o preço baixo, se tem pouco arroz, oferta baixa e preço alto, se todos os carros a combustão instantaneamente virarem carros elétricos, então a demanda do petróleo abaixa e o preço também. Num mercado cíclico tudo é oferta e demanda e não é diferente com o mercado de urânio.

Vamos lá, qual é a utilidade do urânio? Ele quando enriquecido pode produzir energia elétrica em usinas nucleares e quando mais enriquecido ainda pode produzir armamento nuclear. Então temos que analisar essas duas demandas por urânio pra entender a dinâmica do preço.

Fato nº 1 - muita mineradora, pouco consumidor
Não pretendo dar os dados todos certos aqui, até porque estou redigindo esse texto de cabeça, pra quem tiver mais interesse é só fazer sua própria busca, mas o primeiro fator pra falar porque o preço baixo é o fato de que tinha muita mineradora no mercado e pouco consumidor de urânio. Isso foi devido ao boom de 2006 (que não tem nada a ver com o mercado de ações comum e a queda em 2007) e isso trouxe muitas empresas pro ramo, mas o fato é, estamos em período de paz (logo, pouca demanda de armamento) e as usinas que foram construídas não consumiam todo o urânio produzido. Resultado: muita oferta, pouca demanda, preço pra baixo. Em 2010, 2011 mais ou menos tinha mais de 600 mineradoras no mercado, com o preço baixo e com a ineficiência e a falta de investimento de muitos empresários, muitas dessas empresas faliram, restando por volta de 40 empresas. Isso é o verdadeiro ciclo de mercado na veia, em que épocas de vacas gordas muitas empresas entram pra lucrar, o produto é o mesmo (por isso é commodity) e a diferença pra uma empresa boa e uma má é a eficiência na produção, com a baixa do preço devido a alta produção as empresas com menores fôlegos vão falindo e sobrando só aquelas muito resiliente.

Preço do Urânio desde o boom de 2006


Fato n° 2 - Programa Megatons to Megawatts 
Esse programa foi uma parceria entre a Russia e os EUA com o objetivo de realizar parte do desarmamento da Russia (arsenal atômico) e vender esse urânio enriquecido remanescente pros EUA, sendo um ótimo acordo pros dois lados, já que o material bélico é desativado, não caindo nas mãos de terroristas ou sendo usado, os EUA saem felizes, garantindo mais combustível para suas usinas (cerca de 20% da matriz energética dos EUA é nuclear) e desarmando sua "arqui-inimiga" e a Russia lucra com a venda do urânio. Mas quem não sai feliz com essa história? As mineradoras claro, já que "brotou" um novo vendedor de urânio no pedaço, fazendo ter ainda mais urânio no pedaço e fazendo pressão no preço pra continuar baixo ou cair ainda mais.

Fato nº 3 - Acidente "nuclear" de Fukushima
Por volta de 2011 creio eu houve o acidente nuclear da Usina de Fukushima, no Japão. Nuclear está entre aspas porque na verdade não foi uma acidente nuclear, e sim um terremoto/marremoto que atingiu o Japão e, claro, a estrutura da usina. A estrutura da barragem foi destruída (a Usina é construída perto do mar por causa do sistema de refrigeração do núcleo) e houve danos perto do núcleo do reator que fez com que a água que circulasse por lá fosse radioativa e afetasse o solo (ou as pessoas) que tiverem contato. Esse acidente ambiental teve muitas mortes e alto impacto negativo pra humanidade, porém, não houve vítimas diretas da Usina, ela foi devidamente isolada e posteriormente a água radioativa também. Não vou discutir a parte ambiental ou a possível ou não contaminação dos habitantes pela radiação, mas o fato é que por medo do pior ter acontecido o governo japonês acabou recebendo muita pressão midiática e de ambientalistas e acabou decidindo fechar a usina (hoje a história já é outra). A consequência disso vocês já devem imaginar, foi uma facada dupla no mercado de urânio, pois ao mesmo tempo que o mundo perdia um dos principais consumidores de urânio, também ganhou um potencial vendedor, já que a usina tinha anos de combustível estocado e foi a mercado vender esse resto e, de novo, pressão pra baixo nos preços.


Acidente na usina de Fukushima

Fato nº 4 - Contratos de urânio
Esse fato na verdade nem é um fato, é mais uma informação. É importante entender como o urânio é comprado pelas usinas pra entender porque teve um período tão grande de preços baixos. O urânio é comercializado em contratos, isto é, eu, uma usina produtora de energia tenho o objetivo de comprar urânio, como eu quero garantir um funcionamento longo da minha usina vou logo é comprar um estoque de 10, 15, 20 anos de combustível. Então eu vou nas mineradoras e faço contratos de compra da forma que aquela mineradora tem a obrigação de me atender por todo esse período e, como dá pra ver nesse situação, a negociação de fato foi feita apenas uma vez (ou próximo disso, mas vamos simplificar). Como são poucas usinas (os números estão aumentando muito mas ainda são relativamente poucas) então o número de negociações é baixo e só irei negociar de novo quando tiver acabando meu estoque ou meus contratos (há dois tipos de mercado, mas pra simplificar não vou falar sobre eles). Portanto, desde a última leva de contratos (no boom de 2006 mais ou menos) não houve grande volume de urânico nas negociações até então, são todas negociações relativamente pequenas (mercado spot) pra ajuste de produção de energia. Se não há grandes negociações no mercado há pouca demanda e, de novo (tadinho desse preço, só apanhou rsrs), preço pra baixo.

Desculpe se a explicação ficou muito técnica ou confusa, mas é porque essa não é uma tese pra iniciantes e nem intermediários da economia. Esses são alguns fatos e talvez os principais do porque o preço do urânio permaneceu baixo todo esse tempo, é importante estudar e entender todo o cenário pra o investidor ter noção do risco do investimento. Como eu disse lá no começo do post, tudo se resume a um único conceito econômico: oferta e demanda, mas sabe o porque a oferta está alta e o porque a demanda está baixa é importante e é por isso que trouxe esse tema primeiro. 

Mas se agora tem poucas mineradoras no mercado, se o programa de desarmamento nuclear já acabou, se as usinas no japão estão sendo reativas e no mundo inteiro outras centenas estão sendo construídas e, por fim, se essas usinas estão indo as compras fazer estoque o que acontece no preço? Mas ainda, se não tem produção suficiente pra atender a todos, o que acontece? É isso que vou tentar explicar no próximo post rsrs.

Bem, espero que não tenha ficado muito confuso, acabei escrevendo tudo de cabeça pois os arquivos da minha pesquisa não estão nesse computador, se tiver avisa aí nos comentários que me esforço mais no próximo. Comentem aí o que vocês acham, estou em busca de argumentos pra discussões mesmo.

Abraços e até mais.

TR

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

#17 - Seu dinheiro ou sua vida? Meu indicador de IF preferido!

Fala pessoal, blz?!

Estou um pouco sumido mas é aquela combo: nada pra comentar, trabalho puxando e falta de motivação.

Acontece que do nada hoje deu uma vontade de ler uns blogs e acabei tendo a vontade de divulgar um dos meus "indicadores" que peguei emprestado de um livro bem famoso dos States.

Não sei se quem ler o meu blog é das antigas ou se ler os blogs gringos, mas um com muita referência e revolucionário do movimento FIRE nos EUA é o Mr Money Mustache e por causa dele conheci o livro chamado Your Money or Your Life, um livro sensacional que fala sobre todo esse processo de independência financeira que tanto abordamos na finasfera. 

Mas não vim falar muito sobre o livro (inclusive fiz um resumo dele no meu canal, vou deixa o vídeo no final pra não atrapalhar a leitura) e sim de um dos indicadores que ele me apresentou lá em 2014 e quando eu li fui logo aplicando na minha vida: o indicador tempo.

Um dos motivos de eu querer ter a minha independência financeira era justamente ter tempo pra fazer o que eu quisesse sem ter a pressão de ter que fazer dinheiro ou agradar alguém. Confesso, eu sou apegado ao dinheiro, mas ultimamente estou me distanciando dessa ideia, meu objetivo está sendo chegar cada vez mais rápida na IF e já viver de rendimento, não penso ter a liberdade financeira em si.

Pra quem não sabe a diferença, uma pessoa independente financeiramente é aquela que tem o custo de vida bancado pelo rendimento dos seus investimentos (meu custo de vida é baixo, não sou nada materialista e muito minimalista), então pretendo logo quando chegar nessa etapa já larga o emprego (não falta muito). Liberada financeira é aquela pessoa que é muuuuito mais independente financeiramente, é aquela pessoa que não precisa de preocupar se o arroz está caro ou se limitar a X viagens por ano, se ela quiser ela vai e faz sem ter peso na consciência, pra que isso aconteça ela precisa ter os rendimentos muito maior do que o custo de vida (sem ser minimalista nem nada).

Pois bem, desejo ter a IF pra ganhar tempo na minha vida, fazer meu mochilão, me descobrir e trabalhar no que der na minha telha, não gostei? simplesmente saio e vou pra outro, e assim vai. Tanto que um dos meus objetivos é provavelmente voltar a trabalhar de garçom porque eu gostava muito na época. Caso eu voltei e vejo que não é mais aquilo que eu tanto gostava é só eu sair e pronto, simples e rápido.

Uma das grandes motivações no começo da minha jornada foi traçar o meu custo de vida em tempo, isso mesmo, em vez de reais ou "dinheiros", em tempo.

Então eu não gasto R$ 1700 de aluguel, eu gasto 46h da minha vida trabalhando. Aquele hambúrguer com batata frita maravilhoso e pecaminoso que eu adoro não custa R$ 40 reais, custa 1h e 10 minutos. 

Gosto de ver filmes, séries, animes da Netflix ou da Amazon? Custa 1h e 30 minutos por mês.

Aquele livro que eu estou doido pra ler? 2h.

Quero ter um carro e calculo que vou gastar em média 500 reais por mês (comprar, manutenção, seguro, IPVA e posterior venda), então são 17 horas da minha vida trabalhando por mês pra ter esse carro.

Eu gasto 9h da minha vida por mês pra ter seguro de saúde e ficar tranquilo com essa questão.

Veja que quando você põe seus gastos, seus desejos, seus custos em horas que você tem que trabalhar você abre outros olhos pra sua vida, você dá outro tipo de peso praquela decisão, isso se você realmente valoriza o seu tempo claro.

Recentemente fiz um post mostrando que gasto quase R$ 2000 por mês pra morar num apartamento em SP, estou disposto a gastar quase 55 horas trabalhando só pra sustentar essa sensação de liberdade que morar sozinho proporciona? Sim, estou.

Agora estou disposto a gastar 160h trabalhando direto pra pagar um Iphone novo? Hum.... acho que não!

Ok, acho que até aí vocês já entenderam a ideia. Mas o interessante de se pensar assim, de ter essa visão um pouco fora da curva é que quanto mais eu invisto, quanto mais eu me aproximo da IF, menos horas eu tenho que trabalhar pra ter tudo que eu gosto.

Amo hambúrguer, adoro comer, atualmente gasto 1h e 10 min da minha vida pra poder comer o meu preferido, daqui 2 anos vou gastar apenas 40 min, daqui 5 anos vou gastar nada, NADA! Não vou gastar energia vital pra comer minha comida preferida, não vou gastar energia vital pra morar, pra ver um filme, pra viver e ser feliz, aquela preocupação de ter que gastar o meu dia pra ir pra um escritório, sentar lá por 8h, produzir algo que eu não curto e escuta reclamação de pessoas perdidas vai embora, some! Isso é liberdade!! Não é financeira, mas é uma sensação que eu procuro fortemente, algo que brilha o meu olho de um jeito que faz com que logo quando eu recebo meu salário o primeiro pagamento que faço é o TED pra corretora haha.

E vocês, já viram quanto de horas vocês tem que trabalhar pra pagar algo que vocês amam? Pagar uma academia, ou aquele restaurante favorito, ou fica em casas comendo besteira com coca cola? Faça o teste, é revelador quando vemos que trabalhamos muito pra algo que nem damos tanto valor, mas lembre-se que não é só pegar o seu salário líquido e fazer a conta, tem que descontar os custos de trabalhar, no vídeo eu ensino como faz. 


Bem, o post é esse, vou esperar um pouco meu ânimo voltar pra escrever mais, enquanto isso estou tentando me atualizar com os blogs que sigo (sigo quase todos da lista aqui do lado). 

Bjs e até mais =) 

TR

domingo, 30 de agosto de 2020

#16 - Experiência de 30 dias de Trader em mini-índice

Fala meu povo, blz?

Hoje o post vai ser rápido, vai ser na verdade uma divulgação de um Youtuber que eu acompanho faz tempo e ele faz várias experiências de vida, gosto dele porque ele é bem sincero nos relatos, passa muitas dicas boas de coisas que eles experimentou e deu certo (comecei a meditar por causa dele) e de vez em quando ele experimenta alguns investimentos.

Me interesso muito por tópicos de desenvolvimento social ou mesmo coisas que eu nunca pensaria em experimentar e vejo ele fazendo e as vezes me interesso e as vezes não. Consumo o conteúdo mais como entretenimento, mas alguns vídeos reforçam algumas máximas que temos de investimentos por aí.

Se eu me lembro bem ele já testou investimento em opções binárias e em robôs, agora o ultimo vídeo foi de 30 dias tentando ser trader. O legal do vídeo dele é que dá pra ver claramente quais são as reações que você espera de um iniciante nesse ramo e as cagadas que pode acontecer, da mesma forma, dá pra ver claramente o canto da sereia dos traders profissionais falando que da pra ganhar 20k, 50k, 80k em um único dia de operação e enche os olhos da garotada inexperiente sedenta por lucros rápidos.

Pra quem tiver interesse, tá aqui o vídeo, alguns podem achar longo mais eu gosto desse formato dele.


É só isso mesmo, só uma divulgação rápida que achei interessante compartilhar nesse final de domingo, comentem aí o que vocês acham, eu, por exemplo, apesar de achar algumas dicas pertinentes do mentor dele, não vi em nenhum momento ele falar quanto perdeu, só quanto ganhou xD.


TR

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

#15 - Reserva de Oportunidade, porque eu tenho

Fala galera, blz?

Pra quem não me acompanha no youtube recentemente compartilhei um estudo sobre a vantagem (ou não) de se ter uma reserva de oportunidade. O estudo na verdade vai além, ele pega essa reserva e aplica em fundos absolutos do mercado e mede a rentabilidade entre essa estratégia e a estratégia do preço-médio (aporte constantes).

Pra quem não viu é melhor dar uma assistida porque a conclusão dela é importante pra discussão desse post.



Pois bem, como já disse, alguns desses vídeos são pra amigos meus e dois deles especificamente me perguntaram se eu tinha ou não reserva de oportunidade. Eu respondi que sim e eles ficaram com cara de "uê?! Mas no vídeo a conclusão é que não vale a pena ter". Sim, é verdade, o estudo conclui que não vale a pena ter a reserva, mas nem tudo que alguns estudos ou opiniões embasadas que temos por aí nós temos que acatar não é mesmo?

Primeiramente, respondendo mais diretamente ao vídeo, eu não acho a forma que ele conduziu o estudo muito boa, foi muito 8/80, ou é uma ou é outra, e muitos sabem aqui que podemos facilmente nos adaptar pra fazer uma mescla das duas. Tecnicamente eu faço aportes mensais, mas tento não aporta tudo, talvez uns 85% eu aporto e 15% eu guardo e mando pra reserva de oportunidade, porquê?

Porque essa reserva me deixa seguro financeiramente! Não, não estou falando da reserva de emergência, essa está guardada e lacrada como todos nos sabemos, o "
seguro financeiramente" é mais contra grandes quedas e efeito psicológico, sim, investir pra mim é mais psicológico do que técnico ou prático. Passamos mais tempos pensando, refletindo, estudando do que aportando, enquanto pensamos por, sei lá, uma semana pra comprar uma empresa, nos compramos ela em menos de 5 min. 

Ter uma reserva de oportunidade faz eu ter uma mente mais tranquila perante as incertezas do mercado. Pra quem não sabe, ter dinheiro em caixa é uma das formas de não se abalar em grandes quedas, além de ser uma das formas de aproveitar essas grandes quedas também. Não sou de acompanhar notícias, não sou de querer ficar prevendo tendências de mercado, "vai subir", "vai cair", sinceramente eu tenho minha opinião pessoal sobre o momento atual mas a minha opinião é bosta nenhuma pro mercado, faz diferença alguma, não influencia nada e não devia influenciar os meus investimentos também, tentar acerta tendências só vai te deixar enviesado caso acerte ou decepcionado caso erre. Tem que ser equilibrado consigo mesmo, ter estratégia que lucre tanto pra cima quanto pra baixo, ser convexo, ser antifrágil.

A questão da SUA estratégia de investimento é ser compatível com SEU perfil e que TE traga segurança, abraçando a incerteza ou não. Portanto, me sinto bem tendo uma reserva de oportunidade pois ela é uma das formas que tenho pra me proteger de quedas, mesmo elas existindo ou não.

"Mas TR, tá comprovado lá que a rentabilidade de quem tem reserva de oportunidade é menor!"

Concordo, mas pra quem leu meu último post sobre Benchmark sabe que não estou atrás da melhor rentabilidade ou de me comparar com o mercado, estou atrás apenas do que acho ideal pra mim, meus 1% ao mês, se o mercado faz muito mais que isso, ok, legal! Mas cuidado pra não se animar demais. Se eu já consigo ter uma média de 1% ao mês por 5 anos e consigo isso tendo uma reserva de oportunidade pra manter a mente calma, então continuarei fazendo isso até ter algo forte que mude minha opinião (não posso ser firme demais também, sei muito bem que opiniões são dinâmicas assim como investimentos, no momento que eu mudar de opinião não tenho vergonha de mudar meus investimentos também).

Pensem nisso, invistam da forma que fique mais confortável pra vocês, mesmo sendo algo comprovado ou não, o investimento é seu, o dinheiro é seu, é sua vida, sua IF, mas tenham sempre uma mente aberta e crítica pra aceitar visões e opiniões diferente. 

É isso!

TR

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

#14 - Benchmark e o porque eu não me comparo com ele

Olá meus leitores,

Hoje deu vontade de falar um pouco de benchmark e explicar o porquê eu não gosto de me comparar com ele.

Para quem não está familiarizado com esse nome benchmark é basicamente uma referencia do mercado que muitos usam para comparar o rendimento dos seus investimentos, no Brasil o mais clássico é o CDI e o Ibovespa. Funciona basicamente como um régua, o investidor vai lá, se compara com o rendimento desses e avalia se seu portfólio está legal ou não. É muito fácil encontrar essas comparações aqui na finansfera.

Muita gente pode pensar sobre isso de forma diferente, mas ao meu ver a forma que as pessoas pensam quando se comparam com o Ibov é mais ou menos o seguinte: 

- Se os investimentos estão ganhando do Ibov ou dando uma "surra" como alguns gostam de falar, os comparadores ficam "felizes" pois o resultado dos tempo perdido estudando e garimpando ativos está sendo compensando, afinal, se tivesse ficado com preguiça e investido tudo simplesmente no ETF eles teria tantos "%" de rendimento a menos. São ótimo investidor então, estão ganhando do mercado =)

- Se os investimentos estão perdendo do Ibov ou tomando uma "surra" elas ficam tristes ou procuram culpados como "o fundo X foi uma péssima compra" ou "a ação Y teve uma queda de tantos %" e no final isso se resultado a uma certa angústia pois está perdendo pra um investidor passivo que simplesmente aporta todo mês no BOVA11, todo aquele estudo e tempo não trouxeram vantagem nenhuma, é possível ter até um certo desanimo com investimentos e parar de acompanhar.

Talvez o pior dessa última situação nem seja "achar que ta perdendo pros outros" mas sim não dar tempo suficiente pros ativos e tentar conserta o erro mudando algo no portfólio e girando o patrimônio sem haver necessidade ou sem sequer analisar mais profundamente. Ao meu ver, fazer essas comparações não traz vantagem nenhuma pro investidor pequeno individual que nem a gente, se tiver ganhando seu otimismo sobe e pode acabar influenciando em sua tomada de decisão lá na frente, afinal, você não tem a mão de midas mas talvez a unha dele, se tiver perdendo pode acaba se desanimando ou fazendo besteira e por assim vai.

Vou além, critico aqueles que fazem comparação pura sem nem sequer ver a base dessa comparação. É comum vermos a rentabilidade da carteira do mês ou história e bater direto com a rentabilidade do Ibov correspondente, ninguém percebe o erro matemático dessa situação?

Se o ibov rendeu, sei lá, 50% desde o início dos seus investimentos e sua carteira rendeu 50% não quer dizer que vocês estão empatados, afinal, você teria 50% de rendimento no Ibov se tivesse investido todo o seus aportes no início, lá no começo, o que não é verdade não é? Muitos investidores fazem aportes frequentes, seja semanal, mensal ou trimestral. Ter uma carteira que rendeu 50% em 12 meses aportando R$ 1000 reais por mês é diferente de ter tido uma carteira que rendeu 50% em 12 meses aportando R$ 12.000 no primeiro mês, a conta aqui é juros compostos básico.

Ibov desde 1 de março de 2018 até agora rendeu aproximadamente 18,7%, se for olha apenas o gráfico como muitos olham (de 85,3k até 101,3k). Mas se o investidor tivesse feito aportes mensais de 200 reais nele, teria hoje aproximadamente um patrimônio de R$ 6.621,92, enquanto investiu R$ 6.000,00, isto é, uma rentabilidade de 10,3%, diferença gritante não?

Logo, se o objetivo é se comparar pra ver se "teria" melhor resultado no outro lado, então tem que pelo menos fazer essa comparação certa, comparar só por comparar não ajuda ninguém, pior, comparar com um parâmetro errado só vai te fazer ficar mais otimista ou mais pessimista sem necessidade alguma.

"Ahhh TR, mas temos que ter algum parâmetro, você não se compara?"

Sinceramente tento ao máximo não me comparar a ninguém, nem ao mercado, nem aquele influencer/profissional, nem aquela pessoa X, mas todos sabemos que isso é muito difícil ou praticamente impossível. Tento ter esse comportamento porque já vi que é o melhor a se fazer (na minha opinião), afinal, se você for pensar, sempre vai ter alguém melhor que você, sempre vai ter aquela ação que disparou e você não tem, sempre vai ter algo nesse sentido pra te deixa pra baixo. Concordo que muitos analistas e casas de análise batem muito nessa tecla mais porra, isso é o ganha pão deles, é a empresa deles, são meios que obrigados a se comparar ao mercado pra contar vantagem e conseguir mais clientes, da mesma forma que youtubers e afins tem que colocar na capa do vídeo as notícias ou número chamativos porque eles precisam dos nossos "views". 

"TR, então como você faz pra se medir?"

Eu meço minha performance, meu rendimento ou a "qualidade" da minha carteira apenas comigo mesmo. Quando eu defini as regras do meu portfólio e tinha feito todos aqueles cálculos de vida que fazemos eu defini as minhas metas que eram decentes pra mim e compatíveis com o meu perfil e decidi que a minha carteira teria que render 1% ao mês pra eu me sentir satisfeito, 1% ao mês não é uma meta absurda, mas não é qualquer coisa também. Ter uma meta particular e fixa como essa é excelente porque me tira a tentação da comparação alheia e ainda me da um padrão pra me avaliar. Mas lembre-se, investimentos são pro longo prazo, eu olho muito mais o conjunto da obra do que a fotinha do mês.

1% ao mês é o mesmo que 12,68% ao ano que é o mesmo que 61,22% em 4 anos e assim vai. Atualmente estou acima dessa meta o que me deixa confortável com minhas escolhas, me deixa seguro saber que aquilo que estudei e gastei tempo está de acordo com os planos que tracei a 4 anos atrás e provavelmente ficará dentro dos planos nos próximos 26. 

Mas e o CDI ou Ibov nesses 4 anos, quanto rendeu? Sinceramente, tenho a mínima ideia e o menor interesse em saber.

TR

terça-feira, 11 de agosto de 2020

#13 - Custo de Vida para Morar em SP Sozinho

Fala galera, beleza?


Hoje vou tentar mostrar quanto que precisa pra morar na Zona Norte de SP e qual é o custo de vida dessa localização. Sei que muita gente tem curiosidade pra saber quanto são os custos de São Paulo por ser uma cidade cara e desejada. Lembrando que todos os custos e gastos que vou colocar nesse post são pessoais e baseados apenas na minha experiência, isto é, é só uma exemplo, uma noção do que pode ser.

Pra quem não sabe eu já moro em SP tem um bom tempo, mas antes eu dividia AP com duas pessoas e eu decidi voltar a morar sozinho por questões pessoais, mesmo gastando mais com isso e indo pra um local mais longe, com menores opções e regalias.

Vamos primeiro para os gastos fixos com a moradia em si, isto é, o apartamento e os custos mensais. Meu apartamento tem uma metragem de 42 m², tem um quarto, uma sala, um banheiro e uma cozinha, não tem varanda nem área de lavagem ou estender roupa, nada disso. É um apartamento bem simples e eu estou gostando bastante dele. Alguns dos meus amigos podem considerar ele pequeno, mas pra dizer a verdade é até mais do que preciso morando sozinho.

Custos Fixos com moradia: É basicamente o que eu gasto por mês simplesmente por morar em SP em um local privado. Sempre terá esses custos eu estando de fato usando o Ap ou não.

Valor do aluguel: R$ 1550,00
Valor do condomínio: R$ 210,00
Conta de luz: ~R$ 60,00
Conta de gás: Não tem, uso botijão
Conta de água: Incluso no condomínio
Conta de internet: ~R$ 109,00 (Vivo Fibra)

Porém quando me mudei pra cá eu não tinha basicamente nada de móveis, tinha minhas roupas e o meu computador basicamente, então vamos aos gastos com mobílias:

Geladeira: R$ 1100,00
Microondas: R$ 250,00
Fogão: R$: 300,00
Máquina de lavar: R$ 900,00
Sofá: R$ 850,00
Mesa: R$ 300,00
Cadeira: R$ 760,00
Colchão (sem a cama): R$ 350,00
Guarda roupa: R$ 670,00
Apetrechos de cozinha (pratos, panelas, talheres): ~R$ 300,00

(Decidir não colocar os centavos certinhos por motivos de sugou!)


Curiosidade triste: Meu prédio tem 3 andares e eu moro no último. Como ele é pequeno não tem elevador e somente escada. Maaasss a maldita da escada é muito estreita e fez com que o box da minha cama não subisse e quase fez com que o sofá não subisse também. Foi um puta rolo pra fazer essa mudança.

Pois então, Ap montado, mudança feita, custos fixos instalados, vamos aos variáveis. Aqui entra um parâmetro mais pessoal ainda, pois é a minha vida, meus gastos, meus costumes, meus gostos, minha frugalidade, tudo meu, acho que deu pra entender né?! Vamos aos números então:


Alimentação (supermercado, padaria, açougue): ~R$ 1020
Assinaturas (Amazon Prime, Netflix, etc): ~R$ 70
Gastos com transporte (metrô e Uber): ~R$ 80
Gastos com saúde: ~R$ 250
Gastos com família: ~R$ 200
Gastos pessoais (presentes, itens que quero, cursos, estudo, trabalho, bares): ~R$ 300

Lembrando que esses gastos são custos médios mensais dos últimos 12 meses.

Resumindo então esse post expositivo número:

Móveis para o Apartamento: R$ 5780
Custos Fixos Mensais: ~R$ 1929
Custos Variáveis Mensais: ~1920

Portanto, se você pretende morar sozinho em SP num bairro considerado bom e perto da qualidade de vida que eu tenho então tem que ter por volta de 6k pra comprar os móveis, e gastar quase 4k por mês pra sustento. É muito? É pouco? Depende, tudo depende.

Eu conseguiria facilmente me mudar pra um apartamento mais barato, mas seria mais longe e teria que ir de transporte pro trabalho e não a pé. Considero ir a pé pro trabalho uma vantagem tremenda então aceito pagar a mais por isso. Daria pra diminuir os custos fixos de 2k por mês pra uns 1,5k mais ou menos.

Outro fator, eu tenho a vida que quero, não "me nego" nada mas também não sou gastador. Quero comprar? Eu compro, mas minha alma frugal sempre olha o preço e faz a aceitação do produto ou não. Consigo viver com menos que isso? Hell yeah! Caso queira consigo diminuir um monte de coisa e viver apenas com 1k a 1,2k mensais, tudo é questão de escolha, estou satisfeito com meus gastos de vida atual e com o que guardo pra investimentos, lembre-se sempre de tentar equilibrar, a vida é agora, no presente, mas o futuro é o presente de amanhã então não podemos ser tão "Carpe Diem" assim.

Pra quem estava curioso está aí os números. Mas antes de dar tchauzinho queria dizer que estava pensando em mudar o nome do blog. Quando criei esse blog o objetivo era complementar o canal no Youtube com informações de investimentos, por isso criei com esse nome bosta. Porém, o blog é muito mais uma ferramenta  pessoal minha como muitos outros blogs por aí do que um blog de informações de investimento mesmo (que é o que o nome sugere), então estava pensando em mudar pra um nome mais pessoal, mais reservado, apenas pra manter minhas postagens toscas de vez em quando, trocar ideia com vocês e os desabafos e críticas de sempre que fazemos por essa finasfera, o que vocês acham? Comentem aí





Basicamente é isso, ficamos por aqui! 

TR



sexta-feira, 31 de julho de 2020

#12 - Investimento em Urânio

Fala meu povo, tudo bom?!

Nesse post vou contar um pouco do racional para eu ter investimentos em urânio, algo bem diferente e talvez bem fora da curva aí pra maioria dos investidores. Mas antes queria dizer que participei do Ep45 do Podcast do SrIf, quem quiser saber mais um pouquinho sobre mim é só ir lá.

Lá na entrevista eu disse que já testei de tudo em investimentos, sempre coloco um pezinho em algo pra ver qual é a dele e avalio se eu gosto ou não, eu não sou daqueles que vejo a pessoa X falar "isso não presta" e vou lá e repito que nem papagaio, eu geralmente absorvo várias opiniões e vou lá também ter a minha experiência. 

Um desses investimentos aconteceu com o Urânio, quando eu estava estudando ciclos de mercado com o livro Dominando Ciclos de Mercado do Howard Marks e fiquei mais curioso e fui olhar a performance de vários ciclos e como foi os investimentos, dessa forma acabei caindo de paraquedas em alguns bem diferentes e avaliando o do Urânio e vi que era algo com um racional excelente e com um grande potencial de alta, então entrei.

Vamos ao racional, mas antes aviso que vou explicar muito por cima, se vocês se interessarem eu posso ir explicando cada tópico mais devagar e aí da pra entender melhora  tese de investimento.

Primeiramente o que é o urânio?! O urânio é um mineral extraído da natureza e tem basicamente uma função: ser enriquecido e fornecer energia nuclear por meio de fissão nuclear. Essa energia pode ser usada como energia nuclear em usinas nucleares e em bombas atômicas, liberando uma quantidade monstruosa de energia e dizimando a região.

"Nossa, você está investindo em armas então?!" Não, antes de sair acusando tem que no mínimo entender sobre não é, o urânio quando é extraído tem que ser enriquecido, basicamente ele é retirado da natureza, tratado, moldado e enriquecido, se ele for enriquecido até um percentual de  4 a 5% é o suficiente para utilizar ele como fonte de energia em usinas, se ele for enriquecido acima de 90% aí sim ele usado em armas nucleares. É bem interessante entender o ciclo do urânio pra ter uma visão maior do que está acontecendo, mas vou pular essa etapa por enquanto.

O tese do investimento em si é simples: apostar na alta do preço do urânio no mercado mundial. Porque essa alta pode/deve acontecer?  Pelo mesmo motivo que acontece alta de algum produto, baixa produção e alta demanda.

Porque o urânio tem baixa produção?!

O número de mineradoras de urânio já foi grande, mas desde o último boom do mercado em 2007 (o que não teve nada a ver com o crash de 2008) o preço do urânio só caiu, caiu porque haviam muito produtores e poucos consumidores. Minerar urânio é caro e se você não tem uma sistema eficiente e o preço não ajuda então a empresa fica no prejuízo, mantenha esse cenário por muito tempo pode quebrar a maioria das empresas do setor e foi isso que aconteceu. O número de empresas saiu de mais de 500 daquela época pra menos de 50 atualmente, isto é, tem poucos produtos agora. Além disso, começar a minerar é mais caro ainda, preparar a mina pra extração tem um custo absurdo de pesquisa e extravio, no momento que se desliga uma mina a empresa já está assumindo um risco alto pois apenas com altos investimentos ela poderia voltar a funcionar, trazendo uma barreira econômica forte pro setor.

Ok, mas porque o consumo vai aumentar?

A resposta aqui também é bem simples, são basicamente duas, o estoque de urânio das usinas nucleares estão se esgotando, com a maioria dos contratos longo terminando agora no final de 2020 e em 2022 e porque o número de usinas nucleares só aumenta, tendo mais de 50 usinas em construção em todo mundo e tendo países voltando com tudo nesse ramo, como o Japão. A Usina é um investimento caro, muito caro, mas a energia é "limpa", muito estável e segura (aqui entra diversos debates que não vou aborda aqui), sendo uma das energias mais baratas e menos poluentes do mundo. Muitas ações sociais estão inclinando pra essa medida ainda revoltados com o impacto ambiental e humano que as outras fontes de energia causam por aí, como o impacto ambiental da energia hidrelétrica, carvão, eólica e tudo mais. Nenhuma outra fonte de energia atual consegue bater de frente com a nuclear, é só pesquisarem, qualquer coisa comentem aí que a gente bate um papo.

Voltando ao assunto, após a construção da usina ela precisa comprar o combustível que é o urânio e esse combustível é muito barato em relação ao preço do projeto, é como se você pudesse colocar gasolina no seu carro por 2 centavos o litro, o preço da gasolina nunca ia te impedir de andar de carro, apenas a manutenção dele. Além disso, uma usina, depois que ligada não pode ser desligada, isto é, não que não pode, mas não é bom, pois gasta muito pra aquecer o núcleo e só depois ela gera a energia em si, então desaquecer ele por falta de combustível pra depois aquecer é inviável, fazendo com que todas ou a maioria das usinas no mundo operem 24h/7dias ininterruptas. Se você já percebeu a sacada aqui deve ter visto que isso traz uma grande vantagem pros produtores de urânio, pois o consumidor é totalmente indiferente ao preço, isto é, ele TEM que comprar, pois não pode deixar a usina parar, é uma energia boa e barata, e ele COMPRA A QUALQUER PREÇO pois é barato em relação aos outros custos, mesmo o preço do urânio subindo horrores ele não deixaria de comprar.

Deu pra sacar porque existirá uma alta na demanda? 

Outro fator importante e que alavanca os resultados é a grande ineficiência do mercado nesse ramo. Todo mundo sabe que quanto mais líquido é um ativo, mais eficiente o mercado é em ajustar o preço pro valor "justo". O que acontece é que o mercado de urânio é extremamente ineficiente, e isso é facilmente visto pois a demanda e a oferta não andam juntas. Pra se ter uma ideia, a produção de urânio só caiu, ela não aumenta desde 2013 se não me engano, devido a quebra de empresas e o fechamento de minas e, ao mesmo tempo, a demanda por urânio só aumento, chegando aos picos agora em 2020, essa demanda é muito superior a oferta agora em 2020, isto é, há um deficit e urânio no mercado, trazendo esse desiquilíbrio, e quando se tem muitas pessoas (usinas) atrás de algo que é escasso já sabemos o resultado né.

Existem muitos países investindo nesse tipo de energia e muitos até dependentes demais. 11% do consumo mundial de energia é nuclear, 20% da matriz energética dos EUA também, assim como 77% da França, 25% da Inglaterra, 25% Russia e assim vai. Um grande vetor de crescimento é a China, que tem atualmente 4% e quer chegar aos 20% em 15 anos, o Japão também tem esse mesmo objetivo. Pra quem tem curiosidade o Brasil tem 3% da matriz energética gerada por energia nuclear. 

Interessante não é?

Mas porque os preços ainda não subiram? Bem, há duas explicações pra isso: a primeira é que as usinas em construção precisam ser finalizadas a segunda entra mais na forma como as usinas compram urânio, que é por meio de contratos de longo prazo, isto é, elas contratam as mineradoras pra fornecer urânio por um período longo de tempo, 10, 20 anos, pois, como já disse, elas não podem parar e, como já disse também, a maioria desses contratos vencem agora em 2020 e em 2022/2023, isso quer dizer que as usinas vão a feira fazer compra só perto dessas datas. Além do mais, entra aqui também toda a questão do ciclo do urânio que não expliquei e muitos outros fatores.

O racional muito resumido é esse: investir em urânio pois a produção é baixa e a demanda tende a aumentar, elevando o preço dele em algum momento. 

Vou finalizar o post por aqui porque se não fica muito grande, se tiver interesse de vocês eu posso fazer uma série de posts explicando cada ramo do investimento, que ao meu ver é muuuuito interessante haha, tem os riscos também, a forma de investimento, casos governamentais e do covid, acidentes nucleares que fizeram demanda cair e a conscientização desse tipo de energia que fez a procura subir, tem muitos mini tópicos que gosto de estudar e poderia trazer pra cá. Comentem aí oque acham e vamos trocando ideia.

Ahh, não deixem de escutar a minha entrevista com SrIf no Ep45. Já me desculpo pelo áudio pipocado, mas a internet do interior não ajudou =(.

TR